Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Queremos voltar a competir

José Chaves, no Chinguar - 15 de Outubro, 2010

Ernesto Pinto, coordenador adjunto do projecto

Fotografia: José Chaves

Fale do andebol no Sporting Clube Petróleos do Bié.
Estamos a massificá-lo, processo que decorre a contento. O projecto completou um ano este mês.

Quantos atletas fazem parte do mesmo?
São 80, sendo 40 masculinos e outros tantos femininos, número estipulado pela direcção do clube. São crianças entre 12 e 16 anos, distribuídas entre as categorias de iniciados, juvenis e juniores. Diariamente, aparecem no nosso campo de treinos várias crianças, mas não temos capacidade para congregar todas.

Que balanço faz, um ano depois?
Positivo, pois já temos estruturadas equipas de iniciados e juvenis. O objectivo é voltar a competir em provas internas e nacionais. Apostamos na formação para, no futuro, o clube ter uma equipa de seniores forte. Em suma, o andebol aqui atravessa uma boa fase.

Enfrentaram dificuldades ao longo deste período?
A principal dificuldade é a falta de competição, já que na província há poucas equipas que praticam a modalidade. Treinamos há um ano e é necessário que os atletas ganhem ritmo competitivo, realizando jogos. Treinar sem competir, não é benéfico para o programa de formação que se pretende.

Que perspectivas tem para o próximo ano?
Trabalhamos para voltar a competir em provas nacionais. Pretendemos participar nos campeonatos de iniciados e de juvenis, em ambos os sexos. Vamos voltar a competir na alta-roda nacional e, para começar com o pé direito, pretendemos conquistar as provas de juvenis em ambos os sexos. Outra meta é tornar a província no principal “celeiro”da modalidade no país, dentro de cinco anos.

Quer dizer que teremos um Sporting forte?
Essa é a meta a atingir. Trabalhamos para concretizar este desiderato. Tenho fé que conseguiremos atingir a meta preconizada.

Clube pretende resgatar
o lugar perdido

Em linhas gerais, qual é o fim do projecto?
A direcção do clube quer resgatar o lugar que o Sporting tinha no andebol. Este é o objectivo principal. Penso que temos capacidade para alcançar esse desiderato dentro de cinco anos. Queremos também contribuir para o desenvolvimento da modalidade na província e em todo o país.

Que filosofia de trabalho pretende utilizar para a concretização desse objectivo?
Trabalho e dedicação. Esses são os segredos para materializar os objectivos traçados. É preciso seriedade, responsabilidade e respeito por todos.

Não é fácil trabalhar com crianças..
Nesta etapa, o trabalho incide mais nas habilidades físicas e motoras. É muito importante aperfeiçoar essas qualidades.

Como avalia as condições postas à vossa disposição?
São óptimas. Temos material desportivo, como calções, camisolas, meias, sapatilhas para treinos e jogos. A direcção colocou à nossa disposição o material necessário e, por conseguinte, não tenho razão para queixas.

Fale da entrega dos atletas...
Começamos, no ano passado, a ensinar o ABC às crianças e já temos muitas com nível técnico aceitável. Este avanço dá-me força para continuar a trabalhar. Não nos podemos esquecer que o Sporting do Bié recomeçou do zero, pois o seu andebol estava extinto. Hoje, um ano após a reactivação da modalidade, a realidade é outra, comparando-a ao primeiro dia de treinos. Os miúdos têm dado o máximo de si.

O Bié  albergou, em 2008, os V Jogos Nacionais Escolares. Que benefícios trouxe?
O clube soube aproveitar ao máximo. Alguns atletas que participaram nessa competição foram inseridos no projecto de massificação, o que é uma mais-valia. São atletas que chegaram ao clube com alguns conhecimentos da modalidade, o que facilitou o seu enquadramento rápido.

A província marcava  presença regular em competições nacionais, sobretudo nas camadas jovens. Há 10 anos que não o faz. Que motivos estão por detrás desta longa ausência?
As coisas não estão bem, toda a gente sabe. Que as coisas têm de melhorar, também todos têm consciênciadisso. Os responsáveis do desporto na província têm de procurar um modelo de desenvolvimento para a modalidade. O Bié era uma potência até princípios da década de 90. Naquela altura, tinha mais de oito equipas federadas, dentre as quais O União Petro do Bié (actual Sporting), Vitória  Atlético Clube, Dínamo do Kunje, Tigres do Planalto, Ferrovia do Kunje, Interclube do Bié, Andorinhas, Desportivo de Katabola e Clube Recreativo do Chinguar.

“Temos pessoas
idóneas na direcção”

Como está o clube em termos financeiros?
Não é a minha área, mas garanto que está estável. Acredito não haver problemas de maior, pois temos pessoas idóneas na direcção.

Então, têm tudo para voltar aos tempos áureos?
Esse é o objectivo: voltar a marcar presença  regular nos “nacionais” da modalidade.

As equipas de iniciados e de cadetes competem?
Realizamos alguns jogos de controlo com equipas locais e da província do Huambo. A direcção do clube estuda propostas para firmar parcerias com outras escolas de formação do país.

Qual o quadro da modalidade na província?
O andebol de formação está a desenvolver-se cada vez mais. Estamos bem nesse capítulo e com um número satisfatório de formadores. Desenvolvemos, de forma eficiente, os escalões de formação que, em função dos grandes avanços, nos oferecem garantias para o sustento da modalidade. No ano passado, o Misto do Bié participou no Campeonato Nacional em Seniores Masculinos, mas foi um ressurgimento efémero, porquanto este escalão sobrevive graças à perspicácia de alguns “sobreviventes”que têm dado o alento necessário para a modalidade ter a mesma vitalidade de outros tempos.

As autoridades da província apoiam?
Não na totalidade. Apenas recebemos algum material da Direcção Provincial dos Desportos.

Que futuro perspectiva para o andebol do clube e da província?
O futuro será melhor. Os atletas a serem formados nas escolas do Sporting serão uma mais-valia para o clube, a província e o país. Acredito no sucesso do projecto. Os níveis alcançados nos últimos meses são satisfatórios.

O que promete aos adeptos, sócios e dirigentes da agremiação?
Primeiro, quero agradecer às pessoas que sempre acreditaram no nosso trabalho. Prometo que o andebol do clube voltará à mó de cima dentro de poucos anos.

Como estão em termos de infra-estruturas?
Estamos bem, mas é necessário que se dê maior apoio e haja continuidade no trabalho de infra-estruturas feito actualmente pelas pessoas de direito para podermos, daqui a algum tempo, colher bons frutos. Gostaria que houvesse mais recintos para treinos, sobretudo no interior da província, que reunissem as mínimas condições para a prática da modalidade.

Promoção da
modalidade é a meta

Que objectivos a direcção do clube traçou para a modalidade?
A sua promoção, incentivar a prática do desporto no seio da juventude da província e participar em campeonatos provinciais e nacionais. A descoberta de novos valores e a ocupação dos tempos livres dos jovens da cidade do Kuito também consta do programa. No seu cronograma, a direcção obriga e ajuda as crianças a serem inseridas no sistema normal de educação, numa parceria estabelecida com os encarregados de educação das mesmas.

Fale do desporto escolar...
O desporto escolar caminha a bom ritmo. A província realiza, com frequência, competições inter-turmas e escolares, com grande empenho dos professores de Educação Física. Há muita vontade por parte da juventude local em aderir à prática desportiva. Os clubes devem aproveitar os jovens que praticam desporto nas escolas.

>> Perfil

Nome: Ernesto Pinto
Naturalidade: Kuito
Nacionalidade: Angolana
Altura:1,80 metro
Peso: 78kg
Prato preferido: Pirão com lombi e peixe seco
Bebida preferida: Água e Quissangua
Cor preferida: Azul
Religião: Protestante
Cor: Azul