Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

"Sinto-me valorizado pelo ttulo"

22 de Novembro, 2012

O titular do campeo nacional disse, em entrevista ao Jornal dos Desportos, que a formao de Calulo no precisou e nem precisa de rbitros para ganhar

Fotografia: Nuno Flash

JD – Como foi a sua estreia no Recreativo do Libolo?
LM – Foi uma estreia auspiciosa. A minha ida ao Libolo aconteceu numa altura em que a Académica do Soyo era dirigida pelo técnico Romeu Filemon. Realizámos três jogos com o Recreativo do Libolo, dos quais empatámos um e ganhámos dois, e pela postura que demonstrei, o treinador Zeca Amaral não resistiu e contratou-me. Recebi o convite com agrado, porque foi o culminar de um sonho que almejava, que era de jogar numa das grandes equipas do Girabola.

JD – Foi difícil a sua integração?
LM – Começar é sempre difícil, mas como já trazia alguma experiência do Soyo, onde realizei um total de 60 jogos em duas épocas, aos poucos fui me adaptando ao ambiente e, num amistoso em Portugal, frente ao Guimarães, com quem empatámos a uma bola, comecei a cimentar a titularidade na equipa.

JD – O que representa para si a conquista do campeonato em tão pouco tempo?
LM – Sinto-me muito bem, visto que foi o meu primeiro título no campeonato e também por ter sido o vencedor na Gala da Rádio Cinco, na categoria de Melhor Guarda-redes. Mas devo dizer que não foi fácil, devido à pressão que a dada altura sentimos na prova.

JD – Sofreu apenas 14 golos ao longo do campeonato. Qual foi o segredo?
LM – Tudo isso é o culminar de um trabalho que comecei no Soyo, com o mister Willy, treinador de guarda-redes. Ele era muito exigente, trabalhávamos duas vezes por dia, o que foi difícil. Depois, trabalhei com o mister Dodó, actual treinador de guarda-redes do 1º de Agosto, e os meus conhecimentos foram aprimorados com os ensinamentos do professor Pedro, o português que trabalha no Libolo. Este corrige muito o posicionamento em todos os ângulos, tem me dado ainda material de estudo para as horas de descanso, o que tem sido uma mais-valia para enriquecer os meus conhecimentos.

JD - Que avaliação faz do Girabola recém terminado?
LM – Apesar de termos ganho a prova antecipadamente, com oito pontos de diferença em relação ao segundo classificado (1º de Agosto), considero que foi um campeonato muito competitivo. A dada altura, sentimos alguma pressão dos nossos perseguidores e tudo fizemos para não os termos por perto, porque não seria fácil disputar de forma apertada com o Petro ou o 1º de Agosto, sob pena de perdermos o título. Mas tudo correu bem e hoje voltamos a erguer a taça de campeão.

JD – Como digeriu a derrota com o Santos FC, a única da prova?
LM – Foi um dos momentos difíceis do grupo. Aconteceu num momento em que cantávamos vitória antecipada, dado a nossa força competitiva em relação ao mau momento que o adversário atravessava. Recordo-me que eu mesmo cantava no autocarro que íamos ganhar ao Santos FC, mas, na hora do jogo, fomos surpreendidos com a entrada avassaladora dos santistas que, naquele dia, viviam da inspiração de Zé Kalanga, que presumo se ter vingado do Libolo, e num ápice fez logo dois golos. Ao intervalo, procuramos reagir, mas o terceiro golo foi fatal para as nossas aspirações e acabámos por perder. Foi triste.

ROMÉNIA E FRANÇA
Jogador tem convites de clubes da Europa


JD – Vai continuar na equipa de Calulo?
LM – O meu contrato vai até 2013 e só depois disso caberá à direcção do clube decidir se vai ou não continuar a contar comigo. Se não for esse o desejo da direcção do clube, faremos as contas no final da prova.

JD – É bem pago no clube?
LM – O suficiente para levar uma vida normal, porque foi o que acordamos na altura do contrato. Por isso, não tenho nada que me queixar sobre isso e vou fazendo o meu trabalho com calma e humildade, para o bem da minha carreira.

JD – Chegou a receber convites de outras equipas?
LM – Convites de equipas do país, nunca, mas tenho de duas equipas da Roménia, uma da segunda divisão francesa e outra da Grécia. Vou aguardando para que as coisas corram bem. Aliás, é sonho de qualquer jogador jogar um dia no estrangeiro para adquirir mais experiência, por isso, o tempo dirá.

JD – Quais os seus objectivos para a próxima época?

LM – Este ano sofri 14 golos, por isso, vou trabalhar para sofrer menos, de forma a dar um melhor contributo à equipa, tanto a nível nacional como internacional, pois almejamos chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões e quiçá conquistar uma taça para o país. A nível interno, continuamos a pensar na revalidação do título.

JD – Quer com isso dizer que acredita numa boa participação do Libolo nas competições africanas de 2013?
LM – Acredito, porque estamos mais atentos e, pela experiência que ganhámos neste âmbito, esperamos encarar a competição com mais ousadia, com o objectivo de chegar à fase de grupos.

SELECÇÃO AA
“A minha vez vai chegar”

JD – O que representou a sua chamada para a Selecção Nacional?
LM – Muito. Sempre esperei por essa oportunidade, mas devo dizer que não é a minha primeira vez, já tinha sido chamado na era de Romeu Filemon, onde encontrei o Jotabé e o Neblú. Foi um bom momento, embora não tenha tido grandes oportunidades de mostrar os meus dotes. Agora fui outra vez chamado pelo professor Ferrín e só tenho de dar o meu máximo para ficar no grupo, apesar de reconhecer que não é tarefa fácil, devido à concorrência.

JD – Teme a concorrência de Lamá e Neblú?
LM –
Reconheço que o Lamá é um dos melhores da nossa praça e está em grande forma desportiva. Quando ele começou a jogar, eu assistia aos seus jogos pela televisão, por isso, acho uma grande honra jogar com ele. Já Neblú é da minha geração e está mais ao meu alcance. Apesar disso, não temo ninguém, porque o trabalho é o segredo de tudo e acredito que a minha vez vai chegar.

JD – Que avaliação faz do primeiro jogo de preparação para o CAN 2013 com o Congo Brazzaville?

LM – Foi um bom jogo, que valeu mais para avaliação do que pelo resultado. Mas notei um certo cansaço nos jogadores provenientes do Girabola, por terem terminado a época recentemente, mas em breve acredito que estarão melhor. Sinto-me ainda lisonjeado pelo facto der ter jogado do primeiro ao último minuto e acho que estive bem, apesar de ter sofrido um golo por falta de marcação defensiva.

GIRABOLA 2012
Libolo é justo vencedor

JD – Com que impressão ficou da arbitragem do Girabola?

LM – Nos quatro anos que tenho de Girabola, acho que houve muitas melhorias, apesar de ter escutado muitos clamores de pessoas que diziam que o Libolo pagava aos árbitros, o que não condiz com a verdade, porque todos viram que as nossas vitórias foram fruto de muito trabalho e sacrifício. Ter apenas uma derrota no campeonato é obra que deve ser respeitada.

JD – Alguma vez se sentiu prejudicado pela arbitragem?
LM – Sim, já senti isso, sobretudo quando jogava no Soyo, em 2009. Por incrível que pareça, sofri 15 golos só de penálti, a meu ver inexistentes. Houve ainda situações mais desastrosas em que acabamos prejudicados. Recordo com alguma tristeza o sucedido no jogo com o Interclube, no estádio 22 de Junho, em Luanda. Na marcação de um pontapé de canto, defendi a bola e, quando me preparava para chutá-la, o árbitro apitou penálti e ficamos boquiabertos. Outra situação triste aconteceu com o 1º de Agosto, num lance inofensivo o árbitro assinalou penálti e perdemos o jogo. Enfim, são recordações muito tristes.

JD – O que se deve fazer nesse aspecto?
LM –
Deve haver mais trabalho, mais reciclagens e muita conversa entre eles para que surjam com mais competência nas competições que forem chamados e assim contribuírem de forma positiva para o desenvolvimento do futebol angolano. Com isso, acredito, haverá mais possibilidades de representarem o país no exterior.