Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Quero pertencer ao cinco inicial

Valdia Kambata - 29 de Julho, 2010

Brulio Morais, basquetebolista do petro de Luanda

Fotografia: Vigas da Purificao

Joga pelo Petro de Luanda. O que pretende alcançar com a sua equipa? Representar um clube com esta dimensão, que todo o continente tem como exemplo no capítulo da formação, é fantástico e algo que me deixa orgulhoso. Nos dias que correm, um jovem formado nesta equipa é visto como possuidor de um selo de qualidade, dado os inúmeros talentos que surgem todos os anos nesta colectividade. Ambiciono pertencer ao cinco inicial e fazer carreira no clube. Fale da importância dos escalões de base na agremiação…É algo bastante positivo, uma motivação extra para todos os jovens que sonham chegar à equipa principal. As apostas que têm sido feitas em jogadores de formação fazem com que alguns sonhos tenham mais possibilidade de se tornarem realidade. A sua satisfação é inquestionável…Sinto-me bastante satisfeito. Foi no Petro que comecei a carreira, com nove anos, e tudo o que sou hoje, como atleta, devo a este clube. Nunca recebeu propostas para representar outra colectividade? Ainda não recebi qualquer proposta de outro clube. Ainda assim, acho que só saio do Petro para jogar na NBA.Qual é o seu principal objectivo?Quando entrei no Petro, o meu principal objectivo era crescer como jogador e, graças a Deus, estou a conseguir, começando com a época passada em que tive uma boa prestação. Nesta temporada (2010-2011), o meu objectivo é ganhar o campeonato nacional, que é o desejo de qualquer atleta que se preze. Fale do contrato que celebrou?Tenho contrato, mas não posso revelar o seu tempo. O que posso garantir é que recebo regularmente os meus salários. O que representa o clube na sua vida? Nunca fui muito de apoiar clubes, mas ao longo destes anos que estou no Petro, fui aprendendo a gostar da equipa e ganhando um carinho especial por ela, especialmente nos últimos anos, em que vi algumas pessoas que lidavam comigo no dia-a-dia chegarem à equipa principal, algo que faz com que passasse a torcer pelo Petro. Espero que o clube tenha sucesso, mais a mais com a minha contribuição. Que aspectos técnicos acha que devem melhorar?Em todas as áreas e em cada faceta de um jogo.Como entrou para o Petro?Na altura, sofria de asma e o médico aconselhou-me a praticar alguma modalidade desportiva. O meu irmão já era basquetebolista, aliado ao facto que o meu pai também já tivera passado pela modalidade. Antes, tentei fazer natação, mas, dada a distância entre a Mutamba, onde vivo, e a Piscina do Alvalade, tive de desistir. Certo dia, fui assistir ao treino do meu irmão (Carlos Morais), gostei e fiquei no Petro até hoje."Espero crescer como basquetebolista"Quais são as suas perspectivas para a próxima época? Espero crescer mais como jogador, pois vou jogar com um grupo de atletas talentosos, pessoas com as quais não joguei antes. O contrato que fiz é bom, mas o mais importante é que vou poder jogar e manter ou aumentar o meu nível. Como encara a vinda de basquetebolistas americanos e de outras nacionalidades para o nosso campeonato?Depende do atleta, da sua mentalidade e qualidade. Quando você reúne dois jogadores americanos, quer queira quer não, acabam competindo entre si. Eles têm essa cultura desde quando passam pela universidade. Se você tem um ou dois, ou coloca em campo e não há problemas. A partir do momento em que tem muitos, é difícil, pois têm pensamentos diferentes. É difícil trabalhar com americanos, a não ser que seja um técnico que não faz o que eles queiram. Em suma, desde que constituam de facto uma mais valia, é sempre bom ter atletas de outras nacionalidades."Teremos uma outra postura na próxima época"Que avaliação faz do último Campeonato Nacional de Basquetebol?Foi um bom campeonato, mas não estivemos bem em termos colectivos. Particularmente, gostei, pois comecei a dar nas vistas. Comecei a jogar na última fase da prova, mas, graças a Deus, tive uma boa prestação. A que se deveu a fraca prestação da equipa?É como tudo: houve fases em que estivemos bem, e vocês puderam ver, em que só perdemos os jogos na parte final, mais por mérito dos adversários. Os meus colegas tiveram bom desempenho, algumas lesões à mistura, mas nada de muito grave. Foram atletas que durante a época treinaram bastante, mas não conseguiram alcançar o principal objectivo, que era ganhar o campeonato. Qual seria a receita para se ultrapassar a crise de maus resultados da sua equipa?Como atletas, temos o dever de treinar, trabalhar muito para dar a volta por cima. Algumas vezes, as pessoas diziam que o Petro não tinha equipa, mas acho que teve. Aconteceu que outras equipas apareceram melhor e tiveram mérito em alguns jogos. Acho que as equipas não se fazem de estrelas. Acredita noutra postura na próxima época?Acredito que a próxima época será melhor, o que no fundo é o nosso maior objectivo. O Petro é uma equipa de alto nível e tudo fará para ganhar o campeonato nacional. As condições de trabalho foram as desejadas?Foram boas. Não tenho razões de queixa. E a arbitragem?Penso que os senhores do apito devem ter transparência no trabalho. A Federação devia dar mais oportunidade aos árbitros mais novos.O que se espera de si na próxima época?Serei um jogador mais responsável, que em campo terá de saber fazer de tudo para defender os objectivos da equipa. O que promete aos adeptos do clube, sobretudo os que depositam confiança em si?Primeiro, quero agradecer às pessoas que sempre acreditaram no meu trabalho e pedir que continuem a ir aos campos, pois a próxima época será melhor. Vamos ter um Petro melhor. Fale do trabalho do técnico Alberto Babo.É um treinador com quem aprendi muita coisa, que puxou muito por mim e pelos outros colegas.Irmãos em casaadversários em campo  Em alguns jogos como Recreativo do Libolo, defendeu o seu irmão Carlos Morais. Qual era a sensação?E uma boa sensação. Quando entro em campo, olho para ele como outro jogador qualquer, como se fosse a jogar contra o Lutonda, o Mário Correia, etc. Tento sempre dar o melhor de mim em campo. E em casa?Graças a Deus, a nossa relação é óptima. Não temos problemas, até porque somos bastante unidos. Somos apenas dois rapazes e bastante amigos. Como define a relação com os colegas de trabalho?Tenho boas relações com os meus colegas. Somos unidos dentro e fora do campo.Quem é quem …Nome - Bráulio Alcântara MoraisData de Nascimento :17-12-1990Nacionalidade – AngolanaAltura - 1,85Peso: 85 kgClube - Petro de LuandaModalidade - BasquetebolBebida - Sumos e refrigerantes Número do Calçado - 46Música - Kuduro e RapHobby - Ouvir música e lerCor preferida - VermelhaReligião - CatólicaCalor ou cacimbo - CacimboFilmes - Acção, terror e comediaPaís – Estados Unidos da AméricaCidade - Los Angeles