Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Um exemplo de iniciativa desportiva

Joo Francisco - 12 de Dezembro, 2012

Administrao Comunal do Bairro Neves Bendinha, uma sede para a sua escola de xadrez, a Macovi

Fotografia: Jornal dos Desportos

Marceliano Correia Victor afirma-se orgulhoso por ter conseguido, com o apoio da Administração Comunal do Bairro Neves Bendinha, uma sede para a sua escola de xadrez, a Macovi. A sede da Macovi, sita no interior do Parque Augusto Ngangula, por detrás da rua da Mavinga de baixo, constitui o reconhecimento pelo trabalho realizado em prol do desporto, referiu Mister Mbeco. “A história da Macovi, que emerge das inicias do nome Marceliano (MA) Correia (CO) Victor (VI), começou há cerca de 13 anos, na modesta residência 167/69 de Maria Correia Victor, outra MACOVI, mais conhecida como avô São, minha mãe, já falecida, pelo que também é uma homenagem a ela”, contou o fundador da Escola.

Desde 2010 na sua sede própria, a Macovi organiza anualmente um torneio de futebol de salão, que este ano movimentou 600 praticantes, em representação de 20 equipas de vários bairros da capital, cuja final decorreu no “Parque dos Campeões”, defronte à Igreja de Sant’Ana. A prova deste ano teve como convidado especial o Secretário de Estado para a Juventude, Nhanga de Assunção, que fez a entrega do troféu à equipa vencedora. “O campeão deste ano do torneio de futebol de salão, organizado por nós, foi o Atirados FC, que venceu na final o Amaral FC, por 2-1, num jogo equilibrado, disputado no campo Polivalente do Parque dos Campeões. Ambas equipas são do Bairro Neves Bendinha”, frisou. No terceiro lugar do torneio, classificou-se a Sabedoria do Golfe, que venceu o Estrela SC por 3-1. O melhor marcador foi Ortega da Sabedoria do Golfe. Demarka, dos “Atirados FC, notabilizou-se como melhor jogador. Manuel Buston foi o melhor árbitro e a equipa “fair play” foi a Banda Fixe. Marceliano Correia Victor afirma que desporto lhe “está no sangue”. “Estou sempre disposto a fazer tudo no desporto”, frisou.

Antigo dirigente
apoia o projecto

Marceliamo Correia Victor revelou que a Escola Macovi tem como patrocinador oficial a Saigáz e a Redegás, ambas do grupo empresarial Tecnosistems, que atribui uma verba mensal para as despesas administrativas da organização. O fundador da Macovi refere que esse apoio resulta de um compromisso assumido pelo empresário Fernando Coelho, ex-presidente da Federação Angolana de Xadrez (FAX), que, mesmo não fazendo parte do órgão reitor da modalidade que é o cartão-de-visita da Escola, continua a acreditar no projecto.

Outros apoios pontuais, como aqueles que estiveram na origem da representação de Angola nos campeonatos africanos de xadrez por idades, disputados este ano em Pretória, vieram do Ministério da Juventude e Desportos. A nível do ciclismo, a MACOVI tem tido apoio da Federação da modalidade (FACI), da empresa DOM-PAKASA, vocacionada para a construção de cozinhas e outros empreendimentos ligados à construção civil, e da empresa imobiliária Monte Kamel. “Podemos ainda destacar o apoio do ministro da Juventude e Desporto, Gonçalves Muandumba, da Direcção Nacional dos Desportos, da Administração Comunal do Neves Bendinha e da Embaixada da Alemanha, com quem temos levado a cabo um projecto de massificação do futebol feminino”, disse. “Os munícipes, em particular os do Municipio do Kilamba Kiaxi, têm-nos dado muita força e apoio moral”, concluiu.

MOMENTOS
Nem tudo tem sido um mar de rosas

Nem tudo tem sido um “mar de rosas” para a Macovi, que teve alguns momentos tristes, como o desaparecimento físico da mãe do seu fundador, em 2010. Em 2011, recebeu com muita tristeza o falecimento do seu antigo xadrezista António Sousa, que deixou o mundo dos vivos muito jovem, devido a um acidente de viação. Mister M’beco manifestou também o seu descontentamento com a saída em bloco das suas melhores xadrezistas para o Grupo Desportivo da EPAL, em 2009, sem que até agora a agremiação afecta à empresa das águas de Luanda tenha compensado a Macovi, que esteve na origem da formação das jogadoras. “As xadrezistas Valquiria Rocha, Sonia Rosalina, Engrácia de Oliveira e Nelma Lopes foram cedidas ao Progresso Associação Sambizanga, ao abrigo de um acordo com a Macovi, e depois o GD EPAL cobiçou-as, sem nos comunicar ou pedir a nossa anuência e nem sequer nos deram um jogo de xadrez, o que achamos incorrecto”, afirmou. Os momentos felizes para Macovi resumem-se ao momento em que foi agraciada com a sua sede e o facto dos projectos que a Escola desenvolve nas mais variadas modalidades redundarem em sucesso.

Corpo directivo
A escola Macovi tem 16 membros, eleitos recentemente para mais um mandato de quatro anos ( 2012-2016). A direcção é encabeçada pelo Presidente Marceliano Correia Victor, que tem como vice-presidentes Napanda Chilonga (desporto feminino), Marcelino Silva (administração) António Neto (área técnica) e José João, secretário-geral. Ao nível do xadrez, reúne 500 atletas em Luanda e tem ainda  os núcleos do Golfe, Capalanca em Viana, Círculo de Interesse  “Avô São”,  bem como a Escola Macovi do Neves Bendinha. Está ainda implantada nas províncias do Uíge, Namibe e Malange. A nível de outras modalidades, reúne cerca de 800 atletas.

POR DENTRO
Nome completo: Marceliano da Conceição
Correia Victor
Filiação: Marceliano Correia Victor e Maria da Conceição
Sebastião Correia Victor
Naturalidade e data de nascimento: Luanda aos 26.07.1965
Estado civil: Solteiro
Filhos: 3
Calçado: 44
Cor: Preta
Hoobyes: Internet e passear
Prato preferido: Funji
de bombo com carne e quizaca
Bebida: Sumos e água
Filmes: Acção
Música: Romântica

Perguntas e respostas

Jornal dos Desportos - O que acha da recandidatura de Aguinaldo Jaime para um terceiro mandato na FAX?
Marceliamo Correia Victor - É uma mais-valia para o xadrez nacional. Deve apenas fazer algumas mexidas ao nível do secretariado e da administração. Também pedimos que se empenhe mais do que nos mandatos anteriores.

Na sua opinião, a que se deve a saída do secretário-geral cessante?
No início, o sr. Abrão Augusto deu a entender a todos que tinha muito dinamismo, mas, com o passar dos anos, foi demonstrado pouco interesse, dando mesmo alguns indícios de má gestão e espírito de deixa andar. Estes foram, na minha opinião, os principais motivos.
 
O que espera do elenco da FAX que vai emergir das eleições?
Espero que cumpram tudo o que dizem. Nos mandatos anteriores, muita coisa ficou no papel. Queremos que a FAX apoie mais as escolas especializadas no ensino da modalidade, fazendo uma advocacia junto dos governos provinciais a favor das APX,  para que estes apoiem as delegações provinciais nas provas oficiais. Dar oportunidades àqueles que trabalham.

Em que estado se encontra a modalidade?
Podia estar melhor. Podemos dizer que, numa escala de 0 a 10, encontra-se a quatro velocidades. Se neste terceiro mandato houver um melhor acompanhamento do presidente de direcção e colocar os seus vice-presidentes a trabalhar mais e a falarem menos, a modalidade pode voltar a dar saltos. Tem de haver também um maior controlo das verbas alocadas às APX.

Como a Macovi pretende ser considerada pela FAX?
Nós somos o parceiro número um. Devíamos ser considerados um parceiro privilegiado da FAX. Até porque, com apoio ou sem apoio da FAX, a Macovi realiza e participa em actividades um pouco por todo o País. Fazemos a nossa parte e estamos à espera que a FAX faça a sua.