Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Sonho com o ttulo de campeo mundial de Andebol para Angola"

Joo Francisco - 16 de Janeiro, 2013

Jernimo Neto ter conquistado, pela terceira vez, o ttulo

Fotografia: Jos Soares

É dos treinadores angolanos que mais títulos africanos conquistou com a selecção nacional feminina de Andebol. Dos 11 que as nossas “meninas de ouro” ostentam, três foram sob o comando de Jerónimo Miguel Neto, 45 anos, ou simplesmente Jojó, como é conhecido. Começou a actividade nos anos 80 como atleta, nos Dínamos de Luanda, onde esteve sete anos a praticar a modalidade dos 7 metros e que difere do futebol pelo facto de fazer tudo com as mãos o que no outro desporto se faz com os pés. Finda a carreira de atleta, Jerónimo Neto, treinou inicialmente a equipa da Refrinor, formação que à semelhança de muitas outras que surgiram após a independência suportadas por empresas nacionais de referência na altura, como era o caso daquela fábrica de refrigerantes.

Em 1997 começa a tomar contacto com a selecção nacional de andebol feminino, inicialmente com o adjunto de Beto Ferreira, outro dos “managers” que escreveu o seu nome em letras de ouro na história, ainda não encerrada, da hegemonia de Angola na modalidade, a nível continental. Coadjuvou igualmente Francisco Roseira.Ainda em1997, ascende ao lugar de treinador principal das nossas “senhoras de ouro”, com a ida do treinador Beto Ferreira para o Brasil para concluir a sua formação académica, tendo já levado, naquela condição, a selecção nacional ao mundial de Estugarda (Alemanha), onde Angola ocupa a décima posição entre dez países. À frente de equipas de Luanda, Jojó foi campeão nacional pelo Atlético Sport Aviação (ASA) em 1999. E levou, pela primeira vez, como treinador principal, a selecção feminina aos Jogos Olímpicos de Sidney (Austrália) em 2000.

Entre 2000 e 2005, vive a sua primeira experiência como treinador angolano no estrangeiro, concretamente em Odivelas (Lisboa), onde começou com iniciados e acabou a treinar os seniores masculinos da mesma agremiação. No seu regresso a Angola, volta a treinar a selecção nacional sénior feminina, levando-a ao Mundial de São Petersburgo (Rússia). E, em 2006, vence o Campeonato Africano disputado em Tunes (Tunísia), do qual ainda tem memória fresca. “Foi uma final muito emocionante, no qual as minhas pupilas tiveram de se empenhar a fundo, acabando por vencer as anfitriãs, a Tunísia, mesmo no seu reduto, por duas bolas de diferença (28-30)”, recorda, como se fosse hoje, o treinador.Um ano depois, obtêm a medalha ouro nos Jogos Pan-Africanos de Argel (Argélia), na mesma altura que obtêm o sétimo lugar no mundial de Paris (França), onde a selecção nacional feminina de Angola obteve o melhor resultado de sempre numa prova do género.  Jerónimo Neto fechou, esperemos que provisoriamente, o seu ciclo vitorioso à frente do combinado angolano em 2008, no Campeonato Africano disputado na Cidadela, em Luanda, numa outra final memorável diante da Costa do Marfim, onde Angola venceu por 12 bolas de diferença (39-27), segundo o próprio treinador Jojó. Um momento de júbilo, longe de se poder imaginar que mais tarde a história ia reservar-lhe o episódio mais triste da sua carreira.

FATALIDADE E RECUPERAÇÃO
O mundo quase parou aos pés do Treinador

Apenas 20 dias depois de Jerónimo Neto ter conquistado, pela terceira vez, o título de campeão africano, a 11 de Novembro de 2008, o treinador sofre uma trombose, cujas mazelas ainda são visíveis hoje, apesar de, desde aquela data até agora, serem igualmente visíveis francos progressos ao longo dos tempos, como ele próprio nos conta: “Ainda tenho de tomar os medicamentos. Mas, não basta isso. Sob aconselhamento médico, vou fazendo regularmente alguns exercícios físicos ao longo da semana (de segunda a sexta-feira), alternando algumas corridas e caminhadas de 1/1h30, que me vão mantendo física e psicologicamente estável ”, explicou.   “Estou a recuperar com muito esforço. Só Deus sabe o que o futuro me reserva”, desabafou ainda.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Jornal dos Desportos:
O que é para si o Andebol?

Jerónimo Neto
: É mais do que um desporto, que para mim tem potencialidade em Angola, para vir um dia a ser campeã do mundo.

Como vê a liderança
da FAAND?

No segundo mandato de Pedro Godinho, sou de opinião que deve continuar a consolidar a obra feita. Acho que Angola tem de organizar mais competições internacionais e continentais, acima de tudo. Já foi muito bom termos convidado o presidente da Confederação Africana de Andebol (CAHB), o beninense Adoph Marsourou Aremou, para assistir à tomada de posse do actual presidente da FAAND para o seu segundo mandato, de 2012 a 2016, em Dezembro último.

Como viu a visita do dirigente africano a Angola?

Foi importante para que Angola começasse a passar já a mensagem de que pode albergar, em 2016, o Campeonato Africano Sénior Masculino de Andebol. Assim, o nosso país antecipou-se em relação a outras propostas que vão chegar à Confederação. E o próprio dirigente africano disse que Angola tem condições e já evidenciou isso em competições anteriores. Isto porque, em 2008, organizámos o Campeonato Africano nas cidades de Luanda, Benguela, Cabinda e Huambo, que mereceu elogios da CAHB e da Federação Internacional de Andebol (IHF).

O Andebol tem tradição em Angola?

Com a estabilidade que o país vive podemos estender a modalidade um pouco por todo o país. O andebol deve ter a mesma dimensão que o futebol e o basquetebol.

Então o que é que falta?

Neste momento, Benguela, Luanda e Cabinda são os principais pólos de desenvolvimento da nossa federação, mas temos de ser mais ambiciosos, se quisermos angariar mais patrocinadores e outros apoios.

POR DENTRO

Nome completo: Jerónimo Miguel Neto
Filiação: Miguel Jerónimo
Neto e Eva Diogo João Baptista
Data e Local de Nascimento: 3 de Novembro de 1967,
no Rangel (Luanda)
Filhos: Três
Altura: 1,72 m
Pesos: 90Kg
Calçado: Nº 43
Cor: Verde
Perfume: Givency
Filmes: Acção
Discoteca: Dispensa
País de sonho: Inglaterra
Prato preferido: Funji de carne seca
Bebida: Sumo
Sonho: Ver um dia Angola campeã do Mundo de Andebol
Religião: Católica