Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Um exemplo de amor ao desporto angolano

Joo Francisco - On-line - 22 de Maio, 2013

Ana Lemos Machado, tcnica-adjunta da seleco sub-16

Fotografia: Jornal dos Desportos

Antiga basquetebolista da Nocal e do Interclube, Ana Lemos Machado, 36 anos, é chamada desde 2011 pela Federação Angolana de basquetebol para secundar colegas seus, sempre que se convocam as selecções nacionais femininas de sub-16.

À semelhança do que aconteceu há dois, Ana Machado está concentrada na Cidadela, em Luanda, com mais um grupo de sub-16, em estágio pré-competitivo com vista ao Campeonato Africano de 2013, a realizar-se na Namíbia, na segunda quinzena de Julho.

A eterna adjunta Ana Machado começou a praticar basquetebol incentivada por uma tia, estreando-se no Grupo Desportivo da Nocal em 1990, clube em que permaneceu até 2001.

Depois, ingressou no Interclube de Angola, onde terminou a carreira como jogadora em 2007 e passou a exercer a função de treinadora em 2008.No GD Nocal, Ana Machado perdeu a conta das vezes em que foi campeã. No Interclube, recorda-se de ter sido campeã apenas uma vez, na época 2006/07.

Em 2011, Ana Machado foi chamada pela Federação Angolana de Basquetebol (FAB) para fazer parte da equipa técnica da selecção nacional feminina sub-16, como adjunta da treinadora Elisa Pires, tendo naquele mesmo ano conseguido a medalha de bronze no Campeonato Africano da categoria.

A história repetiu-se em 2012, nos jogos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), desta feita como treinadora principal, voltando a ocupar a terceira posição.

Ainda em 2012, voltou a ser adjunta de Elisa Pires na selecção feminina de sub-20, nos Jogos da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral (SADC), onde Angola obteve a medalha de ouro.

MOTIVAÇÃO
Transmitir experiência
às novas gerações


aUma das motivações que Ana Machado sente como treinadora é o facto de poder transmitir a sua experiência no basquetebol para as novas gerações de praticantes.

“É preciso mostrar às nossas meninas que, para se ascender aos escalões de seniores e representar os clubes fortes, é necessário muito trabalho e esforço”, frisou a treinadora, que depois de cada treino, partilha as refeições e alojamento com as atletas da pré-selecção nacional no mesmo recinto onde estão concentradas para o compromisso que se avizinha.

Para Ana Machado, em termos técnicos, as suas pupilas têm mais dificuldades nos passes e na mecânica dos lançamentos. Como ponto forte, aponta a média de altura, rondando os 1,84m das jogadoras.

“Noto todos os dias uma força de vontade muito grande em aprender e por parte das jogadoras, o que nos anima sobremaneira”, reconheceu.

 MOMENTOS
Participação no Africano
de Clubes no Senegal


Como praticante, Ana Machado guarda com bastante satisfação lembranças da sua primeira participação no Campeonato Africano a nível de Clubes, no Senegal, em 1997.

Não menos memoráveis foram as eliminatórias daquela mesma competição com uma equipa senegalesa, em que a primeira mão teve lugar em Dakar, e a segunda no CODEM, em Luanda, onde ela contribuiu sobremaneira para a vitória da sua equipa.

A chamada para trabalhar na selecção sub-16, em 2011, também a marcaram muito na carreira de treinadora, que abraça com muito orgulho até agora.

PING PONG
Os ganhos do Mundial
de hóquei em patins


Angola organiza este ano o 41º Campeonato Mundial de hóquei em patins entre 20 e 28 de Setembro. Qual será o seu contributo?
Vou torcer pala nossa selecção ao longo do tempo que decorrer a competição. Vou acompanhar os jogos pela televisão e, se possível, irei ao campo ver o espectáculo ao vivo.

Qual é para si a importância deste evento?
Em primeiro lugar, pode incentivar os jovens a praticar e ganhar o gosto pela modalidade de hóquei em patins. Além disso, vai promover o nome de Angola.

Angola pode vencer o Mundial de hóquei em patins?
Sinceramente, não. Mas podemos lutar para ir ganhando mais jogos e subir de forma paulatina.

Quais são as nossas possibilidades?
Neste Mundial, Angola vai lutar para melhorar o sétimo lugar alcançado no último campeonato e, se possível, ficar entre os três primeiros classificados.

Acha que o País está à altura para responder às exigências de um evento desta envergadura?
Sim. Estão em construção infra-estruturas desportivas, novos hotéis para responder à demanda, tanto em Luanda como no Namibe, que são as duas capitais eleitas para o evento. Sou de opinião que em Angola já deveríamos ter vilas olímpicas multiuso, com recintos para modalidades, campos de futebol, etc. Temos províncias com condições climáticas iguais a muitas capitais europeias e, acima de tudo, muito espaço virgem que podemos aproveitar para este e outros campeonatos mundiais que Angola vier a assumir.

POR DENTRO

Nome Completo: Ana Lemos Mendes Machado.

Filiação: João Sebastião Mendes e de Maria Lemos Pedro.

Local e Data de nascimento: Malange, a 18 de Outubro de 1976.

Estado civil: Solteira. Vou casar em 2014.

Filhos: Três.

Altura: 1,76m.

Peso: 80 kg.

Calçado: 42.

Prato preferido: feijoada.

Bebida: Sumo de manga.

Tempos livres: Leitura e estar à beira-mar para apreciar e brincar na areia. Estou neste momento a ler o livro “Ser treinador”.

Cidade: Em Angola, o Huambo, no exterior, Vale do Lobo (Algarve).

País: Angola.

Ídolo: O meu pai.

Clube do coração: 1º de Agosto.

Já alguma vez mentiu? Acho que sim.