Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Rasca ainda sem futuro defindo

Valódia Kambata - 12 de Outubro, 2010

Rasca sonha com título de campeão e de melhor marcador

Fotografia: José Soares

O Girabola está a findar, qual é o futuro do Rasca no Recreativo do Libolo?
Não sei. Nesse momento, estou em fim de contrato com o Libolo e ainda não renovamos. Para um atleta, é complicado terminar a época e não saber em que equipa vai jogar.

A incerteza da direcção deixa-o muito preocupado?
Claro. Faltam poucas jornadas para o término do Girabola e gostaria de ir de férias já com a minha situação resolvida.
 
A direcção do Recreativo do Libolo ainda não se manifestou?
Já mostraram algum interesse, mas não avançaram para qualquer proposta. O meu maior desejo é continuar nessa equipa, pois encontrei um bom ambiente. Aliás, já mostrei o meu interesse ao senhor Rui Campos e penso que as coisas vão se resolver.

Caso não haja um acordo. Que pensa fazer?
É a vida. Sou profissional. Acredito que, se não chegar a um acordo com o Recreativo do Libolo, vou para um outro clube; já mostrei a todo o mundo que jogo futebol. A vida de um atleta é mesmo assim; temos de estar prontos para situações como esta. 

Já recebeu convites de outros clubes?
Não. Até ao momento, não recebi convite algum de outro clube. Caso venha a acontecer, estarei disponível para analisar e ver se vale a pena ou não. Sou profissional e não tenho medo. Se for o caso, mudarei de clube.

É muito melindroso não saber onde jogar na próxima época?
Para mim, em primeiro lugar está a minha vida profissional. Essa é a verdade e é por tudo isso que ainda não tomei decisão alguma quanto ao meu futuro. Mas se esse futuro passar por permanecer no Libolo, fico sempre feliz, pois continuo a fazer o que gosto. O Recreativo do Libolo é um clube que está a crescer imenso, no qual já fiz muitos amigos, as pessoas tratam-me bem e sinto que gostam de mim.

Que balanço faz da época que está prestes a terminar?
Atendendo a tudo o que aconteceu ao longo da época, a prestação da nossa equipa é positiva. Em termos colectivos, somos uma equipa que sempre deu o máximo dentro do campo para ganhar cada jogo disputado; fomos bastante regulares ao longo da época. O campeonato está bastante competitivo com as equipas a lutarem pelo título, quando faltam três jornadas. O Girabola está muito animado e o balanço é positivo. A nível pessoal, estou satisfeito, pois ajudei a equipa a alcançar os objectivos propostos inicialmente; não tive lesão alguma ao longo da época e estou a lutar para conquistar o troféu de Melhor Marcador.

"Nunca viro a cara à luta"

Como se define como jogador?
Sou um futebolista que nunca viro a cara à luta, mas as minhas principais características passam por jogar bem colectivamente, disponho de velocidade, resistência, boa visão de jogo, rematar bem com os dois pés, ser um bom cabeceador e estar concentrado nos jogos.

Há algum segredo para se ser um bom marcador?
À partida, não há segredo algum; reflecte-se pelo trabalho realizado durante a semana nos treinos. Para um goleador, o importante é marcar, seja com o pé, cabeça ou canela. Mas acima de tudo, passa pela colaboração dos colegas em campo. É importante estar concentrado e ter um pouco de sorte para estar no "sítio certo à hora certa”no dia do jogo e fazer o tão desejado golo.

Qual foi o jogo que mais o marcou? Porquê?
Tive vários jogos que me marcaram. É difícil dizer qual foi o mais importante. Mas devo confessar que no ano corrente muitas coisas boas me têm acontecido. Só o facto de estar a lutar para Melhor marcador e a minha equipa engajada na conquista do Girabola, é algo que vai ficar marcado para sempre.

"Temos uma equipa
com muita qualidade"

Muitos agentes desportivos elogiam o Recreativo do Libolo e acusam-no como uma das melhores equipas do presente Girabola. Um comentário…
É verdade que temos uma equipa com muita qualidade este ano e com bastante experiência. Não há dúvidas em concordar que foi a melhor equipa do presente campeonato.

Liderou a lista dos melhores marcadores do Girabola’2010 até à jornada anterior. Qual é o segredo de marcar tantos golos?
Primeiro, é preciso ter uma boa equipa, pois sem os meus companheiros não conseguiria nada. Depois, é preciso trabalhar muito durante a semana para chegar ao domingo e estar no “sítio certo à hora certa” para fazer o tão desejado golo.

O Rasca está diferente, parece ter recuperado a alegria de jogar. Sente-se mais importante para a equipa agora?
Não. Não estou diferente; estou a fazer as mesmas coisas e não me sinto mais importante. O que se passa é que estou a marcar mais golos, porque a equipa está a jogar para mim. Temos treinado muito para marcar os golos e isso me beneficia.

Houve influência do treinador para que continuasse a marcar os golos…
A minha atitude será sempre a mesma, ainda que falhe cinco golos seguidos: agarrar a bola e marcar. Sempre que parto para a bola, penso que vou marcar. Não fiquei minimamente afectado por ter falhado alguns golos. Também é verdade que o treinador e os meus companheiros me deram confiança para continuar a marcar.

A marcar com esta cadência, o troféu de melhor marcador mexe-lhe a cabeça…
Não tenho nenhuma meta estabelecida. Estou a jogar bem, a marcar golos, mas só me realizo verdadeiramente se a equipa ganhar. Esse é o meu grande objectivo.

Para um avançado, o título de melhor marcador não o incomoda?
Claro que me incomoda. Seria mais lindo se fôssemos campeões nacionais e conseguisse também o título de goleador da prova. Mas, sinceramente, nunca penso nas coisas em termos individuais; o que me passa pela cabeça sempre é ajudar a minha equipa. Quero que os meus golos ajudem o clube a vencer o Girabola; vou tentar marcar em todos os jogos que restam.

"Vou jogar
em Portugal"


Jogou em vários clubes de Luanda. Que diferenças existem comparativamente ao Recreativo do Libolo?
Cada clube que representei tem a sua vivência e as suas características. Por isso, é difícil fazer uma comparação. No Libolo, as coisas correm bem e sem grandes sobressaltos; tem uma estrutura boa e organizada.

Sonha em ser um avançado de referência na Selecção Nacional?
Referência é pedir muito e não sou capaz de pedir tanto. Espero um dia chegar lá e acredito que com as oportunidades certas, isso poderá acontecer.

Muitos comparam-no ao seu irmão, Akwá. Que diz sobre isso?
Entre o estilo do meu irmão e o meuhá, realmente, alguma semelhança, mas isso não me deixa vaidoso nem é motivo de ser comparado com o Akwá. É o Melhor marcador de sempre da Selecção Nacional. Por essa razão, é um orgulho compararem as nossas formas de jogar. Pode haver alguma semelhança em termos de características, porque somos dois jogadores de àrea, o local onde fazemos a diferença. Poderia ter tido outras oportunidades. Paciência! O futebol é assim mesmo. No futeolista português Pauleta também teve sempre uma postura fora do futebol que sempre admirei.

Como descreve a relação com Akwá?
Muito boa. Está sempre comigo e apoia-me em todos os sentidos. Desde que entrei no futebol, sempre me apoiou.

Será que a veia goleadora é de família?
Não diria que é de família. Foi pura coincidência. Sempre gostei de jogar na área e Akwá também.

Mas recebendo conselhos?
Muitos. Sempre que vou jogar, deseja-me boa sorte; liga para mim constantemente para me dar conselhos, o que é normal. É meu irmão mais velho.

Caso venha a ser o melhor marcador a quem dedicará o troféu?
À minha linda filha.

Representou as camadas jovens, em Portugal, mas a sénior não ingressou em clube algum. Por que razão fez "o salto" para Angola?
O salto para Angola foi para tentar mostrar o meu valor. Não havia outra hipótese. Quando não te dão oportunidade num sítio, tem de a procurar noutro. Provei que foi a melhor opção, por tudo o que aconteceu depois. Sei que um dia, vou jogar em Portugal na principal Liga. Deixo as coisas passarem naturalmente.

PERFIL

Nome: Maieco Domingos Henrique António
Nacionalidade: Angolana
Naturalidade: Benguela
Data Nasc. 10.07.1982
Altura: 1,82m
Peso: 75kg