Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Rui Garcia satisfeito com a experincia

Valdia Kambata - 04 de Maio, 2019

Tcnico espera voltar a dirigir uma nova equipa do Girabola nos prximos anos

Fotografia: Jornal dos Desportos

O técnico Rui Garcia revelou, em entrevista ao Jornal dos Desportos, que o facto da sua formação desportiva ser vocacionada para a preparação física, não implica que não esteja capacitado para orientar uma equipa. Com passagens pela Académica do Lobito e Interclube, sente-se regozijado pelos convites e satisfeito com a experiência. 
Descontente e inconformado pela forma como muitos dirigentes e atletas o avaliaram, pois, consideraram-no incapaz de orientar e assumir o comando como treinador principal, defende ter valências para desempenhar tal responsabilidade e minimiza a atitude das pessoas que assim pensam.
" Quando passas de preparador físico para técnico principal, os jogadores observam-te de outra forma. Muitos não sabem diferenciar, que quem tem conhecimentos de trabalho físico, pode ter do ponto de vista táctico. Hoje, as coisas conjugam-se e eu tenho a vantagem de ter os dois cursos\", esclareceu.
  Aponta a sua passagem pela Académica do Lobito e pelo  Interclube, como exemplos, em que admite ter feito bom trabalho, não obstante o 'preconceito' que tomou conta da mente de muita boa gente.
"Felizmente, as coisas correram bem, embora, muitos atletas encarem de uma forma o treinador e de outra o preparador físico. Mas tive boas relações nestes dois clubes e que ainda se mantém até hoje", sublinhou.
Rui Garcia realçou, que no comando dos estudantes teve bons resultados, ainda assim, não foi bem aceite pelos adeptos, ao contrário dos polícias, em que a direcção deixou muito a desejar. 
" É um paradoxo o que aconteceu nos dois clubes, onde trabalhei como técnico principal, apesar da minha dedicação e profissionalismo. Mas, como são clubes com objectivos distintos, assumi o comando em contextos diferentes...", acautelou-se.
Contudo, avançou que o seu empenho foi o mesmo nos dois emblemas. "A minha forma de estar, no  desempenho desta actividade, foi exactamente a mesma que tive na Académica e no Interclube", elucidou.  
"No Lobito, ao que parece, não aceitam bem um técnico que vem de fora. A prova evidente é que estiveram lá treinadores locais e com piores resultados em relação aos meus, nunca tiveram maus tratos como fui alvo", lamentou.
Disse, que como humano e bom profissional "não levo mágoa do público da Académica do Lobito. Tenho consciência que dei um presente à massa associativa, que não acontecia há muito tempo, classificar a equipa na 5º posição, e isso, deixa-me muito feliz", avaliou.
Quanto à passagem pelo Rocha Pinto, a dimensão do clube e as exigências influenciaram no seu trabalho, daí, os resultados não serem o esperado. "Não eram os resultados esperados, mas estávamos no bom caminho, para formatar uma boa equipa e atacar a segunda volta", precisou.
Por último, disse que como bom profissional e ambicioso, " estou consciente que quando as coisas não estão a correr bem, é preciso mudar. Tudo na vida tem ciclos e às vezes tem de se mudar", salientou.

FUTURO
“Vou frequentar um curso de nível três da UEFA”


Rui Garcia assegurou, que depois de treinar duas equipas em Angola, vai regressar a Portugal, onde além de trabalhar em projectos académicos, vai também aproveitar para realizar um curso de Nível III da UEFA.
" Por enquanto, estou focado em alguns projectos desportivos em Portugal, mas é segredo. O que posso adiantar é que vou agora frequentar o curso de III Nível da UEFA", afirmou.
Com o sentimento de dever cumprido, nos dois clubes que orientou, garante estar feliz por regressar à pátria que o viu nascer e poder ajudar numa área em que está formado.
" Neste momento, o sentimento é de felicidade, pois, vim conhecer a terra onde nasci e de certa forma tentei ajudar e dar o meu contributo, numa área em que estou formad", elucidou.
"O meu sonho, desde miúdo, foi o de me formar e ajudar a minha terra. Foi o que fiz e aprendi muito, com aqueles com quem trabalhei. Saio daqui mais rico e sinto que o meu conhecimento do ponto de vista humano e social está mais enriquecido, desde que vim para Angola\", assumiu.
" Sinto, que fiz um bom trabalho no meu país. Logo, estou disposto a continuar a trabalhar aqui. Tenho tido algumas abordagens de formas indirectas, mas vamos ver o que pode acontecer. Neste momento, quero absorver mais conhecimentos para melhorar o treino desportivo\", justificou.
Durante o tempo que trabalhou como técnico principal no Girabola Zap, o técnico luso -angolano garante que conseguiu transmitir o seu conhecimento, mas os resultados foram diferentes.
" Na Académica, às coisas aconteceram de uma forma mais conseguida, pois, estava mais tempo no clube. Os atletas eram de outro nível e tiveram de aprender o meu modelo de jogo", avaliou.
“No Interclube, foi um trabalho progressivo que passava por formatar uma nova equipa, e isso, requer muito tempo, mas no futebol o que não há é tempo. Mas foi com muito orgulho e profissionalismo que representei esses dois clubes," disse.
Quanto a sua posição como adjunto do técnico Bruno Ribeiro, Rui Garcia considera normal, e admite que não atrapalhou a sua estratégia  de trabalho. " Olha essa é uma situação que não gostaria de abordar, pois, toda esta controvérsia mexeu comigo do ponto de vista psicológico, mas as coisas resolveram-se internamente", finalisou.

SAÍDAS DE MOCO E FABRÍCIO
“Não tive qualquer influência”

As saídas de Moco e de Fabrício, do Estádio 22 de Junho, levantaram muitas celeumas e especulações. O treinador fez questão de explicar, o que esteve na base da saída dos dois capitães da equipa dos polícias.
" Eu não tive desentendimento com nenhum atleta. Eles estão aí e podem confirmar.  São jogadores que estavam há muito tempo no clube e tive uma conversa com os dois, antes de saírem", disse. 
Rui Garcia assegurou, que as saídas foram de comum acordo e não teve qualquer influência na decisão dos mesmos. "Acharam, que o melhor para eles era saírem do clube e darem outro rumo às respectivas carreiras", afirmou.
Reiterou que Moco e Fabrício deixaram o clube, por vontade própria e sem qualquer influência sua e descarta arriscar, que havido interferência de terceiros.
"Pois, estavam há muito tempo no Interclube e não ganharam nada. Reafirmo, que não tive qualquer problema com os dois atletas e até hoje, ainda falamos", explicou.