Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Quero ser campeo

Armando Sapalo | Dundo - 13 de Maio, 2014

st a ser desenvolvido pelo grupo s suas ordens.

Fotografia: Benjamin Cndido

O treinador do Sagrada Esperança, António Caldas, descarta a ideia de que a sua equipa esteja menos forte em relação à época passada. Para ele, o plantel mantém o mesmo equilibrio e denuncia que hajam  pessoas que fazem comentários negativos com o objectivo de desestabilizar e ofuscar o "bom trabalho" que está a ser desenvolvido pelo grupo às suas ordens.  António Caldas  teceu essas declarações em entrevista ao Jornal dos Desportos, no Dundo, quando solicitado para fazer o balanço da prestação da equipa no Girabola 2014,  que ocupa a oitava posição com 14 pontos, disputados que foram 11 jornadas, mostrou-se igualmente preocupado com a relva do Estádio do Sagrada Esperança, que já não oferece condições para se realizar um bom trabalho - treinos e jogos oficiais. Com uma Taça de Angola e uma Supertaça ganhas  ao serviço do Interclube, António Caldas confidenciou que sonha  ser campeão do Girabola e almeja que seja sob comando da equipa do Sagrada Esperança da Lunda Norte para que possa voltar a competir nas provas sob égide da Confederação Africana de Futebol (CAF) onde, em defesa dos polícias  chegou às meias-finais da Taça da Confederação. 

Que avaliação faz do desempenho do Sagrada Esperança no primeiro terço do Girabola 2014?
Tudo quanto se fez, é segmento do que se pensou  quando me convidaram para assumir o comando técnico do Sagrada Esperança. A ideia foi construir uma equipa forte e coesa e tirar o clube do sufoco em que se    encontrava. Pretende-se com isso criar estabilidade que dê garantias para o futuro e alegria à população da Lunda Norte.  Este trabalho começou na época passada em que tivemos uma prestação positiva. Contudo, não podemos  agarrar-nos  ao que fizemos em 2013. Como equipa nós também temos ambições, queremos ganhar títulos e lutar com os outros candidatos. Mas agora precisamos introduzir as nossas ideias, aliada a uma maior organização em termos de filosofia de trabalho, sobretudo uma maior conjugação de esforços para que o Sagrada Esperança tenha  um projecto ambicioso, que justifique a sua dimensão como um clube de futebol.

E o que falta para a sua materialização?
Nós queremos chegar lá em cima. Conseguimos com certeza  passar uma boa imagem no Girabola passado, procuramos  vencer todos os jogos. Este ano também trabalhamos para isso. Temos um plantel humilde, jovem e barato. Não temos loucura em termos orçamentais e fora do normal como os outros.  O nosso orçamento tem a ver com a nossa sabedoria,  estratégia e disciplina no balneário. Temos de facto atletas muito inteligentes e com ambições fortes para  atingir  patamares altos. A aposta do Sagrada Esperança  é ter atletas ambiciosos e não caros. Estamos a introduzir princípios que permitem construir uma equipa consistente, para que daqui há alguns anos possamos lutar por algo maior.

Pelos resultados obtidos e a classificação que tem no Girabola 2014, disputadas que estão 11 jornadas, acha que o Sagrada Esperança está menos forte em relação à época anterior?
Não. Nós estamos equilibrados quanto à época passada. O que se passou é que no ano 2013, ninguém contava com o Sagrada Esperança, porque estavam habituados a vê-lo lá no fundo da tabela e acabaram por ser surpreendidos.  No entanto, precisamos de projectos que passam por bons alicerces e terrenos estáveis.  Nota-se que hoje, é um prazer enorme para os nossos adversários  saberem  que vão defrontar o Sagrada Esperança, porque no ano passado surpreendeu, espalhou  um  bom futebol em todos campos onde passou. Tendo em conta este trabalho de excelência, o Sagrada Esperança da Lunda Norte, tanto fora  como em casa, é das equipasque mais arrasta o público para os estádios. Isso,  deve servir de exemplo para encararmos as coisas com mais seriedade. Estamos ainda numa fase inicial, em que não nos podemos iludir com euforias desmedidas de pessoas que não têm noção do que é começar uma vida nova. Ninguém chega à universidade,  sem ter passado pela primária e secundário. Todo o projecto  precisa de pernas para andar. Portanto, o caminho é que todos anos a responsabilidade seja cada vez maior.

SEGUNDA VOLTA
Treinador diamantífero  abdica de reforços


 A equipa do Sagrada Esperança alcança  melhores resultados fora. O que se passa na realidade?
Sim. É verdade e começa a tornar-se num problema. A grande questão é que quando os nossos adversários jogam no Dundo, remetem-se muito ao jogo defensivo. A par disso, temos um relvado que já não está em condições. Ou seja, há uma incongruência entre a qualidade do nosso jogo e as condições do relvado. Mas também constato que se fala muito desse assunto para ofuscar o trabalho dos meus jogadores e exercer pressão neles com o objectivo de desestabilizar o grupo. Nas lições que transmito aos meus rapazes, é que quando somos artistas de futebol, temos de estar preparados para qualquer tipo de pressão. Nós jogamos para os adeptos,  então, temos de estar mentalmente preparados para estas coisas.

Tem à mão o plantel que esperou construir para época 2014?
Sim. Tenho e gosto dos meus jogadores. Não há dúvida de que toda a gente quer mais do que tem. Tenho atletas com o perfil que se enquadra na nossa filosofia de jogo, bastante jovens, porque estou a construir um Sagrada Esperança para o futuro. Claro que gostava de ter aqui o Cristiano Ronaldo. A verdade é que tenho vários Cristianos Ronaldos, gente com valor e potencial para crescer. Isso faz-se com trabalho e humildade.

Vai reforçar o plantel na segunda volta do Girabola?
De modo algum. Não sou pessoa de chegar ao meio e despedir atletas para depois contratar. Vou com estes jogadores que tenho até ao fim. Com o carro que comecei a viagem é que vou terminar. Nós não temos carteira que os outros têm,  não pretendemos ir buscar jogadores que estejam parados, sem qualquer forma desportiva.

Que Sagrada Esperança se pode esperar nos próximos jogos ou mesmo no segundo turno do Girabola?
Tudo. Vamos dar o nosso máximo com vista a crescermos mais. Vamos ser mais rigorosos e disciplinados e tudo que nos leve a sermos mais fortes. Queremos acelerar a nossa filosofia de jogo e os processos de combinação. O trabalho que desenvolvemos é idêntico a um ciclo académico, em que começamos com a introdução para posteriormente passamos à fase de execução.

Este é o último dos dois anos de contrato que tem com a direcção do Sagrada Esperança. Já se fala no futuro?
Termino o contrato este ano. É um processo que requer algum tempo, nós já chegamos a falar sobre o futuro, mas está tudo em "stand bay". É de facto importante que se fale do assunto, para que eu saíba o que vou fazer amanhã, porque isso faz parte da organização em termos de preparação do trabalho. Gostava de dar continuidade ao trabalho no Sagrada Esperança. A outra verdade é que eu quero ser campeão e tudo vai depender dos projectos. Penso que direcção do Sagrada Esperança também está a pensar em projectos ambiciosos para o clube.

GIRABOLA
"Ambiciono
ser campeão"


O técnico António Caldas referiu que há pessoas que andam com euforias desmedidas. Será que têm pedido ao treinador e à equipa muito mais do que tem feito?A quem se refere? 
Eu sinto e vejo ambição desmedida. É injusto que se pense que o pouco que conseguimos veio de um dia para outro. As coisas têm de seguir caminhos. Nós introduzimos uma nova cultura táctica para que os jogadores sintam o peso de envergar a camisola do Sagrada Esperança. Esta é uma escola, onde em função dos princípios que a gente incutiu, o jogador do Sagrada é hoje valorizado por todos, quando antes andou no anonimato. Portanto, pretendo ver a equipa a crescer, porque não aceito passar etapas, a minha ambição é ter um projecto sério e firme para colocar esta equipa onde merece estar. Quem pensar que já conquistou algo está completamente enganado. Vamos procurar tirar aquilo que é fundamental para continuarmos a conquistar a simpatia dos adeptos de futebol e sermos uma equipa realista.

O que significa ser uma equipa mais realista?

Pode existir por aí pessoas ambiciosas, porém não mais do que eu. Tenho algo por dentro, enquanto não for campeão em Angola  não fico descansado.

Ser campeão com o Sagrada Esperança ou noutro clube?
Pode ser com o Sagrada Esperança, desde que se observe a calma e tenhamos projectos com uma estrutura funcional e saibamos caminhar nesse processo, sem quebrar as barreiras. Se for no Sagrada Esperança, óptimo para mim, por ser um clube de que eu gosto imenso. Ora, quanto mais rápido eu conseguir alcançar este sonho, melhor ainda. Já conquistei a Taça de Angola, a Super Taça, levei o Interclube às meias-finais da Taça da Confederação e agora só me falta o Girabola. É isso que eu persigo, além de sonhar em um dia disputar uma final das competições africanas. Estive a um minuto de lá chegar, mas tirara-me este minuto. É uma competição que gostei de viver e sentir  mas que requer planeamento para lá chegar.