Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Temos potencial para sermos os melhores de frica

Joo Francisco - 01 de Dezembro, 2017

Bruno Casimiro defende mais apoio de patrocinadores

Fotografia: Edies Novembro

O que o moveu para criar a equipa de ciclismo Orped Angola?
Cada vez mais perdemos competitividade e precisamos estar preparados para a desafiante tarefa de representar o ciclismo angolano além fronteiras. As equipas não bem estruturadas tendem a fechar, pois têm dificuldades para atingir objectivos. Os ciclistas mais jovens têm o potencial de gerar um nível de performance muito mais alto e precisam de uma base bem estruturada. Quando uma equipa aceita um desafio elevado, tende a subir a fasquia e a alcançar um desempenho que corresponde ao desafio em questão. Nessa senda, precisava criar algo bem estruturado para servir de motivação aos potenciais patrocinadores, pois precisamos deles para a sobrevivência do ciclismo.

O proprietário da Orped Angola é atleta no activo. Como descreve as três facetas: empresário, atleta e dirigente desportivo?
Na verdade é uma mescla das três facetas. É evidente que nunca se consegue fazer tudo em simultâneo. O tempo é precioso para nos dedicarmos a apenas uma delas. Sempre que posso, dou o meu melhor na que estiver inserido no momento.

Que ciclismo se pretende para Angola?
Sempre sonhei e contínuo com o mesmo sonho: já está mais do que provado que temos enorme potencial para sermos os melhores de África. Pretendemos um ciclismo profissional a todos os níveis.
É detentor de um dos sistemas mais evoluído de cronometragem no ciclismo angolano. Que mais se pode esperar de Bruno Casimiro?
A ideia é conseguir acompanhar a evolução tecnológica, o que, às vezes, se torna complicado devido aos elevados custos de aquisição de meios. Actualmente, as máquinas não funcionam sozinhas. Precisamos cada vez mais de treino e especialistas para as pôr a funcionar. Talvez seja esse o nosso real problema. Vamos fazer tudo para dar sempre brilho aos nossos eventos e criar uma estrutura sólida em que os ciclistas se sintam com vontade de marcar a presença em todos os eventos.

Que avaliação faz do funcionamento da FACI?

Uma Federação é uma organização não-governamental que reúne clubes ou sociedades desportivas, ligas profissionais, jogadores, técnicos, árbitros e demais entidades que pratiquem ou promovam o desenvolvimento de uma modalidade e afins, com a função de representar junto as organizações desportivas nacionais, internacionais e Administração Pública os interesses dos filiados, além de assegurar a participação em competições. É assim que deve funcionar uma federação: representar os interesses dos filiados. Temos de melhorar significativamente nesse sentido.

Os moldes de disputa dos nacionais de ciclismo em Angola são os mais correctos?
Os campeonatos nacionais são disputados em conformidade com os Regulamentos da UCI (União Ciclística Internacional). A participação é regulamentada pelas Federações Nacionais respectivas. Actualmente, o molde adoptado pela FACI prende-se obrigatoriamente aos custos inerentes ao mesmo. Em situação normal, os campeonatos seriam disputados por categorias em dias diferentes. Actualmente, disputam-se todas as categorias num único dia e prova. Enquanto não tivermos números de ciclistas suficientes nas diversas categorias, que justifiquem os investimentos, penso não haver outra hipótese. Actualmente, as provas normais também se adoptam o mesmo sistema.

O que mais o marcou na carreira desportiva?

A minha participação no Tour de Senegal. Fui considerado o ciclista revelação com apenas 17 anos.

Quais foram os melhores momentos como ciclista de eleição no país?
Foram muitos. Os melhores eram a partilha das vitórias na equipa Cimex-Benfica com todos os meus colegas e staff técnico. Estávamos todos os dias na estrada a treinar duro e o sentimento era sempre de missão cumprida, quando vencíamos.

Como se caracteriza fora das pedaladas?
Graças a Deus, tenho uma ligação muito forte com a minha família, no geral, a minha mulher e o meu melhor amigo, por sinal o meu filho. Retribuo sempre e da melhor maneira o tempo que dedicam a cuidar de mim todos os dias. Fora das estradas e das bicicletas, faço tudo que posso por eles.

Como consegue conciliar o ciclismo com actividade profissional e familiar?
Não é fácil requer uma disciplina fora da média, mas com espírito de sacrifício, disciplina e força de vontade, consigo conciliá-las. O difícil é ficar pelo querer, mas faço tudo para nenhuma se sobrepor a outra. Todas fazem de mim uma pessoa melhor.