Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Quero ser campeo mundial"

01 de Julho, 2014

Vidal Gaieta sonho em atingir grandes patamres a nvel das competies internacionais para dignificar as cores do pas

Fotografia: Nuno Flash

A Selecção Nacional de boxe conquistou duas medalhas no campeonato africano, disputado em East London, África do Sul. Vidal Gaieta conquistou a prata, nos 75 quilogramas e Pedro Gomes obteve o bronze nos 56.  À conversa com o Jornal dos Desportos, Pedro Gomes revela a sua meta como desportista e faz uma radiografia às debilidades da modalidade no país.

Aos 23 anos de idade, seis de prática, Pedro Gomes, filho de um antigo campeão mundial, Manuel Gomes, logrou guindar o seu nome como referência da modalidade a nível nacional, zonal e continental. Já foi mais pesado. Exibe títulos de campeão nacional nas categorias dos 60 e 64 quilogramas, mas é  na categoria dos 56 kg que se tem mostrado ao mundo. Em 2013, participou no mundial de Almaty, Cazaquistão.

Esta época está a ser generosa para o atleta ligado ao Interclube. Sagrou-se campeão da zona IV e bronze africano no campeonato disputado recentemente em East London, na África do Sul. A sua meta  não é  só ser campeão do mundo, mas alcançar o que o seu pai não logrou como atleta, já que entende que nalguns momentos faltou sorte ao progenitor.

"O meu pai foi pugilista, mas percebi que houve títulos, conquistas que o meu pai não conseguiu, então parte destas coisas passaram a ser os  meus desejos e estou na modalidade para tentar conseguir aquilo que ele não conseguiu por vários condicionalismos. A minha maior meta é ser campeão mundial", perspectivou.

Pedro Gomes tem sido o centro das atenções, para as pessoas que se querem ligar à modalidade. O seu dia-a-dia está modificado. Quando vai às corridas habituais, sente que as pessoas já o conhecem. "As pessoas vêm e  dizem-me  que me viram, que me conhecem, saúdam-me e sabem quem está aí a correr e isto  deixa-me satisfeito porque eu faço pelo nosso país e então, isso, começa a ser o reconhecimento, é gratificante".

Aos  outros pugilistas a carreira de Pedro Gomes é fonte de inspiração. "Tenho recebido pugilistas que me pedem opinião e ajuda para as suas carreiras. A minha força de vontade ajuda a que outros pugilistas também tenham  inclinação para se dedicarem à modalidade de corpo e alma", comentou.

AVISO
"É preciso melhorar o pensamento no ringue"


Pedro Gomes começou a sua carreira em Portugal, onde chegou a sagrar-se campeão duas vezes, pelo Sport Clube Senhora da Hora e pela equipa da Água Viva. Com o Boavista conquistou o título de campeão ibérico. A recente prestação nos campeonatos da zona e africano deram uma visão ao atleta das características do boxe continental e afirma que o boxe que se pratica  por aqui não está longe dos níveis  praticado noutras regiões.

"Não estamos muito distantes de chegar lá. O nosso boxe tem um bom nível, há recursos humanos, mas também há trabalho que tem de se fazer. Há vários estilos no pugilismo,  penso que é preciso melhorar a componente técnica, mas a que está mais em défice é a componente técnico-táctica. Isto, tem a ver com o pensamento em cima do ringue, a análise do adversário, a definição de estratégias a utilizar, enfim".

A formação dos treinadores é outra área, que o pugilista considera como "fraca", porque os antigos pugilistas passaram a treinador sem obter uma formação específica. "Para o treinador saber trabalhar tem de ter formação e o que falta aos nossos treinadores é  formação para poderem passar a  experiência aos discípulos. Os treinadores devem actualizar os seus conhecimentos porque o boxe acompanha a ciência", defendeu
As duas medalhas, ouro zonal e bronze continental têm um significado muito especial para o pugilista.

Defendeu que antes, "faltaram oportunidades para competir". O jovem lutador revela que é gratificante saber que são medalhas de que o país precisava, porque mudam a imagem da modalidade. "Particularmente as medalhas que conseguimos agora no campeonato africano, são as primeiras da história da nossa modalidade. Olha, houve 17 países africanos a competir, nós conseguimos ser sétimo classificado na tabela geral, isto é bom , tem um significado muito especial".

REVELAÇÃO
"Fui transferido por
186 bolas de futebol"

A sua primeira paixão não foi a prática do boxe. Apesar de assistir às vezes os treinos do pai, o boxe só surge na sua vida aos 17 anos. Até aí, era o futebol a sua modalidade de eleição.Pedro Gomes conta que a sua mãe queria que estudasse teologia e se tornasse padre. Ainda pequeno começou a praticar futebol no Clube Desportivo do Candal, em Vila Nova de Gaia, de onde se transferiu para o Boavista. Naquela altura, a minha transferência custou 186 bolas de futebol.

 "Participamos nalguns torneios infantis, houve 'olheiros'... Devido ao meu desempenho o Boavista mostrou interesse e pagou as bolas ao Candal.
Joguei nos escalões do Boavista, era extremo, até que um dia me lesionei e parei de jogar. Durante o tempo que não podia jogar, acompanhei o meu pai aos treinos e um dia decidi que devia experimentar o boxe. Então comecei a fazer boxe", revelou.

Pedro Gomes fala da influência do seu pai na sua carreira e diz que foi o seu primeiro treinador e que tem sido um grande impulsionador. "Ele praticamente foi o meu primeiro treinador, hoje não influencia tanto, mas devo muito do que sou no boxe a ele, aliás, é por ele que me quero tornar campeão mundial".