Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Técnico augura futuro risonho

Augusto Panzo - 03 de Fevereiro, 2014

Augusto Manuel Leão acompanhou todos os jogos do campeonato nacional de juniores e elogiou o trabalho feito pelos treinadores

Fotografia: Jornal dos Desportos

Augusto Manuel Leão, treinador-adjunto da Selecção Nacional de Futebol em Sub-20, foi um dos observadores atentos no Campeonato Nacional de Juniores, realizado no Huambo e que consagrou o 1º de Agosto como campeão nacional, destronando o Petro de Luanda. Em entrevista concedida ao Jornal dos Desportos, o técnico admitiu que a prova ultrapassou a expectativa.

O nível competitivo correspondeu à expectativa e a organização soube dignificar a província e dar uma boa imagem aos jovens que ficaram com boa impressão. Do que observou no campeonato nacional, que impressão teve do trabalho nos clubes a nível dos escalões de formação?
Os proveitos foram vários. A partir do que conseguimos observar, constatámos que há muita qualidade de jogadores, mas muitos estão no limite das idades. Contudo, deste lote conseguimos um bom número de atletas que podem dar o seu contributo à Selecção Nacional de futebol no futuro.

A prova correspondeu à expectativa ou esperava algo melhor?

Foi um campeonato bem disputado, no qual a Académica do Lobito foi a grande surpresa ao chegar à final, apesar de beneficiar de um deslize do Recreativo da Caála e do Desportivo da Huíla, que eram as potenciais candidatas a disputar a grande final.

A Académica do Lobito chegou à final por sorte ou por falta de eficácia dos potenciais candidatos?

Houve um pouco de tudo para a Académica do Lobito. Repare que essa equipa chegou aos quartos-de-final a depender de terceiros e eliminou o Recreativo da Caála à tangente nas meias-finais. Ela dependeu de muitos factores, incluindo a sorte. Portanto, quer o 1º de Agosto que se sagrou campeão dessa edição, quer a própria Académica do Lobito que foi a finalista vencida, mereceram atingir até onde puderam.

Quanto ao Petro de Luanda, o campeão destronado, que impressão teve desta equipa?
Para quem acompanhou o campeonato em todos os jogos, não pode sentir-se surpreendido pela oitava posição ocupada pela equipa do Petro de Luanda, até então campeão em título. Isso demonstrou mais uma vez que as equipas participantes não vieram para um passeio turístico, mas sim, para competir. As equipas estavam quase equiparadas em termos competitivos e assim, tudo pode acontecer, como foi o caso deste campeonato.

Podemos concluir que estamos no bom caminho nos escalões de formação?
Sem sombra de dúvidas, o nível competitivo evidenciado pelas equipas demonstrou que os treinadores têm feito um bom trabalho nas camadas de formação.  
 
Quais as equipas que mais o impressionaram?
Prefiro fazer uma avaliação mais abrangente. Não quero particularizar nenhuma delas, pois todas as equipas que participaram neste campeonato estiveram ao mesmo nível.A excepção vai para o Clube Desportivo do Saurimo, que demonstrou estar abaixo das demais, próprio de uma equipa que participa pela primeira vez numa competição do género e que não teve uma competitividade à altura das encomendas.

Alguma equipa em particular mereceu a sua atenção especial?
Na minha óptica, a equipa revelação devia ser o Recreativo da Caála, que veio um pouco abaixo da sua forma desportiva, fruto dos poucos jogos de preparação. Não teve um campeonato à altura, mas durante a prova foi evoluindo jornada após jornada.

NACIONAIS DE JUNIORES
Técnico exalta organização da prova


Os actuais moldes de disputa condizem com a evolução do nosso futebol nestes escalões ou é a alternativa que temos?
A participação de 16 equipas no campeonato já é bastante positiva. Algumas formações de certas províncias não se fizeram presentes nessa competição, fruto das dificuldades que essas regiões vivem. Quanto eu sei, o representante da província da Lunda Norte não conseguiu marcar presença neste campeonato, motivo pelo qual foi substituída à última hora pelo Desportivo do Saurimo. Espero bem que nas próximas edições estejam representadas as 18 províncias. De qualquer forma, temos que louvar a presença de 16 formações neste torneio, porque foi muito bom.

Se a FAF pensasse em criar um campeonato interprovincial de selecções jovens, não era mais rentável para as equipas?  
Acho que isso ultrapassa um pouco aquilo que são as minhas competências e fica-me muito difícil opinar nesse sentido, na medida em que nós, treinadores, limitamo-nos a fazer aquilo que os dirigentes têm como estratégia e como objectivo. Contudo, acredito que a Federação Angolana de Futebol está atenta a esse pormenor e creio que é possível que um dia possamos enveredar por esse caminho.

Em termos organizativos, correspondeu à expectativa?
A organização foi o grande realce deste torneio. O campeonato teve um nível singular e posso afirmar que foi realmente uma prova inédita, em comparação àquilo que foram os outros torneios realizados. Ficou aqui bem patente, não apenas o aspecto desportivo, mas também cultural.

SELECÇÃO SUB-20
“Tirei boas ilações no campeonato”


Depois do que observou no campeonato nacional que impressão tem sobre o futuro da Selecção de Esperanças?
Fiz agora o registo e vou entrar no trabalho da elaboração do relatório, para depois entregá-lo ao Departamento das Selecções da FAF. Acho que no âmbito do trabalho deste departamento é divulgada a pré-selecção de Sub-20 nos próximos dias. Estou em crer que deste lote de jogadores saem alguns para reforçar a selecção de juniores.

Podemos ficar tranquilos que vamos formar uma selecção de Sub-20 forte e competitiva?

Como é do conhecimento geral, a selecção olímpica faz poucos jogos e a nossa intenção é trabalhar com o grupo dos jogadores registados que se encontram no limite da idade, para criar uma base de dados, para que, sempre que tivermos necessidade de convocar o combinado nacional olímpico, sabermos onde encontrá-los.

Alguns desses jogadores estão no limite de idade e face à prolongada e prejudicial paragem que tem acontecido, como pensam contornar?

É óbvio que tudo fica estrangulado quando assim acontece, porque torna-se difícil trabalhar.  Num debate que tivemos na Rádio Huambo, alguém apresentou uma saída para esses jogadores, que é encaminhar alguns deles para as equipas que disputam a Segunda Divisão, onde têm maiores probabilidades de continuar a jogar e estudar-se uma estratégia de mantê-los a trabalhar nos respectivos clubes, com as suas equipas principais, de forma que possam ter continuidade.

TRABALHO PROFUNDO
Faltam reforços nas equipas


Os atletas foram submetidos a uma maratona de jogos com grande intensidade. Até que ponto foi prejudicial para os atletas?
Por aquilo que conheço, isso tem muito a ver com a morfologia de cada jogador. Há uns que recuperam facilmente, enquanto outros fazem com mais dificuldades.
 Ainda assim, acredito que estamos um pouco atrasados, naquilo que diz respeito à recuperação dos jogadores. Temos participado em alguns torneios fora do país, com destaque para a região austral do continente, onde se joga todos os dias.

O facto de jogarem dias consecutivos influenciou no nível competitivo das equipas e da prova?
As equipas técnicas têm que estar completas, que não sejam apenas compostas por treinadores de campo. Devem estar incluídos também os preparadores físicos, nutricionistas, médicos e outros, porque os aspectos clínicos e a recuperação física dos atletas têm que ser feitos em conjunto. 

Isto implica o reforço das equipas técnicas?
O jogador não recupera apenas por causa do tempo de jogos, mas a alimentação, a massagem e outras nuances também fazem parte dessa componente desportiva.
E isso só é feito por técnicos especializados. Neste contexto, não vejo grande empecilho no facto dos jogadores terem disputado partidas seguidas.
Aliás, nessa faixa etária é necessário que o jogador seja submetido a essa intensidade de jogos. Por isso, essa questão não tem muito a ver com o rendimento, nem com a saúde dos atletas. Até porque durante o campeonato houve algumas pausas.

Para evitar reclamações constantes, a par do aumento da equipa técnica que conselho deixa aos seus colegas para este tipo de competição?
É preciso que os treinadores saibam gerir da melhor forma possível os plantéis disponíveis em função dos jogos que realizarem. Não se compreende que um determinado treinador convoque 20 jogadores para disputar um campeonato e insista sempre no mesmo onze.

Os outros nove foram chamados para quê?
É preciso saber gerir o grupo à disposição, para que se dê a todos o mesmo número de jogos e igual tempo de repouso. Temos que estar mais atentos neste aspecto.