Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Quintas promete dignificar voto de confiana da direco

12 de Dezembro, 2012

Treinador do Santos FC gratificado com aposta da direco para comandar a equipa

Fotografia: Jornal dos Desportos

Jornal dos Desportos – O que significa, para si, ficar à frente do Santo na próxima época?
José Luís Borges - Em função da prestação que tivemos no Girabola, em que, depois de muitas turbulências, conseguirmos manter a equipa na I Divisão, a direcção renovou o contrato comigo para mais um ano. Agora, como técnico principal da equipa, só me resta estar satisfeito pela confiança que depositaram em mim e dizer que estou pronto a dar o meu máximo em prol do grupo.

Como técnico principal, as exigências são maiores. Está preparado para o desafio?

Acredito que estou melhor preparado. Faço parte do projecto do Santos FC e o facto de merecer o voto de confiança para liderar a equipa deixa-me muito regozijado e confiante em vencer. Ganhamos experiência que nos permite estar mais preparados para enfrentar o Girabola de cabeça erguida, em busca dos objectivos a que a direcção se propõe para a próxima época.

O plantel do Santos tem uma média de idade “adulta” para as exigências da prova. Como pensa ultrapassar essa debilidade, que pode influenciar na atitude da equipa?
Existe um núcleo de atletas que gostaríamos de manter na prova, mas não acredito que seja possível. Como o mercado de transferências está aberto, vamos às compras, no sentido de colmatarmos algumas carências que podemos encontrar nos mais variados sectores da equipa, para podermos realizar um campeonato tranquilo. Faremos uma miscelânea entre antigos e novos jogadores, mantendo no plantel aqueles atletas que podem ser uma mais-valia para as nossas ambições.

O objectivo para próxima época continua a ser a manutenção?
Estamos numa competição em que existem muitas diferenças entre as equipas, em termos de condições financeiras, e julgamos ser este um dos motivos que obriga cada formação a traçar os seus objectivos, de acordo com a sua realidade. Em função disso, dentro das nossas possibilidades, vamos procurar assegurar a nossa manutenção o mais cedo possível e evitar sofrermos nas últimas jornadas. A nossa equipa tem como meta garantir a permanência na prova o mais cedo possível, para depois lutarmos pelos lugares cimeiros da prova.

A falta de um campo próprio para treino não vai dificultar a consumação desse objectivo, já que o Santos depende da disponibilidade do campo adjacente ao estádio 11 de Novembro e muito distante da cidade?
De facto, é distante, mas olharmos para a qualidade de treino que temos tido naquele recinto, penso que acabamos por ser privilegiados. A nossa grande dificuldade é quando efectuamos sessões bi-diárias, mas isso é um assunto que vai ser ultrapassado em breve, uma vez que o presidente - uma pessoa bastante sacrificada em prol do clube -, tudo está a fazer para melhorar as condições da equipa em todas as vertentes.

MANUTENÇÂO
Técnico aponta trabalho
como a base do sucesso


Como se sentiu ao ser chamado para dirigir a equipa até ao fim do campeonato, quando o Santos estava à beira da despromoção?
Foi a minha segunda época no Girabola como adjunto. Trabalhei com vários técnicos principais, como David Dias, Romeu Filemon e José Luís Borges e, quando a direcção me pediu para assumir a equipa, senti que reunia bagagem para enfrentar qualquer desafio. Sempre acreditei que a minha vez ia chegar, mas não pensei que seria da forma como aconteceu. E como a meu lado estavam grandes homens, como professor Oliveira Gonçalves, Romeu Filemon e os meus auxiliares, que sempre foram muito abertos na forma como trabalharam comigo, as coisas acabaram facilitadas.

Qual foi o segredo para manter a equipa no Girabola, numa fase em que poucos acreditavam na manutenção?

O segredo foi o trabalho. Entramos logo a empatar nos primeiros jogos, diante do Benfica e so ASA, perdemos com o Petro no último minuto do jogo. Pela forma como a equipa se apresentou, a direcção deu-nos o voto de confiança para continuarmos até ao final

ADVERTÊNCIA
Maior acompanhamento
das camadas de formação

Muito se tem falado do futebol nos escalões de formação. Que opinião tem a este respeito?
Tenho acompanhado e noto que precisamos de trabalhar muito nessa vertente. Estamos a falar da renovação da Selecção angolana e acho que já é momento de apostarmos mais seriamente na formação. Há situações que não devem acontecer a este nível, como por exemplo a contundência dos árbitros no ajuizamento dos jogos de formação. Essa é uma fase em que os miúdos devem ter liberdade de mostrar tudo o que sabem para se poder tirar deles as melhores ilações, sob pena de os inibir quando coarctamos a sua liberdade em campo, primando pelo interesse nas vitórias.

E a nível das competições, os modelos actuais vão de encontro aos objectivos que se pretendem?
Devemos realizar mais competições nacionais e internacionais de forma a dotar os jovens de espírito competitivo, o que não acontece com muitos, que só no escalão sénior têm o primeiro contacto internacional. Não é bom para o desenvolvimento do nosso futebol. 

GIRABOLA 2012
“Temos um campeão
com todo o mérito”


O Girabola 2012 foi considerado um dos mais competitivos dos últimos anos, apesar do Recreativo do Libolo ter passeado toda a sua classe sem grande oposição. O que diz a esse respeito?
Acho que foi uma prova bastante disputada do primeiro ao último minuto, porque houve muita entrega da maior parte dos intervenientes. Basta ver que só no topo houve quatro equipas que travaram uma luta acérrima pelo título e nove na cauda que lutaram contra a despromoção. Quando isso acontece, o futebol sai a ganhar. Por isso, bem-haja o futebol angolano rumo ao seu desenvolvimento.

Pelo percurso do campeão nacional na prova, corrobora da opinião que o título está bem entregue e não há qualquer contestação?
 Contra factos não há argumentos, por isso, devo dizer sem rodeios que a melhor equipa da foi o Recreativo do Libolo. Soube disputar o campeonato à sua maneira, fez um campeonato que há muito não se via, com uma única derrota na prova, tudo por culpa dos seus rivais, como o 1º de Agosto, Kabuscorp, Petro e o Interclube, que acabaram por não dar uma boa luta, sobretudo na primeira volta.

Que avaliação faz do futebol angolano dos últimos anos?
Acho que evolui cada vez mais. Mas é necessário mais trabalho por parte dos atletas, a partir da base, para que certas debilidades, que muitos atletas apresentam ainda na fase de seniores, sejam debeladas a tempo. Só assim veremos uma prova com mais qualidade para melhoria deste desporto no país.

A dada altura da prova, sobretudo nos momentos críticos da equipa, notamos que os visitantes por vezes tinham mais assistentes do que vocês. Isso pesou na atitude dos atletas?
Pelo pouco tempo que a equipa tem de Girabola, penso que, nessa vertente, estamos a um nível razoável, mas acredito que, dentro em breve, o Santos estará melhor servido neste capítulo, porque sabemos que este elemento joga um papel muito importante para qualquer equipa. Ao longo da prova, em alguns momentos também senti essa falta, notei nalguns jogos que, ao invés de sermos nós os donos da casa a ser apoiados, acontecia o contrário, mas podemos inverter esse quadro.

Que políticas acha que deviam ser executadas para inverter este quadro?

Este problema não é apenas do Santos, passa-se com muitas equipas do país. Por isso, acho que, em primeiro lugar, devemos melhorar a qualidade do nosso futebol, para recuperarmos a cultura do público em termos de assistência nos estádios. Há alguns anos,