Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Temos de andar com os nossos pés

Textos: Avelino Umba - 22 de Setembro, 2010

Jorge de Sousa Sardinha quer rentabilização da sede do clube

Fotografia: Domingos Cadência e Avelino Umba

O que está a ser feito para voltar às épocas de glória?
No programa elaborado consta a reabilitação da sede, cuja reinauguração está aprazada para o próximo dia 25 de Setembro. Demos como prioridade a reabilitação da sede para torná-la funcional, criando as condições administrativas. Posteriormente, atacaremos os problemas do campo que precisa de uma intervenção imediata. Tínhamos um campo no município do Amboim, mas hoje não tem condições para a prática desportiva. É uma propriedade do Estado e já endereçamos uma carta à Administração Municipal do Amboim a solicitar a sua gestão, pois queremos uma cedência de 10 a 20 anos. Pretendemos reabilitá-lo para servir as nossas equipas. E se nos for cedido, criaremos todas as condições de funcionalidade. É nossa intenção batalhar no próximo ano para competir no futebol nacional.

Qual é a razão da escolha do dia 25 de Setembro para a reinauguração da sede?
A 25 de Setembro de 1950 foi inaugurada a Sede da Associação Recreativo do Amboim (ARA). Com o aproximar do fim das obras de reabilitação, decidiu-se reinaugurá-la no dia do aniversário da Associação. 
    
É o ponto mais alto do actual mandato?
Em primeiro lugar, é um orgulho ver o renascimento da ARA. É o cartão de visita da cidade da Gabela. As pessoas que nasceram e cresceram, na Gabela, têm a ARA como referência. Há alguns anos, não conseguia entrar nessa cidade, porque sempre que visse o estado degradante das instalações da ARA, as lágrimas caíam. O cenário comoveu-nos. Por essa razão, procurámos as pessoas amigas para dar vida à ARA. Hoje, é uma realidade.

Que outros passos vão dar?
Junto às instalações da sede, temos um espaço onde pretendemos construir um ginásio, que vise dar aos atletas boa acomodação e rentabilizá-lo, através de um restaurante. Temos de andar com os nossos pés.

A Sede da ara dispõe de compartimentos que podem rentabilizá-los. É vossa pretensão?
Existem dificuldades de espaço, não só na Gabela, como na província, em geral. Por mim, aquela sede devia ser um museu depois da reinauguração. Nesse momento, recebemos pedidos para a realização de festas de casamentos, aniversários, baptizados e outros eventos. Como disse antes, precisamos de rentabilizá-la, pois os potenciais patrocinadores também vão querer reaver as verbas aplicadas na obra. Ainda que não for, precisa-se de verbas para mantê-la em perfeitas condições. A massificação do desporto e da cultura consta das nossas prioridades e vai ser necessário dinheiro.

Quanto orçou a empreitada?
Ainda não estamos em condições de falar sobre os valores consumidos pela empreitada, pois a obra ainda não conheceu o ponto final. Podemos estimá-la na ordem dos 300 mil dólares.

Quem a financiou?
Houve muitos financiadores, dos quais alguns filhos de Amboim. Caso do Rui Santos, da empresa Sistec; Bento Kangamba, presidente o Kabuscorp do Palanca; a Crescente e outras que contribuíram com poucos valores, mas que serviu para juntar o útil ao agradável.

Que empresa se encarregou da obra?
Contactámos algumas empresas, mas pediram-nos valores avultados, aquém dos nossos bolsos. Recorremos a uma pequena empresa de construção civil que procura afirmar-se no mercado e pertencente a mim. Os trabalhadores são filhos do Amboim (a maior parte) e fizeram para que tudo corresse sem sobressaltos.

Atletismo e andebol
são modalidades eleitas

Tem alguns parceiros em vista?
Ainda não estamos bem definidos. Estamos a prever parcerias com equipas de Luanda, principalmente, o Interclube, 1º de Agosto, entre outras. O futebol também faz parte das nossas prioridades, mas apostaremos nas camadas jovens. Tão logo houver razões fortes, os seniores farão parte da nossa grelha de trabalho.

A ARA vai constituir-se em viveiro das equipas de Luanda?
Acredito que sim. Temos talentos em todo o país e os que estão na Gabela se encontram no anonimato. Com o reaparecimento da ARA, vão sobressair-se; sempre tivemos bons jogadores. Vamos participar no Campeonato Provincial de Juniores, talvez em Dezembro e temos de mostrar as qualidades dos nossos jogadores. Só depois, aparecerão os parceiros.

Que disciplinas terão com maior notabilidade?
Gabela é uma região rica e tradicional em atletismo. Antes da independência, tivemos grandes estrelas. Ainda assim, continuamos a tê-lo, pois a Felismina Cavela, actual campeã nacional em 1000 metros, é dessa terra. O atletismo e o andebol são as modalidades desportivas mais conhecidas na Gabela.

Que outros projectos tem em carteira durante o seu mandato?
A construção de uma pensão residencial e um ginásio. Com a conclusão das infra-estruturas, estaremos inclinados mais ao desporto escolar. Queremos levar avante a massificação do desporto, começando pelas escolas. Aliás, a ARA tem um recinto utilizado nas aulas de Educação Física, sobretudo, o voleibol, andebol e outras. 

Quando assumiu o cargo?
Sou presidente da Associação Recreativo do Amboim (ARA) desde Março do corrente ano e eleito para um mandato de quatro anos.

Quantos sócios estão inscritos? E quais os requisitos exigidos?
O número de sócios da ARA cresce todo o tempo. Actualmente, cerca de 400 sócios pagam a quota. Não temos requisitos especiais. Qualquer pessoa pode sê-lo desde que se faça acompanhar da fotocópia do Bilhete de Identidade e duas fotografias. Temos uma quota mínima de 100 kwanzas/mês.

Que apoios recebe do Governo local?
Temos apoios morais da Administração local que nos abre às portas sempre que temos alguma necessidade.

Qual é o orçamento anual da ARA?
Do levantamento feito, o atletismo precisa de cinco milhões de kwanzas no mínimo, enquanto o futebol, 100 mil dólares. São valores estimados. Vamos sentar para analisar tudo.

Muitos clubes queixam-se da qualidade dos recursos humanos. Como está servido a ARA?
Vamos arranjar pessoas profissionais assalariadas para cuidar desta área. É mais uma responsabilidade da direcção e do clube. Vamos procurar alguém que possa ajudar-nos com patrocínio de uma empresa sedeada dentro da cidade da Gabela. Queremos alguém que não reclame de salários e fique tempo integral.

Campo de Ricanga
vai ser arrelvado

O campo municipal da Ricanga, Comissário Nico, está a criar constrangimento à população. O que a direcção do clube pensa fazer para ajudar os transeuntes?
O campo estava mal conservado e conseguimos tirá-lo da letargia. Levantámos o muro, pintámos as bancadas e colocámos novos portões. As pessoas faziam do recinto uma passagem até de viaturas; era um depósito de lixo. Hoje, procuram dar à volta, o que não tem sido fácil, mas estão a habituar-se. Não estamos parados. Vamos colocar a relva para melhor prática do futebol.

O número de espectadores sentados no Ricanga é reduzido. Esse aspecto está acautelado nos trabalhos a efectuar no campo?
O aumento das bancadas é um aspecto que temos de contar com parceria do Governo, particularmente, a Administração local, porquanto a trabalhar sozinhos não vamos conseguir levá-lo avante. Vamos pedir ajudas às estruturas do Estado. O levantamento para o arrelvamento está a ser feito por uma empresa da província do Kwanza-Sul. Gabela chove muito e vamos aplicar uma relva natural, embora reconheçamos que o tapete sintético, em termos de manutenção, tem custos menores. Estamos certos de que a ARA vai utilizar aquele campo (sempre o utilizou), mas não vai fazê-lo sozinha. Na província do Kwanza-Sul, em geral, e Gabela, em particular, há outras equipas que também vão utilizá-lo.

>> Perfil

Nome: Jorge de Sousa Sardinha
Naturalidade: Gabela
Nacionalidade: Angolona
Data de Nascimento: 2/11/ 1966
Estado civil: Casado
Filhos: Sete
Peso: 90 Kgs
Altura: 1,77 cm
Desporto ideal: Futebol
Prato preferido: Funge com ginguinga
Bebidas: Uísque
Tabaco: Quando estou stressado
Princesa: Minha esposa
Perfume: Uso quatro por dia
Cor preferida: Azul
Religião: Católico não praticante
Segue moda? Não
Calor ou cacimbo? Cacimbo
Esplanada ou discoteca? Discoteca
Boleia ou volante: Volante
Droga: Um mal por combater 
Quem levaria para uma Ilha desabitada? Minha esposa