Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Quero um campo de futebol para dar alegria s crianas da Ilha"

Ado de Sousa e Joo Francisco - 28 de Novembro, 2012

Cunha fez uma passagem efmera pelo Basquetebol do CDUA, nos anos 81 e 82, onde notou que nada tinha a ver com o basquetebol

Fotografia: Jos Soares

Zé da Cunha, 52 anos, é daquelas pessoas que “tocou ou toca vários instrumentos no desporto”. Começou a praticar futebol de bairro aos nove anos. Em 1978 ascende à categoria de juniores, na CUCA, tendo ainda representado o Sporting de Luanda, em Campeonatos provinciais nas categorias intermédias, nos anos 79 e 80. Cunha fez uma passagem efémera pelo Basquetebol do CDUA, nos anos 81 e 82, onde notou que nada tinha a ver com o basquetebol, apesar de ostentar 1, 89 metros, o que daria um bom poste, caso tivesse outras qualidades para a modalidade.

Nos anos que se seguiram voltou a tentar a sorte no futebol, desta feita já a título oficial e federado, conseguindo um “furo” na Siderurgia Nacional durante três épocas, tempo que foi suficiente para mostrar e convencer a equipa técnica daquela formação que tinha muito para dar ao futebol.
Infelizmente, já com 27 anos, isto em 1987, contraiu uma lesão muscular, ficando parado durante muito tempo e quando recuperou apenas deu para começar a praticar futebol de bairro e de praia, alternando actuações nas Velhas Guardas da Ilha de Luanda e Velhas Guardas da Marinha de Guerra.
O Homem não ficou por aí e como quis passar a sua experiência às “novas gerações”, enveredou para a carreira de treinador, inicialmente nas velhas guardas do futebol de praia, dando os primeiros passos em 1990, antes de passar para os escalões de formação.

Depois de ter conseguido o seu primeiro objectivo em 2010 ao vencer o Campeonato experimental dos Caçulinhas da Bola com a equipa dos Caçulinhas da Ilha, denominada “Alegria do Povo Ilhéu Futebol Clube” (APIFC), Zé da Cunha clama agora, a quem de direito, por um campo de relva que pode até ser de “relva sintética” para dar continuidade ao trabalho que iniciou. “É muito difícil trabalhar com crianças na areia. Um campo pelado ou mesmo de relva sintética seria a grande solução para esses Caçulinhas da Ilha “, desabafou o técnico, quando abordado pela nossa reportagem. Zé Cunha disse que as dificuldades não se resumem a falta de campos em condições para o aproveitamento do tempo livre dos petizes.

“Os apoios que temos recebido não são suficientes, pedimos encarecidamente em especial aos empresários locais, para maior prestação de apoio aos clubes da Ilha. Temos é que agradecer à Fundação Sagrada Esperança, que teve a amabilidade de apoiar-nos para aquisição do equipamento com que participámos no Campeonato experimental do Girabairro 2010, onde fomos os campeões deste torneio e o povo da ilha regozijou-se com o feito dos seus filhos”, disse. Para o técnico dos Caçulinhas da Ilha os apoios, apesar de não serem o suficiente, como os pontuais que recebe da Endiama, Pastelaria e Padaria Vanan, têm servido para fazer “sobreviver” a equipa.

Em termos de organização de provas para incentivar a massificação da modalidade nos escalões de formação, considerou o “torneio 1 de Junho” um autêntico fiasco. Em contrapartida, elogiou o convénio entre a Refriango e a FAF, que permitiu a realização de um torneio inédito em Angola. A concluir reconheceu o esforço que tem tido a direcção da FAF e o Movimento Espontâneo em manterem viva a chama da realização de torneios denominados “Caçulinhas do Gira-Bairro”, que evolui já para uma competição de índole nacional. 

Outros sonhos
“Posso colocar jogadores nas futuras selecções de jovens de futebol”


Quais são as ambições da equipa Alegria do Povo Ilhéu  para o próximo ano no torneio Girabairro para caçulinhas?
Somos campeões do torneio experimental Girabairro 2010 na categoria dos caçulinhas da bola e por esta razão estamos a preparar-nos para a edição  2013.

Como tem sido esta preparação?
Mesmo na qualidade de campeões, continuamos a viver sérios problemas financeiros por falta de apoios. Os empresários que exploram os espaços na Ilha do Cabo e a própria Administração local não estão interessados em nós e nada fazem para as equipas locais.

O que tem feito para contornar a situação?
Tenho dado o melhor de mim para que os meninos continuem a aprender o “ABC” do futebol sem se aperceberem das dificuldades que vivemos. Mas não os conseguirei segurar despois dos 13 anos, até porque a nossa responsabilidade tem sido mais de formarmos os petizes dos sete anos até àquela idade.

E depois dos 13 anos os miúdos ficam entregues à sua sorte?
 Ficamos a torcer que um outro clube se interesse pelo atleta que formámos. Neste caso, podemos formalizar um “contrato” com este clube e dar outro rumo à carreira do jogador.

Acredita que os seus pupilos têm um futuro brilhante à sua frente?
Sim. Pela qualidade de trabalho de base que temos desenvolvido, estou certo  que os rapazes que completarem 14 anos comigo, se tiverem sorte podem vir a ser estrelas nas futuras selecções nacionais de jovens.

Quais foram os reais motivos da vossa ausência no torneio Supercuia, organizado pela Federação Angolana de Futebol com o patrocínio da Refriango?
Atrasámos na entrega da documentação. Caso a competição volte a ser realizada no próximo ano faremos tudo para estar presentes. Neste particular, de forma pedagógica, tenho ensinado os meninos a acreditarem no sonho de serem campeões.

PERGUNTAS E RESPOSTA
Jornal dos Desportos - O que tem a dizer do treinador dos Palancas Negras?

Zé Cunha - Vamos deixar o seleccionador trabalhar para melhoria da selecção de Angola. Estou em crer que vai haver grande evolução no nosso futebol.

Como avalia a prestação do clube 1º de Agosto no Girabola 2012?
O professor Romeu Filemon tem vindo a dar outra dinâmica à equipa, pelo que vamos aguardar. Pode ser que venha a colher os frutos agora no Girabola de 2013.

O que acha dos processos de renovação de mandatos nas Federações nacionais?
São processos complexos. Há quem defenda que pelo facto destas já terem muito poucas pessoas a trabalhar devia haver listas de consenso, em vez de surgirem várias listas a concorrer. Na minha opinião o facto de existir mais de uma lista a concorrer para as eleições da Federação de Atletismo, Boxe, Andebol e Basquetebol é sinal de que existem mais vontades em querer melhorar o desempenho destas modalidades a nível nacional e internacional.

POR DENTRO
Nome: José António da Cunha
Filiação : João António da Cunha e Isabel João António
Idade: 52 anos
Filhos: 18
Naturalidade: Luanda
Estado Civil: Casado
Calçado: 44
Música: Semba
Filme: Acção
Homossexualidade: Sou contra
Religião: Católica
Ídolo: Messi
Cor: Branco
Hobbie: Cantar
Prato Preferido: Cozinha Variada