Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Seleco cubana promete surpreender adversrio

22 de Julho, 2015

Seleco cubana promete surpreender adversrio

Fotografia: Jornal dos Desportos

A Selecção Nacional de Futebol de Cuba de 1977, depois de terem perdido pela diferença mínima, os dois primeiros dos três jogos programados, diante da Selecção angolana, prometeram de maneira alguma decepcionar os seus apoiantes em massa no Estádio da Cidadela.
Sob orientação do treinador Padron,  os futebolistas cubanos horas antes do apito inicial, mostraram-se decididos a tentar uma vitória, ao mesmo tempo, deixarem uma boa impressão do seu futebol, conforme aconteceu ao longo da longa série de jogos realizados no nosso continente.
Por seu turno, os nossos atletas, fortemente estimulados com os êxitos alcançados, alimentaram a justa ambição de concluírem vitoriosos esta Jornada Desportiva que marca o início do intercâmbio futebolístico entre os dois Povos e que  se enquadrava, principalmente, no âmbito da Solidariedade Internacionalista.

VALORES DAS
DUAS FORMAÇÕES

Com um “onze” fisicamente bem preparado, onde constituiu factor fundamental o aspecto individual, a Equipa Nacional de Cuba mostrava indicadores positivos, mas para que achasse o caminho da vitória. Para o efeito, dependia do trabalho de direcção técnica,  correcção das falhas cometidas durante os jogos passados, os quais não permitiram que Nuñez, a alma da equipa cubana e os seus colegas fossem capazes de violar as balizas angolanas.

As falhas foram cometidas na linha média, que em nossa opinião, não foi ainda capaz de servir convenientemente a linha de ataque, onde os brilhantes Pereira, Nuñez, Roldan, Cepero e outro jogam.Quanto aos outros sectores da equipa cubana, nada havia a acrescentar, porque os titulares destas posições, parecem cumprir bem à sua missão.

Quanto à nossa equipa nacional, também deveria chamar alguns elementos novos ao seu xadrez para substituir outros, que acusavam uma baixa de forma total.A direcção técnica do nosso seleccionado, sobre a qual repousavam estas responsabilidades, não deveriam deixar-se embalar pelos resultados conquistados em Luanda e no Lubango, mas sim, procurar ver qual foi o rendimento de cada jogador em campo e outros nos treinos, face aos jogos ainda por disputar.

Houve naquela altura, quer no Estádio da Cidadela, como na Senhora do Monte, jogadores que se apresentaram fatigado e cuja presença em campo, não é de forma alguma aconselhável.Como se anunciava noutro local, a equipa cubana estava totalmente preparada para entrar com todos os seus titulares e ainda assim, dar o máximo para vencer a Selecção Nacional.

PROGRAMA DE VISITA
Cubanos admiraram
belezas naturais da Huíla


Durante a permanência na cidade do Lubango, capital da província da Huíla, as Selecções de futebol de Cuba e de Angola, realizaram uma visita à Serra da Leba, onde se inteiraram da beleza paisagística da região.Enquadrada na Jornada Desportiva para o intercâmbio entre os dois Povos, no âmbito da Solidariedade Internacionalista, os visitantes logo à sua chegada, foram recebidos pelo Comissário provincial, camarada Belarmino Van -Dúnem, membro da Comissão Política provisória, responsáveis militares e civis e assessores cubanos. Como também tiveram vários contactos com os adeptos populares .

Um grupo de pioneiros prestou uma singela homenagem aos atletas de ambas equipas, ofereceram vários ramos de flores, facto propício daquela parcela do território nacional, face ao bom clima existente.Tiveram também um contacto com os trabalhadores da fábrica de refrigerantes “Siral”, onde lhes foi dado a conhecer dos problemas da empresa, os seus sucessos e a determinação dos trabalhadores da mesma empresa em continuar como “Empresa de Vanguarda”. Seguidamente, os trabalhadores da fábrica de refrigerantes  homenagearam os ilustres visitantes com um pequeno convívio.Ainda durante a permanência na capital huílana, realizou-se uma visita à Senhora do Monte, onde tiveram ocasião de poder observar mais uma das muitas belezas naturais que o nosso país possui as quais, aliás, impressionam muito os visitantes.
Realizaram-se, também, várias sessões culturais e recepções.

Homenagem aos Heróis Tombados
Os atletas dos seleccionados Cubano e Angolano, prestaram homenagem aos heróis tombados durante as várias fases da nossa luta, enquanto visitavam a cidade do Lubango.Um facto histórico marcante pela positivana, no âmbito da visita das duas selecções na terra do “Cristo Rei”.A homenagem demonstrou bem, ao contrário das ideias do Imperialismo que a digressão da Selecção Nacional de Cuba ao nosso País o reforço constante e cada vez maior da nossa amizade com o Povo cubano.E é essa amizade que os imperialistas temiam. Temiam porque Angola (na altura socialista) e Cuba, unidos aos outros países Socialistas são capazes de neutralizar qualquer tentativa imperialista para dominação de um povo.

FIGURA
Comissário “Canelas”

A conquista dos 40 anos da Independência Nacional, que se assinala a 11 de Novembro, é um orgulho para todos os angolanos, por isso, o Vice - presidente para o futebol do Grupo Desportivo Interclube, formação com aproximadamente 350 taças conquistadas, José Alexandre Canelas, na sua simplicidade comunicativa abriu as portas da sede do seu clube, no bairro Rocha Pinto, para o Jornal dos Desportos.

Entre perguntas e respostas, tudo à volta dos grandes feitos da “Dipanda” no capítulo desportivo, tal como manda a nossa linha editorial, a equipa de reportagem deste diário desportivo procurou ouvir a grande figura do futebol e do boxe, hoje, Comissário do Ministério do Interior e dirigente desportivo do clube da polícia, agremiação fundado a 28 de Fevereiro de 1976, para emprestar o seu saber quanto à nossa verdadeira história.Aos amigos do desporto, do futebol e em particular do Interclube convidamos para mais uma leitura no quadro de mais uma edição do ANGOLA 40 ANOS.

Já era desportista antes de 1975?
Sim! antes de 1975 era desportista. Recordo-me que o meu interesse pelo desporto teve início na Escola de Futebol do Zangado, depois no Benfica de Luanda, onde eu joguei como médio. Para além do futebol, também pratiquei boxe e logo depois de independência, continuei no desporto. 
Devo ainda dizer, que de 1974 à 75 houve um certo interregno desportivo, devido ao clima que o país estava a viver. Nesse sentido, tínhamos nos bairros a prática massiva  que era feita com muita intensidade na época.

Com a independência sentiu-se realizado enquanto desportista?
Enquanto tiver saúde, vou continuar a trabalhar para que possa deixar a marca no desporto. Por exemplo, cá no Interclube, um clube com sete modalidades, o futebol, basquetebol, andebol, boxe, judo, atletismo e tiro aos pratos, por esse motivo, o clube precisa dar continuidade ao projecto no seu todo, quer a nível do desporto federado, da massificação e da recreação no seio das forças policiais.

Mas prevalece a paixão pelo desporto?

O desporto é uma paixão que está no sangue, deixe-me lembrar-lhe que comecei a praticar desporto desde o bairro até à minha juventude. Dizer também que quando há interregno no desporto sinto-me um pouco aflito devido aquilo que o desporto tem dado de melhor. Estamos presentes na promoção e divulgação da prática desportista, razão pela qual abraçamos o projecto de formação  de futebol. Um total de 531 crianças e adolescentes, em que nal, esperamos  também por atingir os objectivos, isto é justificar os investimentos que o Estado tem feito, desde a formação de quadros, criação de projectos ambiciosos para que possamos, alcançar os países que dominam a África no capítulo desportivo.

É tempo considerável, como é visto no desporto?
Acredito, que os meus companheiros, vêem-me como mais um elemento no xadrez, que vem dar mais um contributo, cada vez mais para o clube e também para a nação. Continuamos a defender que o desporto é uma instituição que congrega todos os seus actores e para isso, é preciso termos a capacidade de união para que possamos ir além fronteiras.

O que mais o marcou ao longo destes anos de independência nacional?
A construção de infra-estruturas, em particular as desportivas, pelo país inteiro, depois de termos as mesmas destruídas fazem parte daquilo que guardo ao longo destes 40 anos de independência. 
O outro facto é o primeiro jogo de amizade, Angola - Cuba e logo a seguir, a organização do Primeiro Campeonato Nacional de Futebol (Girabola) em 1978/79.Incentivando a chegada de figuras importantes que contribuíram para o melhoria do nosso futebol, falo concretamente de Joaquim Dinis e Domingos Inguíla e Laurindo e tantos outros que  ajudarem com o seu saber na pesqueisa e busca de valores.

O desporto tem um momento especial na sua actividade?

Somos um clube com ambições que  pratica sete modalidades e precisamos alcançar os títulos preconizados, isto é, desde o nacional como além fronteiras, E para isso é necessário sermos mais unidos.
 HERMÍNIO FONTES