Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Ttulo surpreende direco do Petro

Melo Clemente - 09 de Junho, 2011

Presidente de direco fala em dias melhores.

Fotografia: Jornal dos Desportos

Apesar da direcção do Atlético Petróleos de Luanda ter apostado no rejuvenescimento da sua equipa de basquetebol, nada apontava que a reconquista do título nacional fosse um facto na temporada recém terminada, confessou o presidente do grémio petrolífero, Pereira Cardoso, em entrevista ao Jornal dos Desportos. Consumada a consagração do 11º título nacional, a direcção dos petrolíferos da capital vai apostar forte na Liga do Clubes Campeões Africanos, depois de terem conquistado pela primeira vez o ceptro, em 2006, ainda sob batuta do técnico angolano, Alberto de Carvalho “Ginguba”.

Jornal dos Desportos - Depois de vários anos de jejum, a sua direcção consegue conquistar o primeiro título a nível dos seniores masculinos?
Pereira Cardoso - É verdade. Desde que assumiu a direcção do Atlético Petróleos de Luanda, era o título que nos faltava. Ganhamos nas outras modalidades, mas no basquetebol apenas o conseguimos fazer esta temporada.

JD - Que análise nos pode fazer sobre a recém conquista da 33ª edição do BAI Basket?
PC - A reconquista do título de basquetebol em seniores masculinos resulta obviamente de um trabalho a longo prazo, como deve saber, nós ficamos durante muito tempo sem ganhar o campeonato nacional daí que, começamos a criar uma equipa que nos desse garantias de regressarmos às vitórias e graças a Deus conseguimos ganhar este ano”.

JD - Valeu apenas a direcção e o corpo técnico terem apostado no rejuvenescimento da equipa?
PC - Sem dúvidas. Quando perdemos o título nacional e outras provas para o 1º de Agosto, a nossa equipa era constituída, digamos assim, por alguns jogadores veteranos. Por isso, decidimos rejuvenescer a nossa equipa, apostamos numa nova equipa técnica e pedimos que eles trabalhassem no sentido de criar uma equipa altamente competitiva.

JD - A direcção chegou a estipular um tempo determinado para que o novo técnico formasse uma equipa altamente competitiva? 
PC - Não houve qualquer tipo de pressão a nível da equipa técnica, aliás, quando se pretende construir uma equipa nova, temos de ter a paciência necessária. Permitimos que saíssem atletas de grande valia porque também não era muito importante na altura tê-los na equipa. A nossa equipa não tinha ainda estrutura que permitisse que outros atletas fossem, de facto, emprestar grande contributo ao Petro.

JD -  Este tipo de política de rejuvenescimento não se limita ao basquetebol?
PC - A política de rejuvenescimento está a ser implementado no clube na sua generalidade. Não estamos a fazer só no basquetebol, mas, em todas aquelas disciplinas que são definidas como prioritárias porque é aí onde está a continuidade do Atlético Petróleos de Luanda na perspectiva de que em todas as competições em que participa é sempre com o objectivo de conquistar o título ou o segundo lugar.

JD - A política de rejuvenescer a equipa de basquetebol foi um projecto concebido pela direcção do clube ou pela equipa técnica liderada por Alberto Babo?
PC - Sempre que contratamos um treinador, damos a possibilidade dele preparar uma equipa para o futuro. Primeiro, porque é apanágio da direcção de que se nós competimos ao mais alto nível, temos de preparar os atletas e esta preparação leva algum tempo. Quando contratamos o professor Alberto Babo, era exactamente para pensar numa equipa nova e não naquilo que já existia no passado”.

JD - A conquista do título nacional surpreendeu-vos de alguma forma, tendo em conta aquilo que foi a prestação da equipa na fase regular?
PC - Em certa medida sim. O Petro compete sempre ao mais auto nível, mas também sabemos reconhecer quando não estamos em condições de o fazer. Repare que nos últimos anos, em função da classificação que fomos obtendo, abdicamos de participar nas competições africanas porque sabíamos que não tínhamos equipa para poder discutir o título. Preferimos preparar uma nova equipa e utilizar os recursos para outros fins. Este ano, criamos as condições para que a nossa equipa fosse mais forte em relação à do ano passado.

“Foi difícil
suster a pressão dos adeptos”

Quando a direcção do clube decidiu apostar na renovação da equipa principal de basquetebol, a massa associativa do clube do Eixo-viário não compreendeu e, de acordo com Pereira Cardoso, não foi fácil suster a pressão dos adeptos que exigiam a todo custo a reconquista do título nacional da “bola ao cesto”. “É sempre difícil lidar com os adeptos porque o desporto tem uma característica.

Ela induz-nos ao entusiasmo e os adeptos são muito exigentes porque o Petro sempre os habitou a lutar pelo título e quando isso não acontece obviamente que nós sentimos algumas reacções menos boas dos nossos adeptos”. Pereira Cardoso afirmou que, para suster a euforia da massa associativa do Atlético Petróleos de Luanda, foi necessário promover encontros periódicos, em que foram detalhados ao pormenor o projecto que a direcção tinha para com a equipa sénior masculina de basquetebol, que este ano arrebatou o seu 11º anel doméstico.      MC

Aposta nos escalões
inferiores vai continuar

A aposta da direcção do clube nos escalões de formações vai continuar a merecer uma atenção especial, porque segundo o nosso interlocutor “só dessa forma podem sustentar a equipa sénior masculina de basquetebol”. “Nós sempre prestamos muita atenção aos escalões de formação. O que acontecia é que não se dava muitas oportunidades aos jogadores que vinham dos escalões inferiores. Hoje, a realidade é completamente diferente, estamos melhor organizados a nível da formação porque os atletas são obrigados a jogador já com a filosofia dos seniores”.          MC   

Liga dos Clubes Campeões
é a próxima meta a alcançar

Depois de ter conquistado a 33ª edição do Campeonato Nacional de seniores masculinos, a direcção do Atlético Petróleos de Luanda está fortemente engajada em regressar à alta-roda do basquetebol africano. Os petrolíferos da capital conquistaram o seu primeiro e único troféu a nível da Liga dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol em seniores, em 2006, ainda sob batuta de Alberto de Carvalho “Ginguba”. Cardoso Pereira, presidente de direcção, almeja conquistar este ano o anel continental pela segunda vez.

“Infelizmente, a nível da Liga dos Clubes Campeões Africanos, só temos um título, que conquistamos em 2006. Portanto, este ano vamos preparar uma equipa bastante forte para tentar ‘roubar’ ao 1º de Agosto o título de campeão africano”, prognosticou.  Questionado se vai reforçar a equipa em função dos novos desafios, Cardoso Pereira afirmou que não há necessidade, visto que o actual plantel está em condições de lutar com os grandes a nível do continente. “Costuma-se dizer que em equipa que ganha não se mexe. Nós vamos manter este grupo, porque entendemos que o actual plantel estará em condições de discutir o título africano.

Portanto, os nossos principais adversários nesta competição serão sem sombra de dúvidas as equipas angolanas, nomeadamente o 1º de Agosto, hexa campeão africano, e o Recreativo do Libolo”, disse. O homem forte do Atlético Petróleos de Luanda não escondeu o desejo de garantir um estágio no exterior do país para a sua equipa a fim de preparar melhor o grupo, tendo em atenção a fase preliminar e final da Liga dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol. “Apesar das limitações financeiras estamos a estudar a possibilidade da equipa fazer um estágio fora do país a fim de prepararmos um grupo forte, que esteja em condições de conquistar o ceptro africano”, afirmou.          Melo Clemente     

Babo recebe
voto de confiança

O técnico português Alberto Babo recebeu o voto de confiança da direcção da formação do Eixo-viário e renovou o seu vínculo laboral por mais duas temporadas. “Quando contratamos uma equipa técnica, temos sempre presente os objectivos para os quais foram contratados. E não há dúvidas de que os objectivos que nós definimos aquando da contratação do treinador foram cumpridos. Pedimos ao professor Babo que, no primeiro ano, a conquista do título não fosse a maior preocupação, mas sim preparar uma equipa que se tornasse altamente competitiva, o que culminou com a consagração do título nacional no terceiro ano.

Portanto, vamos manter o professor Babo por mais dois anos”, assegurou o número da equipa petrolífera. Cardoso Pereira afirmou que o clube preparados para os possíveis assédios aos seus jogadores que este ano arrebataram a 33ª edição do Nacional.“O mercado está aberto, da mesma forma que os atletas do Petro estão a ser assediados pelos outros clubes, obviamente algum bom atleta provavelmente também esteja na mira do nosso clube. Mas, como lhe disse, queremos manter a nossa estrutura”.