Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Quero licena para representar o pas na Taa das Naes"

Joo Francisco On-Line - 10 de Fevereiro, 2013

O motociclista Zeferino Gaspar Fernandes, 35 anos, ou simplesmente Z Cazenga

Fotografia: Jornal dos Desportos

O motociclista Zeferino Gaspar Fernandes, 35 anos, ou simplesmente Zé Cazenga como é conhecido entre os praticantes e nas provas de motocross, considera que já ganhou tudo o que tinha para ganhar na competição interna e agora quer tentar fazer o mesmo a nível internacional, a começar pela sua participação na Taça das Nações, a decorrer em Setembro deste ano em Frankfurt (Alemanha). Para Zé Cazenga estar presente naquela que é considerada a montra deste deporto sobre rodas a nível mundial necessita de uma licença internacional, que deve ser concedida pela Federação Internacional da modalidade, a pedido da Federação Angolana, recentemente criada.“A Federação Angolano de Desportos Motorizados (FADM) em conjunto com a Associação Provincial de Motocross de Luanda e eu temos de trabalhar para ver se conseguimos uma licença desportiva internacional, para poder participar na Taça das Nações de Motocrross de 2013”, disse, apreensivo, o piloto que venceu o GP Internacional 35 anos da Sonangol e foi quatro vezes campeão provincial. Zé Cazenga explica que, quando em 2011 participou no Grande Prémio Internacional em Windhoek (Namíbia), foi informado que em África apenas a Federação Sul-Africana dos Desportos Motorizados está reconhecida para competir em provas oficiais organizadas pelo órgão reitor da modalidade a nível mundial. “Praticamente já ganhei quase tudo na nossa competição interna e acho que devo começar a ambicionar mais e esta ambição passa necessariamente pela minha participação na Taça da Nações, para mostrar aos pilotos mais evoluídos o que realmente se faz no nosso país em termos de motocross e tirar algum proveito disso”, considerou. PALMARÉSZé Cazenga já foi campeão provincial da classe rainha do motocross, nos 250cc quatro vezes, sendo as primeiras em 2008 e 2009 e as outras em 2011 e 2012, tendo travado os principais duelos com Carlos Soweto, que venceu a prova em 2010. Em 2008, Zé Cazenga, ficou à frente de Humberto Panlo ”Xuxu”, Carlos Soweto, Djamil Madaleno “Tady”, Hélder Coelho “Vuti”, Jandir Talaya, Adão Graça, Zé Comando, entre outros. No ano seguinte, voltou a “bater” os mesmos adversários, excepto “Xuxu”,”Tady” e “Vuti”, que não participaram. A história repetiu-se no regresso às vitórias em 2011. Em 2012, Zé Cazenga reconheceu que Ricardo Jorge, irmão do falecido Jorginho e que, naturalmente, seguiu as suas pisadas, foi quem mais luta deu. Para ele, Ricardo Jorge e Custódio Neto “Toito” são os adversários que, no futuro, podem dar-lhe mais trabalho nas competições internas. MOMENTOS“Osvaldo Varela custeou todas as despesas no GP de Windhoek”Um dos momentos que mais o marcou foi o Grande Prémio Internacional de Windhoek (Namíbia) em 2011, quando o anterior Presidente da Associação Provincial de Motocross de Luanda, Osvaldo Varela, custeou do seu próprio bolso o seguro de vida e a sua própria participação, na qual, apesar de não ter treinado no circuito, fez boa figura. “Nessa competição, além de mim, esteve também o Jandir Talaya por conta própria e o Narciso José como assistente da equipa angolana.” “Apesar das condições em que entrámos na prova, classifiquei-me em 12º lugar na geral final, entre 50 concorrentes de várias nações. Na primeira manga fiquei em 22º. Mas, na segunda, consegui arrancar um honroso 4º lugar, conseguindo arrancar uma grande ovação do público namibiano e angolano que assistia à prova”, recordou. Na sua óptica, se tivesse treinado mais vezes e feito a adaptação conveniente ao circuito, podia ter feito muito melhor e dado mais alegria aos angolanos. “Na Taça das Nações, não quero que se repita o que aconteceu na Namíbia, por isso, caso se concretize a minha participação, tenho de estar lá (na Alemanha) com pelo menos um mês de antecedência, que vai ser o mínimo para me adaptar e fazer boa figura numa prova daquela envergadura”, frisou. RECONHECIMENTO“Fui inspirado por Jorginho”Zeferino Fernandes recorda que quando entrou no motocross começou por ser “ajudante” de Jorge Varela” Jorginho”. “Foi o Jorginho que me encorajou a competir, quando tinha 20 anos, por notar que como ajudante dele o acordava sempre muito cedo para participar nas provas. Então, um dia, ao ver a minha dedicação, disse-me que se fosse assim tão empenhado como o era com ele, um dia podia pilotar tão bem e ia ser campeão. Acatei o conselho e acho que devo-lhe este reconhecimento”, confessou. PING PONG“Quero reabilitar todas as estradas”O que faz além do Motocross?Terraplanagem, ou seja, reabilitação de terrenos que vão ser utilizados para outro tipo de actividades, como por exemplo estradas e construções diversas. Também estou no curso nocturno a concluir Construção Civil.Então estamos na presença de um futuro engenheiro?Sim. E a minha ambição profissional é reabilitar todas as estradas do Cazenga, onde nasci. Pode-se viver do Motocross em Angola?Não. Temos alguns Grandes Prémios alusivos às festas das cidades, como as do Uíge, onde já estive duas vezes e ganhei o equivalente a 1.500 dólares, Malange, onde também já fui duas vezes, e Cabinda. De resto não se vê nada. Temos 13 provas no Campeonato Provincial de Luanda sem prémios monetários. Que tipo de pistas prefere para competir?Pistas como a de Saurimo, na Lunda-Sul,onde parece que tem um rio em baixo da areia e não faz poeira são as melhores para os pilotos  habilidosos. Por dentro Nome completo: Zeferino Gaspar FernandesFiliação: Gaspar António Fernandes e Luzia António MiguelLocal e data de Nascimento: Cazenga (Luanda), a14 de Março de 1977Estado civil: SolteiroFilhos: 3Altura: 1,89 mPeso: 78 kgFilme: Ficção científicaPrato preferido: Massa com bifeHobby: Correr na areia da praia Bebida: Sumo naturalCasa própria: NãoCarro próprio: SimVirtude: Persistência e determinação