Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Samy Matias est disponvel para continuar

Augusto Panzo - 25 de Novembro, 2014

Quadro tcnico do ASA recebe voto de confiana da direco e pode ser adjunto de Roberto do Carmo na prxima poca

Fotografia: Jos Soares

A manutenção do Atlético Sport Aviação (ASA) no Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, Girabola, competição em que é totalista com o 1º de Agosto, acaba por ser um “grande ganho” para o técnico Samy Matias, que foi chamado de “emergência” para substituir Ernesto Castanheira, em função da má época que a equipa realizava na temporada recém-terminada.
Ou seja, o ASA, à semelhança das últimas três épocas, esteve à beira da descida de divisão. O 13ª lugar alcançado no Girabola é um exemplo da critica situação vivida pelos aviadores, que só conseguiram a manutenção na penúltima jornada do campeonato. Ainda assim, Samy Matias considera ter sido uma “boa experiência” orientar a equipa na condição de técnico principal.
O treinador que orientou a equipa na condição de interino - no próximo ano, o ASA vai ser treinado pelo brasileiro Roberto do Carmo “Robertinho” - realçou que o fraco nível competitivo verificado na segunda etapa do campeonato, deveu-se ao desequilíbrio em alguns sectores do plantel.  
O técnico Samy Matias assumiu o comando do ASA, em substituição de Ernesto Castanheira, numa altura em que os resultados eram desfavoráveis à equipa. Gostou da sua primeira experiência com treinador principal, embora na condição de interino.
Pessoalmente, posso dizer que foi uma experiência boa e com um saldo positivo, porque encontrei a equipa em último lugar com um ponto apenas, à entrada da sexta jornada do Girabola. Acabámos por terminar a prova com 30 pontos em 26 jornadas. Acho que foi um trabalho positivo, porque conseguimos inclusive manter a equipa na Primeira Divisão, que foi o principal triunfo que tivemos.

Quer dizer que valeu a pena ter aceite o convite que lhe foi proporcionado pela direcção do ASA?
Sim. É uma iniciativa válida, motivo pelo qual quero desde já agradecer à direcção do ASA pela oportunidade que me deu e por ter apostado em mim, na condução dessa que foi uma missão espinhosa.

Teve algum ganho com essa experiência? 
Sim, na medida em que consegui devolver a vontade de alguns jogadores de voltarem a jogar. Como sabe, não é fácil entrar num balneário onde tem jogadores com mais de cinco anos de competição, chegar lá conseguir arrumar aquele grupo e fazer uma excelente primeira volta como fizemos.

Mas notou-se depois uma equipa desequilibrada na segunda volta, depois de um bom primeiro turno…
Efectivamente, nós tivemos um grande desequilíbrio em alguns sectores da equipa, onde era notório o desnível, mas graças a Deus, acabámos por aguentar até nos mantermos na Primeira Divisão.

O ASA dispõe de  condições para trabalhar à vontade?
É como tudo. Nós estamos num país do terceiro mundo, onde há altos e baixos. Sabemos de antemão de que ninguém pode dizer que estamos a 100 por cento em condições. Fora o 1º de Agosto que está a fazer um excelente trabalho, na pessoa do seu presidente, o General Carlos Hendrik, a nível de instituições, que é  a primeira condição “sine qua non”,  e o Interclube, acho que ainda não temos nenhum clube em Luanda com as condições totalmente criadas. O ASA tem o que tem, dentro das suas possibilidades financeiras, mas acredito que a direcção está atenta a isso.

A ser assim, o que tem de ser feito para que o ASA volte aos tempos de glória?
Acho que isso passa por uma série de factores, mas não é da minha competência responder  a essa pergunta, em função da própria complexidade. Cabe à direcção essa resposta, pois quando assumiu, traçou metas e projectos.

PLANTEL
“Faltou equilíbrio em alguns sectores”


Depois de um excelente arranque do ASA na era Samy Matias, a equipa descambou a seguir. Faltou-lhe algum apoio por parte da direcção?

Claro. Houve um desnível em termo de plantel, se comparado aos plantéis dos outros clubes. Não havia um equilíbrio dentro dos sectores que constituíram o plantel do ASA, ao contrário do que sucedeu com outros, que mantiveram dois a três jogadores no mesmo nível, à mesma pressão.
Então teve muito trabalho para alinhavar o grupo…

Vou dizer que eu e os meus companheiros da equipa técnica tivemos um trabalho muito intenso, porque começámos primeiro com a recuperação do grupo, para depois fazermos outro, o que nos permitiu conseguirmos fazer os pontos que fizemos.
Dalí para frente foi só manter, porque o nosso Girabola é um campeonato muito longo, em função das 30 jornadas que o compõem.
 
Mas isso influencia tanto?
Muito mesmo, porque no decurso desse campeonato acontecem lesões, doenças que assolam o nosso país, tais como o paludismo e outros impedimentos resultantes de castigos federativos derivados dos cartões. Tivemos casos destes quando fomos jogar ao Dundo e saímos de lá com três baixas, nomeadamente Gomito, Matias e Bodunha. Na outra jornada foi necessário recorrermos a uma dupla nova, que se calhar nem se quer passava-me pela cabeça actuar neste Girabola, que era constituída por Enoque e Sérgio.

E essa dupla deu-se bem?
Sim, deu-se bem e aguentou até uma determinada altura. Mas ainda na sequência do tal desequilíbrio a que já me referi, no decorrer do tempo voltamos a ter outro percalço, porque perdemos o Sérgio, que se ressentiu de uma lesão antiga no joelho direito.

DIFICULDADES
Lesões e doenças
afectaram a equipa


Falou de algumas situações menos boas que se verificaram ao longo da época de 2014. Quer com isso dizer que teve uma empreitada muito difícil para gerir o plantel?
Evidentemente, porque o plantel começou a decair, a seguir ao Sérgio foi a vez de perdermos o lateral esquerdo Simba, por conta de uma lesão. Na tentativa  de encontrar um substituto  recorremos ao Júnior, que depois também teve que parar, devido a uma contusão no tornozelo direito. Como último recurso, tivemos de colmatar a deixa com Enoque, graças à sua polivalência, pois dá-se bem naquela posição.

Quer dizer que usou muito improviso no plantel?
Sem sombra de dúvidas,  o recurso ao improviso foi a solução mais adequada na parte terminal do campeonato, adaptamos  os jogadores de acordo as sua qualidades individuais.

Dados esses percalços todos, podemos deduzir que não teve os apoios de que tanto necessitava?
Digo que tivemos alguns apoios, porque a direcção também não podia dar mais do aquilo que podia, em função das suas limitações financeiras. Sabe-se que teve um orçamento muito diminuto, em comparação ao de alguns clubes mais potenciais, pois o ASA vive de patrocinadores e quanto estes não atribuem os valores por qualquer razão, isso pode causar a desestruturação de um sistema  todo montado.

E qual foi o recurso?
Tivemos de ir  buscar alguns jogadores na segunda volta, mas a adaptação não foi fácil. 

De que jogadores se refere concretamente?
Falo do Cacá, que veio de Cabo Verde,  de Igor e Paulo Zinga, que vieram da República Democrática do Congo. Refiro-me também a Yanick que foi um excelente jogador no ano passado pelo Kabuscorp do Palanca, mas que nesta época não conseguiu adaptar-se  ao ASA.

Treinador elogia nível do campeonato
O Atlético Sport Aviação (ASA), como assegura,  tem nas dificuldades financeiras o grande empecilho para cumprir os seus objectivos. Quer com isso dizer, que no caso dessa situação não ser ultrapassada dificilmente a equipa vai conseguir ombrear com às demais da Primeira Divisão? 

Logicamente, porque os clubes com maiores orçamentos têm objectivos diferentes do ASA,que traçou como meta ficar entre os oito primeiros da tabela. Infelizmente, não conseguiu isso, limitou-se a melhorar a classificação do ano passado em um degrau, com menos um ponto.

Depois dessas vicissitudes por que passou como treinador principal, que avaliação faz do Girabola?
Por mim, acho que devo fazer uma avaliação dos 26 jogos em que actuei como treinador interino do ASA, neste Girabola, que foi bem ganho pelo Recreativo do Libolo, por ter sido a equipa mais regular do campeonato, por aquilo que pude ver e pelas equipas que nele participaram. Tinha um plantel equilibrado. Se calhar o professor Miller Gomes não teve tantas dificuldades quando saísse um jogador por castigo ou por lesão, embora pudesse viver alguma contrariedade no momento de fazer.

Para além do Recreativo do Libolo, quais foram as outras equipas que estiveram bem no Girabola de 2014?

Na minha óptica, o Kabuscorp e o 1º de Agosto estiveram também muito bem no Girabola, sobretudo para a equipa do ex-RI 20, porque o treinador entrou na mesma condição que eu no comando, depois de muitos sobressaltos que viveu até a meio da prova.

Quer com isso dizer, que o Girabola de 2014 foi um sucesso?
Salvo as questões administrativas que se verificaram ao nível da FAF, o Girabola deste ano foi muito bem disputado. Basta ver, até à penúltima jornada, altura em que nós (ASA) fomos a Benguela, precisávamos de um empate, enquanto o 1º de Maio tinha necessidade de uma vitória. Felizmente, a sorte sorriu-nos  porque conseguimos a manutenção, enquanto o 1º de Maio desceu de divisão.

Qual é a sua posição no ASA, depois que a direcção confirmou o brasileiro Roberto do Carmo com treinador para a próxima época?

Bem, tudo que sei até ao momento quando segurei a equipa, primeiro ouvi através da imprensa, concretamente da Rádio Cinco, de que eu ia ser treinador interino por dez dias, mas em função dos trabalhos que ia realizando, cujo saldo foi positivo, conforme bem o disse no início da entrevista, acabei por ganhar um voto de confiança da parte da direcção para continuar até ao final do ano.

Mas quando assumiu de forma interina foi-lhe proposto alguma eventualidade de ser adjunto?
Exactamente. Nessa mesma altura foi-me dito através do presidente do clube de que por qualquer eventualidade, ainda que viesse outro treinador, eu seria o adjunto da equipa técnica. Por mim, por ser filho da casa, achei que seria benéfico, pois nunca rejeitei ser adjunto, porque até isso,  me ajudaria a ganhar mais experiência com relação à competitividade no Girabola.

MANUTENÇÃO NA EQUIPA “AA”
“Estou à espera da direcção”

Terminado que está a época de 2014,  uma vez que a equipa do ASA já tem um novo treinador, qual a posição da direcção em relação ao Samy Matias, dado que as coisas não estão (ainda) esclarecidas?

Neste momento estou à espera que a direcção ou o novo treinador, se for ele a decidir a equipa técnica do próximo ano, que se pronuncie para que então eu possa delinear o meu rumo.

Quer dizer que está disponível a trabalhar com o seu sucessor?
Claro, sem nenhum problema, porque vejamos, sou muito novo ainda, se as pessoas  bem se lembram, em 1998, trabalhei não directamente ligado à equipa técnica do ASA, mas fazia os trabalhos do falecido professor Djalma Cavalcante  e em 1999, a pedido do falecido professor Carlos Alinho assumi directamente a condição de adjunto. Na altura tivemos uma boa época, em que terminámos em quinto lugar, fomos à final da Taça de Angola e nesse ano estive como interino. São experiências boas vividas.

Ainda não respondeu à nossa pergunta…

Em função da vasta experiência que vou adquirindo, não me importa trabalhar como adjunto de Roberto do Carmo “Robertinho”, desde que  seja  seu desejo, uma vez que pelo seu currículo, tem uma larga experiência e seria bom para mim também ganhar mais traquejo ao lado deste treinador. Contudo, isso não depende só de mim.

Se o novo treinador não aceitar trabalhar consigo, está disposto a abraçar outros desafios?
Deixa-me dizer-lhe que existe o meu manager, José Mendes Teixeira, que tem tratado dos meus assuntos, abordou-me sobre a existência de alguns possíveis contactos que ele teve com certos clubes, mas não são nada ainda de concreto, pois ninguém ainda falou comigo. Aliás, o Jornal dos Desportos já teve a oportunidade de  referir-se  a isso, mas o meu objectivo passa em primeiro lugar pelo ASA, visto que sou filho do clube.

CONVICÇÃO
ASA é prioridade


Abdicaria de um bom contrato em função dessa sua ligação ao ASA?
Não, mas a minha primeira opção é o ASA, porque me identifico com o clube, pois foi lá que comecei a praticar o futebol quando tinha oito anos. Fui dos primeiros iniciados da bola do ASA, saí de lá com 25 anos e voltei há alguns anos. Fiz um ano a treinar os iniciados e agora orientei a equipa principal na condição de interino, depois de fazer dois meses à frente da equipa B.     
 
Então não vê como largar o ASA…
 Não é bem isso, porque não vejo razões que me levem a trocar de clube. Posso sair do ASA, mas tem de ser por via de um projecto bom para mim e para o ASA, porque este clube tem uma palavra a dizer.

Como  funcionário do ASA, aceitaria o convite de treinar o escalão júnior?

Sim, porque eu sou funcionário do ASA e nessa qualidade se o clube achar que devo ir para o departamento de futebol para exercer algum cargo, vou porque sou assalariado do ASA.  E assim onde acharem que sou útil, eu estarei disponível para trabalhar.