Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Quero seguir a trajectria das minhas tias no Andebol"

Augusto Fernandes - 16 de Setembro, 2013

Andebolista Vera Kiala Mendes, de 15 anos, na escola de formao do Petro Atltico de Luanda

Fotografia: Jornal dos Desportos

A andebolista Vera Kiala Mendes, de 15 anos, conhecida nos meios desportivos e pelos seus familiares e amigos por “Vera”, está a ser forjada nas escolas de formação do Petro Atlético de Luanda como lateral direita dos escalões juvenis com grande margem de progressão.

Duas vezes campeã provincial de Luanda em iniciados, Vera tem evoluído muito o que leva os “olheiros” da agremiação petrolífera a considerá-la uma grande promessa do andebol nacional.

Vera, sobrinha das irmãs Marcelina, Luísa e Natália Kiala, tem a vantagem de ter antecedentes familiares para “subir ao Olimpo”, onde já chegaram as suas tias.
A jovem andebolista tomou gosto pelo andebol por volta dos oito anos, quando foi assistir a um jogo em que viu evoluir a sua tia Marcelina Kiala.

“Foi num jogo entre o Petro de Luanda e o 1.º de Agosto. Fiquei deslumbrada com a forma de jogar da minha tia. Eu já a tinha visto jogar antes, mas naquele dia foi demais. Então senti o bichinho do andebol penetrar em mim. Daquele dia em diante decidi ser jogadora de andebol”, recorda.

Vera contou que quando chegou a casa expôs à mãe o desejo de seguir as pegadas das tias. Com o consentimento da progenitora, a tia Marcelina Kiala levou-a às classes infantis do Petro de Luanda, no Catetão, iniciando assim a sua carreira desportiva oficial.

 “Quando cheguei aos infantis do Petro tinha oito anos de idade e o treinador era mister Ju, que agora está no Progresso Associação do Sambizanga (PAS). Naquela equipa encontrei a Janete, a Luísa e a Makiesse tendo ficado por apenas duas semanas passando logo depois para os iniciados”, concluiu Vera.                     
                                         COM JF


TRAJECTÓRIA
Adaptação fácil nos primeiros
anos de carreira da andebolista


Nos iniciados, sob orientação técnica da professora Rosita, Vera encontrou Leonara, Noela Zenaida e outras, tendo uma fácil adaptação.

“Não foi difícil aprender o “abc” do andebol. Primeiro, adaptei-me aos sinais dos árbitros. Depois fui aprendendo as técnicas, como bater a bola, chutar, atacar, defender e assim por diante. Não acho que seja difícil jogar andebol desde que a pessoa tenha força de vontade pode chegar lá”, revelou a futura lateral esquerda da selecção feminina de andebol.

Para Vera, o andebol não é uma modalidade violenta nem só para homens.
“É verdade que há muita oposição dentro do campo, com marcações muito cerradas, um puxão aqui outra acolá, uma bolada aqui outra ali, mas isso faz parte das regras da própria modalidade, assim como acontece no futebol, no basquetebol, e noutras modalidades colectivas”, explicou.

No tempo em que esteve nos iniciados, o Petro de Luanda era a melhor equipa do escalão vencendo todas as equipas adversárias do campeonato provincial onde se destacavam equipas como o 1.º de Agosto, ASA, Rodoviário e Maculusso.

“Certa ocasião num jogo realizado no campo da FAPA contra o Santos FC, a nossa guarda-redes não apareceu e eu prontifiquei-me a jogar na baliza. Fiz muitas defesas e no final do jogo ganhamos por 32-2. Até hoje aquele jogo continua a marcar-me”, conta.

OBJECTIVO
Melhorar classificação
no campeonato juvenil

Em 2011, Vera ascendeu à categoria de juvenis, com quase todas as suas colegas, sob o comando da professora Rosita. Orientada pelo professor Baiano, Vera disputa actualmente o Campeonato Provincial de Luanda e a sua equipa encontra-se em sexto lugar na tabela classificativa.

 “A nossa actual classificação não significa que a nossa equipa seja má. Continuamos a ser uma das melhores equipas do provincial e já houve um período em que estivemos a liderar o campeonato. Mas tivemos um momento nada bom internamente, que afectou o nosso rendimento em campo, mas já está a ser ultrapassado, pressagiando melhores dias para a nossa equipa”, vaticinou. Vera acha que o Campeonato Provincial de Luanda é muito bem disputado, porque existem equipas com atletas tecnicamente bem dotadas e que forçam o adversário a jogar no máximo da sua força, o que é bom porque obriga as atletas a trabalharem muito seriamente para conseguirem as vitórias.

A atleta considerou um dos jogos que a sua equipa disputou contra o 1.º de Agosto como um dos seus melhores jogos até ao momento.
“O adversário estava a fustigar a nossa defesa e venciam-nos com larga vantagem. Com a ajuda das minhas colegas, marquei 15 golos e ao intervalo perdíamos por 20-15. Infelizmente lesionei-me e já não pude jogar na segunda parte”, justificou.

Para Vera, o 1.º de Agosto é a melhor equipa da sua categoria. E entre as jogadoras das outras equipas destaca Alexia, lateral do ASA, por quem nutre grande admiração.

“A Alexia é uma jogadora fantástica, com muita genica e humildade. Gosto muito de a ver jogar.
Além dela também gosto de ver jogar a guarda-redes principal do Maculusso, porque oferece muita confiança à sua equipa. Embora para mim as melhores jogadores sejam as minhas companheiras aqui no Petro.”Vera é tão optimista que acredita que, se continuar a jogar, quando tiver 17 anos pode fazer dupla categoria com os seniores, o que é uma das suas maiores ambições a curto prazo.                                COM  JF

TREINADOR
Para o actual treinador de Vera, Baiano dos Santos, a jovem andebolista é uma jogadora com grande margem de progressão.
“Com a sua idade, 15 anos, podemos considerar que é uma jogadora tecnicamente disciplinada e corresponde bem às orientações do corpo técnico. Naturalmente, ainda denota algumas fraquezas próprias de uma pessoa da sua idade.”

Baiano dos Santos considera que, com a sua ajuda, Vera pode vir a ser bem lapidada para no futuro ser uma grande jogadora. “O facto de ser sobrinha de grandes nomes do andebol nacional psicologicamente faz-lhe muito bem”, concluiu.

PING-PONG
“A nossa  selecção de hóquei vai dar muitas alegrias no mundial?”

Gostava muito que a nossa selecção estivesse entre as três melhores do mundo.

O que tem a dizer sobre as “chicotadas psicológicas” que temos visto no Girabola?
Deve-se dar tempo aos treinadores para que eles consigam cumprir com as metas traçadas e com os tempos de contratos firmados. Acho que tudo indica que  um treinador só deve ser “chicoteado” depois de se  provar que ele é o principal culpado do  fracasso da equipa.

Pelo andar da carruagem José Dinis poderá ter o mesmo destino no Petro de Luanda?
Eu gosto muito de animais. Apesar de não estar a estudar numa área que me leve a ser veterinária, sinceramente gostava de trabalhar nesta área de saúde para animais.

E desportivamente falando?
Sou uma pessoa com ambições bem medidas, por isso, além de querer representar as seniores do meu clube e a selecção nacional, quero ser uma das melhores jogadoras de andebol do mundo.
Sou uma pessoa com ambições bem medidas, por isso, além de querer representar as seniores do meu clube e a selecção nacional, quero ser uma das melhores jogadoras de andebol do mundo.
A minha tia Marcelina esteve perto de o ser, foi a terceira melhor a nível mundial. Eu quero chegar mais longe e ser a melhor do mundo.

POR DENTRO

Nome completo:Vera Kiala Mendes
Filiação: Mateus Mendes e Suzana Kiala
Estado civil: Solteira
Quantos irmãos: 1
Altura: 1,69 m
Peso: 55 kg
Camisola com que habitualmente joga: 16
N.º Calçado: 40
Tempos livres: Leitura e jogos de futebol e andebol
O que faz nos tempos livres: Convívio com amigos e ver televisão
Filmes:Gosto de ver bonecos animados
Prato preferido: Fungi com kizaca e peixe seco assado
Bebida: Sumo
É ciumenta:Até certo ponto todos somos
Tem namorado: Não
Quantos filhos pensa ter: Dois. Se forem gémeos e albinos melhor
Oque mais teme na vida:A delinquência
Acredita em Deus:Sim
Porquê: Porque ele é o criador de tudo o que existe na natureza
Religião:Pentecostal
Clube do coração:Petro de Luanda
Sonho:Ser a melhor jogadora do mundo