Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

"Tivemos uma época positiva"

Avelino Umba - 17 de Novembro, 2012

David Dias pelo que fez está com a possibilidade de continuar entre os sambilas

Fotografia: M.Machangongo

Jornal dos Desportos - Que balanço faz da prestação do Progresso do Sambizanga na época finda?
David Dias - Trabalhámos para os objectivos traçados pela direcção do clube até ao último jogo, mas não conseguimos alcançar a meta estabelecida. São coisas que acontecem no futebol ou em qualquer outra modalidade, pois é objectivo de qualquer equipa fazer o seu melhor em prova, o que nem sempre acontece, por razões de vária ordem. Resta-nos felicitar o grupo de trabalho que, do primeiro até ao último jogo, fez tudo para que as coisas corressem da melhor forma. Apesar de não termos atingido os primeiros cinco lugares e muito menos conquistado a Taça de Angola, considero a nossa época positiva, tanto a nível individual como colectivo. Aproveito para agradecer à direcção do clube, que deu todo o apoio necessário para que nada faltasse à equipa e tudo corresse de forma tranquila e lutássemos de igual para igual com qualquer formação nas duas competições.


JD – Entre o positivo e o negativo, o que mais o marcou ao longo da temporada?
DD - Coisas boas sabemos sempre quais são, enquanto as más são aquelas em que traçamos os planos e eles não acontecem conforme o previsto. Como homem ambicioso que sou, fiquei um pouco frustrado porque não consegui atingir os objectivos que pretendíamos. Nas equipas onde trabalhei, procurei sempre dar o meu máximo para que as coisas acontecessem da melhor forma possível. No Progresso, não foi diferente, dei tudo de mim para o bem do clube. Os jogadores e a direcção do clube contribuíram bastante para que as coisas corressem bem. A nossa equipa técnica, da qual sou o responsável máximo, é muito jovem e bastante unida. Infelizmente, levamos o negativo como experiência e lição para o próximo ano. O positivo foi o desempenho de todos numa só causa.


JD – O objectivo traçado pela direcção do clube no Girabola era ficar entre os primeiros cinco lugares e na Taça de Angola a conquista do troféu, dois propósitos que não conseguiram alcançar. O que esteve na base do fracasso?
DD - Faltou marcarmos golos para ganharmos os jogos e conquistarmos o maior número de pontos possível. Perdemos partidas que não estavam nos nossos planos, comprometendo os nossos objectivos. São situações do futebol, dos quais nenhuma equipa está isenta.


JD- Ainda assim, sente que a equipa cumpriu, embora pudesse fazer melhor?
JD - Apesar de me sentir mal, estou consciente que procurámos fazer o melhor, mas o barco não pára por aqui. Antes de terminar a época, em conversa com a minha mãe, disse-lhe que tudo estava nas nossas mãos, mas depois as coisas inverteram-se, sobretudo na Taça de Angola. São coisas de futebol, às vezes traçamos planos e não conseguimos cumprir. Não serei a única pessoa que programa uma época e as coisas não acontecem como previa. Acho que quem viu o Progresso jogar nesta época conseguiu tirar as suas ilações em relação às épocas passadas.


JD – Pelas suas palavras, depreende-se que, apesar de não conseguir alcançar qualquer dos objectivos traçados, a época não foi má de todo.
DD - Há pessoas satisfeitas com o desempenho que o grupo teve esta época, embora não tenhamos alcançado os objectivos. Não alcançamos a classificação mais desejada, mas tivemos um bom trabalho, pois temos uma equipa muito jovem, da qual saiu o melhor marcador do Girabola. Um jogador que era anónimo e hoje é já uma referência na equipa e o seu nome começa já a ser badalado a nível nacional e internacional, aliado à sua convocatória para a Selecção Nacional, o que é muito bom para o Progresso.


JD - Acredita ter levado alguma mais-valia para o Progresso?
DD - Sem dúvida. Faço parte do projecto do presidente do Progresso, o Dr. Paixão Júnior. Temos directores, chefes de departamento e outros responsáveis que têm trabalhado de forma incansável. Eu encaixo-me neste grupo de trabalho, pois trabalhamos com o mesmo intuito e tudo que de bom aconteceu esta época também tem a minha contribuição, aliás, a maior responsabilidade no plantel foi minha, enquanto chefe da equipa técnica.


SAMBIZANGA
“Temos excelente
relação de trabalho”


JD – O Progresso, este ano, esteve melhor que nas temporadas anteriores?
DD - Apesar de ser a minha primeira época na equipa do Progresso do Sambizanga, acho que esta época foi uma das melhores que o Progresso teve, razão pela qual os adeptos devem dar um pouco do seu carinho aos nossos jogadores, pois chegamos onde chegamos com ajuda de todos e com muito trabalho. 

JD – Que garantias dá à massa associativa do Progresso para o próximo ano?
DD - Na próxima época, os adeptos devem valorizar primeiro o trabalho que foi feito em 2012. Tem de se dar o voto de confiança às pessoas para ver o que estão a fazer e o que vão fazer para devolver a mística do clube e acredito que, com apoio de todos, vamos cumprir esse objectivo.

JD – Qual tem sido a relação entre os atletas, técnicos e a direcção?
DD - Não tenho razões de queixa da direcção do clube. O facto de receber voto de confiança dos dirigentes demonstra tudo. Não tenho notado qualquer coisa de anormal em relação à equipa técnica. Falamos normalmente com as pessoas ligadas à direcção e, que eu saiba, nunca foi posta em causa a minha continuidade. Quanto aos jogadores, trabalhamos normalmente e formamos um grupo unido. Há os descontentes e isso é normal em qualquer plantel. Mas, na verdade, há que se dar lugar àqueles que mais se engajam nos trabalhos de preparação e o futebol é mesmo assim.

 

VOTO DE CONFIANÇA
Presidente aposta na continuidade

JD – Apesar de não alcançar nenhum dos objectivos traçados pela direcção, pelas suas palavras depreende-se que a sua continuidade no Sambizanga é um facto?
DD - A minha permanência no clube está praticamente definida. Falta apenas sentarmos e colocarmos o preto no branco. Vamos preparar a época, pois o presidente já mostrou interesse na minha continuidade no clube e isso deixa-me feliz, porque vou dar continuidade ao meu trabalho. Temos vindo a ter conversas confortáveis com a direcção do clube, que me deixam bastante satisfeito.

JD – O Progresso é um clube equipa com uma massa associativa muito exigente. Sente-se bem com isso?
DD - Muito bem e nesse aspecto não tenho razões de queixa. Sou bem tratado pelas pessoas e quando as coisas correm bem, acredito que trabalhámos com outra disposição e motivação. Tenho plena certeza que o Progresso tem condições para chegar mais longe.

JD – A reacção da massa associativa após as derrotas não o preocupa?
DD - Isso é como tudo, ninguém gosta de perder. Os adeptos do Progresso são de facto bastante exigentes, porque o único resultado que lhes interessa é a vitória. Gostaria de ganhar todos os jogos, mas há aquelas partidas em que as coisas não correm como queremos. Essa é a parte que os nossos adeptos precisam de compreender. Mas temos sabido controlar as emoções dos nossos adeptos.


Direcção investe na prata da casa

JD – Caso se confirme a sua continuidade no comando do Progresso, como pensa reforçar a equipa para a próxima época? Por outra, não acha que a direcção já se devia ter pronunciado sobre o seu futuro para preparar a próxima época?
DA - Acredito que até ao final desta semana, as coisas vão estar definidas em termos de movimentações de jogadores, isto é, dispensas e contratações. Das conversas preliminares que tivemos com a direcção, a aposta na próxima época vai incidir na formação. Acredito que este ano a direcção e equipa técnica vão apostar na prata da casa.

JD – Esses jogadores garantem confiança para os objectivos que perseguem na próxima época?

DD - Quando fui contratado pelo senhor Paixão Júnior, um dos objectivos era apostar nas camadas jovens do clube e em alguns atletas anónimos espalhados pelo país. Acredito que vamos manter essa política, porque o clube tem muito bons atletas que precisam de uma oportunidade. Na semana passada, o presidente reuniu-se com alguns jogadores das camadas jovens e garantiu-lhes que vai continuar com este projecto.

JD – As recentes chamadas de Yano e Ito pelo seleccionador Gustavo Ferrín reforçaram ainda mais os objectivos traçados pela direcção do Progresso?
DD - O presidente Paixão Júnior ficou bastante comovido com as chamadas do Yano e Ito à Selecção Nacional, apesar do último, não fazer parte dos 15 que seguiram para Portugal para o jogo com o Congo Brazaville, mas só o facto de terem sido convocados foi muito bom. No encontro, disse-lhes que estava a contar com eles para a próxima temporada, uma mensagem que serviu de incentivo para todos eles.

JD – Pelo podemos depreender, o Progresso para próxima época não vai às compras?
DD - A matéria-prima está toda aqui, porque não aproveitá-la? Cabe a mim, como treinador, trabalhar os mesmos para que o Progresso, amanhã, saia vencedor.

JD - Como é gerir um plantel com 35 jogadores?
DD - Não é fácil estar à frente de 35 atletas e depois termos de afastar alguns e por vezes muitos deles com valor, mas, como temos limitações, somos obrigados a sacrificar alguns deles, não temos outra alternativa.


GIRABOLA 2013

“Sempre acreditei na manutenção”

JD - A meio do campeonato, não temeu uma descida de divisão?

DD - Talvez os adeptos, mas eu não. Sempre acreditei na manutenção, aliás, estávamos numa posição que me tranquilizava. Pelo trabalho que estávamos a desenvolver, em momento algum me passos pela cabeça que fôssemos despromovidos. 

JD – Depois da pressão por que passaram na época finda, que Progresso teremos em 2013?
JD - Acho que quem está de fora pode fazer a avaliação daquilo que somos capazes. Acredito que, no próximo ano, vamos lutar muito para melhorar em muitos aspectos, uma vez que todas as equipas trabalham dessa forma, embora muitas vezes aquilo que traçamos nem sempre é o que acontece. A tendência é sempre melhorar e, ao sermos indicados para mais uma missão, temos de dar o máximo para satisfazer os desejos de quem confiou em nós.


TAÇA DE ANGOLA
Faltou sorte
frente ao Petro


JD – A conquista da Taça de Angola foi uma das apostas da direcção do clube, o que esteve na base do fracasso?
DD - Estávamos esperançados e confiantes que venceríamos a Taça de Angola. Em nenhum momento nos passou pela cabeça que perdêssemos o jogo frente ao Petro de Luanda e, quando aconteceu, foi muito difícil digerirmos, apesar de sabermos antes que não seria um jogo difícil. O que esteve mal foi não termos concretizado as oportunidades criadas.

JD - Apesar de terem sido eliminados pelo Petro de Luanda nas meias-finais da Taça de Angola, considera que a equipa teve boa campanha nesta competição?

DD - Sim. O Progresso há muito que não atingia as meias-finais da Taça de Angola. O grupo estava motivado, pois, se passássemos pelo Petro de Luanda, a Taça ia para o Sambizanga, o que não aconteceu por falta de sorte.


JD – Tem o sentimento do dever cumprido na segunda maior prova futebolística nacional, aquela que seria a salvação da época? 

DD - Faltou um pouco de sorte do nosso lado, pois os jogadores estavam motivados para vencer o jogo. Aproveito para agradecer a todo o pessoal do clube, desde o roupeiro, cozinheira, lavadeiras a todos que, de forma directa ou indirecta, deram o máximo de si para que fizéssemos uma época tranquila.

PERFIL


Nome: David dos Santos Dias 
Data de Nascimento: 13.11.1969
Naturalidade:  Luanda - Sambizanga
Nacionalidade: Angolana
Estado Civil: Casado
Filhos: Cinco
Bebidas: Vinho
Princesa encantada: Minha mãe
Prato predilecto: Funji de carne seca
Cor preferida: Azul
Estação: Das chuvas
Droga: Contra
País: Angola
Província: Malanje