Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Quero ajudar o Benfica a resgatar o prestígio”

Manuel Neto - 17 de Fevereiro, 2013

Filipe reforça o ataque do Benfica e está apostado em conquistar a Bola de Prata no Girabola

Fotografia: José Cola

Depois de representar a época passada a Académica do Soyo, o atacante Filipe trocou esta época a formação da Base do Kwanda pelo Benfica de Luanda. O atleta promete ajudar a equipa a alcançar os objectivos traçados, que passa pela melhoria do 12º lugar da época passada. A título individual, apesar de reconhecer o valor dos concorrentes, o atacante disse em entrevista ao Jornal dos Desportos que o seu sonho é conquistar o prémio de melhor marcador do campeonato nacional. “Penso que a melhor forma de ajudar a equipa do Benfica a alcançar os seus objectivos, é marcar muitos golos, porque são os golos que dão as vitórias e como atacante tenho esta obrigação”, admitiu.

O atleta reconheceu que o interesse do colectivo está acima da ambição pessoal e, por isso, promete dar o máximo em prol dos objectivos do grupo. “Além da ambição de conquistar a bola de prata, estão os interesses do colectivo, e é com esta mentalidade que me proponho encarar todos os jogos que terei pela frente”, disse. Filipe está consciente que a tarefa afigura-se bastante difícil, dada a qualidade de pontas de lança que as equipas no geral possuem e em particular o Benfica de Luanda, mas com trabalho tem fé que vai chegar lá.

“Estou ciente que tenho uma árdua missão pela frente, que me obriga em primeiro lugar a lutar pela concorrência com os meus colegas da mesma posição no clube, que são os casos do Pedro, que no ano passado foi o melhor marcador do grupo com 11 golos, o Manucho e o Beto, que esteve comigo no Soyo. Por isso, antevejo muitas dificuldades”, precisou. Apesar da concorrência, revelou que o empenho no trabalho é um dos argumentos fortes que vai utilizar para ultrapassar as possíveis dificuldades a encontrar, de forma a cumprir com êxito os objectivos que perseguem esta época. “Estou consciente das dificuldades, porque vamos enfrentar adversários mais experientes no Girabola e, por isso, não podemos acomodar-nos, sob pena de deixarmos por terra os nossos objectivos ”, alertou.


PALANCAS NEGRAS
“Representar a Selecção é um dos maiores sonhos”


Jogar pela selecção de Angola é uma das metas preconizadas pelo reforço do ataque encarnado da capital para esta época. O atacante promete tudo fazer para concretizar o seu sonho a breve trecho. “Como qualquer atleta, tenho um sonho na minha carreira, o de representar a selecção do meu país. Acredito que tenho mais visibilidade no Benfica e a minha oportunidade vai chegar”, declarou. O jovem recorda radiante a sua passagem pela selecção de sub-17 e sub-20 e espera ter a mesma sorte quando representar a selecção nacional de honras.

“Depois de representar as selecções de sub-17 e 20, a convivência com atletas de outros clubes foi salutar. Foi fantástico trabalhar com técnicos do nível e prestígio de Joaquim Dinis, Romeu Filemon e Abílio Amaral. Acredito que a selecção de honras é uma questão de tempo”, afirmou. O atleta acredita numa boa campanha dos representantes angolanos nas competições africanas, a julgar pela boa preparação que tiveram na pré-época, aliado aos reforços contratados. “Temos de acreditar que somos capazes de chegar longe. Angola está nestas andanças faz tempo e penso ter chegado altura de fazermos melhor nestas competições”, asseverou.


ACADÉMICA DO SOYO
Atacante critica postura
dos dirigentes do clube


As dificuldades financeiras que a Académica do Soyo atravessou na edição passada, culminando com a despromoção da equipa no Girabola, deixaram o atacante desolado. “Os nossos dirigentes desportivos devem ser mais responsáveis e organizados. Joguei na Académica e notei que o Soyo tem fortes condições de evoluir em termos desportivos, mas a falta de união e organização originou a despromoção da equipa”, lamentou. A construção de infra-estruturas desportivas, incentivos para o surgimento de mais equipas e o apoio imprescindível às camadas de formação são os aspectos que mereceram reparo do atleta. “Existe espaço suficiente para criação de infra-estruturas, para um melhor apoio aos escalões de formação. Há muitos jovens, mas sem apoio nada ou pouco se pode fazer. Agora são necessárias políticas desportivas concretas e credíveis para relançar a modalidade”, disse o reforço da Águia.


SOLIDARIEDADE
“A família joga
papel importante”


Filipe deixou a Académica do Soyo com o sentimento do dever cumprido e enalteceu o apoio que recebeu dos colegas e da massa associativa do clube. Afirmou que foi graças a estes que conseguiu impor-se na equipa. “Sabe que o apoio é tudo que um atleta pode encontrar no seio do clube e familiar. Sem apoio, sobretudo moral, o atleta não consegue impor-se. Os apoios jogam um papel preponderante para o desempenho do homem em sociedade e o atleta não foge à regra”, reforçou.

“Aliando a força que vinha do público à do balneário, fazíamos um grupo gigante, quer fora como dentro do rectângulo de jogo. E apesar das dificuldades por que passámos em termos financeiros, os nossos adversários encontravam imensas dificuldades para nos ultrapassar no nosso reduto, sobretudo as ditas equipas grandes, como o Petro de Luanda e 1º de Agosto, só para citar estas”, acrescentou.

O atleta elogiou o incessante apoio que recebe dos seus familiares, que na sua opinião, têm sido uma mola impulsionadora na sua carreira. “Não é fácil jogar futebol em Angola. Até aos dias de hoje, o atleta angolano enfrenta problemas de base, como salários, alimentação e transporte, que por vezes chegam a afectar o seu rendimento. Se não tivermos próximos de nós uma companhia, corremos mesmo o risco de passarmos ao lado de uma boa carreira. Mas graças a Deus, tenho sabido ultrapassar isso, porque tenho uma família que me apoia bastante”, disse.