Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

"Seleco est determinada a fazer o seu melhor"

Textos: Valdia Kambata Fotos: Jos Soares - 03 de Junho, 2010

Alex Fernandes, seleccionador de cadetes

Fotografia: Jornal dos Desportos

Como está a motivação da Selecção Senior Feminina de Angola? Está bem, com boa disposição.As raparigas estão determinadas a dar o seu melhor para conseguir um lugar na equipa, o que para nos é óptimo. Elas estão a corresponder àquilo que queremos. Neste momento, incidimos o trabalho na defesa, pois é importante analisar como as jogadoras defendem à zona.O que acha do grupo em que estamos inseridos?É um grupo difícil.Somos os campeões africanos e os únicos representantes do continente nos Jogos Olímpicos da Juventude. Logo, nenhuma formação tem a intenção de facilitar a nossa vida.O que diz sobre os nosso adversários?O escalão de cadete é de transição.Por isso, as equipas mudam constantemente e a solução é trabalhar, como temos feito, para garantir a passagem à próxima fase.A Argentina,a Alemanha, a Holanda e a Dinamarca estão em constante crescimento. Por isso, não é possível dizer muita coisa, senão que elas são boas. O que a direcção da Federação lhe exigiu para a prova? O nosso principal objectivo é melhorar a classificação ou mantê-la.udo estamos a fazer para que este desiderato se concretize. No campeonato passado, ficamos na oitava posição e penso que temos condições para, pelo menos, manter a mesma classificação.Vão para competir em pé de igualdade com as outras selecções...Vamos sempre para competir, porquanto somos capazes de o fazer com qualquer selecção.Neste campeonato, vamos jogar de acordo com as nossas possibilidades, ou seja, melhorar a classificação e encurtar as diferenças no resultado da edição passada. Conhece as nossas adversárias?Não sabemos o actual estado das outras equipas. Neste momento, temos apenas alguma ideia de como jogam as selecções da Europa, que são muito mais agressivas e jogam com muita velocidade.Esta é a imagem que temos. O escalão de formação é muito diferente dos seniores. Por isso, podemos lutar de igual para igual com todas as selecções. Programa de trabalho está a ser cumprido Fale do programa de treinos?O programa de trabalhos que traçámos para este campeonato tem sido cumprido, na totalidade, embora algumas atletas, por estarem a estudar, ainda não treinam com o colectivo.O grosso treina de tarde e um pequeno grupo de manhã. Treinar em separado não atrapalha o programa?Na verdade, seria bom se todas treinassem juntas e à mesma hora. São situações a que podemos dar a volta, mas, por enquanto, vamos continuar assim, umas de manhã e outras à tarde. É sempre bom ter todos os jogadores reunidos para se fazer um trabalho em conjunto.Pensa fazer toda a preparação em Luanda?Vamos trabalhar em Luanda, até a data da partida para o Campeonato do Mundo. Aqui, em Luanda, vamos fazer jogos de controlo para avaliar os níveis competitivos. "Vamos criar um grupo coeso" Esta equipa é nova. Ela garante fazer um bom Mundial?Este é o grupo das melhores que existem no país.Vamos lutar para fazer com que seja o esteio da das futuras selecções nacionais, pois não adianta ter uma equipa com atletas ganhadoras agora e não fazer parte de futuras selecções.Vamos criar um grupo coeso para alcançarmos os objectivos traçados. Esta selecção é nova e vai participar pela primeira vez num Campeonato do Mundo.O facto de o grupo ser novo não torna difícil conseguir o que pretendem?Realmente, o grupo é novo.Temos apenas uma jogadora que esteve numa selecção.O resto veio da selecção de cadetes e algumas que estiveram no Campeonato do Mundo. Este é um novo ciclo olímpico e é com elas que vamos contar para a revalidação do campeonato africano, embora ela seja mais difícil que a primeira conquistas. Desde que a gente trabalhe, podemos atingir os nossos objectivos. Só o trabalho dirá se valeu a pena termos uma nova equipa. Com que olhos vê o futuro do andebol? Vejo um futuro promissor.Há jovens com muito talento e, se forem bem treinadas e com boas condições de trabalho, poderão jogar ao melhor nível em provas nacionais e, até mesmo, no profissionalismo.Tenho pena que o público não assista aos jogos dos escalões de formação como faz nos de seniores.Acho que seria importante para nós vermos, cada vez mais, pessoas nas bancadas para, desde já, se habituarem ao andebol jogado pelos escalões de formação que não deixam de ser, tal como o de seniores, emocionante. Continuidade depende de apoios Podemos contar com uma selecção de juniores femininos forte, nos próximos tempos?Esta é uma questão para a qual ainda não tenho resposta, pois depende da conjugação de variáveis que não controlamos, tais como a escolas onde as atletas estudam, o tempo disponível para treinar que terão e o número de jogadoras que vai continuar na modalidade. A equipa de juniores só será forte se preencher determinados requisitos e ter apoio.Já se pode falar em continuidade? Temos todos os escalões a trabalhar interligados, com um sistema de jogo igual, mas que, ao mesmo tempo, atende às especificidades e características próprias das atletas, a sua idade para que, com a mudança de escalão e de técnico, elas venham já identificadas com o método de trabalho e não se perca tempo com a acomodação que habitualmente era necessária. Trabalhamos atempadamente e não vemos só objectivos a curto prazo.Tentamos traçar objectivos reais, a médio e longo prazo, planificando todo o trabalho com antecedência.Podemos concluir que o futuro do andebol feminino é preparado com cuidado…Estamos a preparar atletas para o futuro.Por isso, a nossa preparação não fica apenas só para o Campeonato do Mundo, mas também para os próximos compromissos.Estamos a fazer um grande trabalho, daí a grande atenção de todos os que estão nele inseridos.