Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Quero ser uma amazona internacionalmente conhecida"

João Francisco On-Line - 15 de Fevereiro, 2013

ARIANE RAQUEL DAVID- A cavaleira sonha com muitos torneios em que vai representar o país

Fotografia: Jornal dos Desportos

O quadro sobre os novos talentos do desporto equestre angolano, particularmente em relação às praticantes femininas, não ficaria completo sem Ariane Raquel David, 15 anos, com mais de dez de experiência em montar cavalos. Ariane Raquel David, à semelhança dos talentos do desporto equestre que estão a surgir em Angola, é frequentadora assídua da Hípica Gimunalu, por enquanto o único centro do género em Luanda, apadrinhada por Desidério Costa , um dos patronos da Fequangola.  A amazona começou a frequentar o centro hípico da Funda em  Setembro de 2012 .

“Eu e mais três alunos (Catarina, Marine e Ricardo) fomos convidados pelo professor Tiago Pombeiro para representar Angola em Dezembro do ano passado numa competição internacional disputada em Santarém (Portugal)”, recordou como o momento mais marcante da sua carreira. “Quando passei para a sela três recebi de prémio a minha égua (Valsa do Paço, 11anos), na altura com 9 anos, que ajudou muito na minha evolução”, revelou. Ariane Raquel David aprecia todas as modalidades do hipismo, mas gosta mais dos obstáculos e espera um dia tornar-se uma verdadeira amazona de competição.

“Desde muito cedo que tenho o bichinho’ dos cavalos, mas só aos 11 anos comecei a praticar hipismo a sério. Comecei por fazer um estágio de Verão em Portugal, na Sociedade Hípica Portuguesa/Jockey, na iniciação, terminando-o na sela 1 (exames que os praticantes de equitação fazem e que, quando chegam à sela 4, já podem competir em provas oficiais”, recordou. “Como vivo permanentemente em Angola, só nos meus períodos de férias é possível dedicar-me à actividade. Em Agosto de 2012 fiz o exame de sela 4, onde passei, e logo a seguir tive a minha primeira competição, onde obtive o 1º lugar”, acrescentou.

O desporto equestre é uma das poucas modalidades em que os praticantes de ambos sexos treinam e competem juntos , sem distinção de categorias. Por isso é que Ariane Raquel David tem sempre a companhia de Alexandre Saluqueni (Alex), Niricía de Fátima (Fatinha) , 12 anos, Ricardo Chimbundi, 13 anos,  Catarina Serra, 13 anos, Mário António (Marito), 17 anos, todos angolanos, e Marine Talatart, 13 anos, de nacionalidade francesa, que são alguns dos novos valores formadas no centro hípico da Funda.


A PALAVRA DO TREINADOR
“Níveis de Angola estão acima da média”


No final dos concursos hípicos, Tiago Pombeiro, 31 anos, o professor que tem orientado a formação dos cavaleiros (praticantes masculinos) e as amazonas (praticantes femininas) há sensivelmente dois anos e meio, tem sempre motivos para se sentir recompensado. “O objectivo destas actividades que realizamos para assinalar efemérides e não só, tem sido mostrar e divulgar o trabalho de captação de talentos da Federação Angolana dos Desportos Equestres (Fequangola), cujo futuro está nas mãos de atletas como Ariane Raquel David e outros que estão sob a minha tutela”, disse.

“O orgulho que sinto é que a cada dia que passa os meus instruendos me impressionam. Fazem as coisas com qualidade e convicção de quem aprendeu e quer evoluir mais. Acho que os francos progressos que registam são indicativos de que estamos no bom caminho”, acrescentou. Na óptica de Tiago Pombeiro, “se a equitação é uma modalidade que exige muito trabalho e dedicação e, já que está a dar os primeiros passos em Angola, queremos que estes sejam dados da melhor maneira possível”.

“Comparativamente a outros países, nós não temos vergonha nenhuma, porque estamos a fazer as coisas bem. Os miúdos estão acima da média e disponíveis para começarem a competir no exterior”, confirmou. Tiago Pombeiro é de opinião que “Angola precisa de mostrar mais uma vez que existe um crescendo de qualidade dos seus praticantes mais jovens, particularmente em Luanda, a cada ano que passa”, concluiu.


CRIAÇÃO DE CAVALOS
O outro lado da modalidade


Os dois estábulos da Fazenda Gimunalu possuem todas as condições exigidos em qualquer parte do Mundo para o tratamento dos animais de competição, que recebem banhos regulares e refeições vitaminadas. Os estábulos albergam os cavalos Alagoa, Lazãozinho, Gildo, Blue, Obelix, Dentinho, Rapioca, Pink, Mickey, Ngola, Bernardo, Chinês, Camadiami e Zambeze, entre outros. As éguas, algumas acompanhadas dos seus mais recentes rebentos (os potros), estão separadas dos machos.  A reprodução de animais de competição está salvaguardada.


PING PONG

Jornal dos Desportos: Além de estar agora no associativismo desportivo o que mais faz?
Ariane Raquel David: Para mim, o hipismo é a arte de montar a cavalo. Esta modalidade desportiva  não passa só pelo andar a cavalo, mas também pelo gostar do animal em si e interagir com o mesmo. É a minha paixão e o meu desporto favorito. Já o pratico há 10 e tenho a certeza que fiz a escolha certa.

JD: Além do hipismo, que outras actividades desenvolve?
ARD: Estudo o 9º ano no Colégio Português de Luanda e pratico natação.

JD: É difícil para as raparigas treinarem com os rapazes?

ARD: Não. De uma forma geral, os rapazes chegam a uma determinada idade e desistem. Há mais raparigas a praticar este desporto do que rapazes. Do meu ponto de vista não há qualquer motivo para haver problemas.

JD: Como são os treinos?
ARD: Depois de aprender a controlar o cavalo, podemos então usufruir das suas capacidades. Fazemos figuras de picadeiro, saltamos (se escolhermos a modalidade de obstáculos), trabalhamos com o cavalo nos seus três andamentos naturais (passo, trote e galope), e trabalhamos com a sua inclinação e equilíbrio.

POR DENTRO


Nome Completo:
Ariane Raquel Fernandes da Costa David
Filiação: Joaquim Duarte da Costa David e Paula Marina de Jesus Fernandes
Namorado: Não tenho
Quantos filhos quer ter: Não pensei nisso
Número de calçado: 38
Prato preferido: Dourada grelhada como batatas e legumes
Bebida: Sumol de ananás
Hobby: Montar a cavalo
Cor: Azul
Cidade: Paris
Sonho: Tornar-me numa amazona internacional de competição na modalidade de obstáculos.