Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Uma das maiores referncias da arbitragem angolana

Joo Francisco, online - 28 de Março, 2013

Fernando Pacheco “Baganha”, 48 anos, começou a praticar basquetebol no clube Vila Clotilde, em 1978, na categoria de iniciados. Em 1979, Baganha jogou na categoria de juvenis na escola Anangola, cujos treinos eram efectuados na Escola Industrial de Luanda, que se passou a chamar Bula Matadi e depois Makarenko.

No Vila Clotilde, o seu clube do coração, teve como companheiros vários nomes sonantes do basquetebol nacional, como Jaime Covilhã, Raul Duarte, Jair Guerreiro, Sardinha, Mickey, Alfredo Fernandes e Gegé, sob a batuta de Fernando de Sousa e como dirigente o professor Espírito Santo.
Foi ainda como atleta do Vila que, em 1979, fez o curso de árbitros de basquetebol, numa altura em que havia necessidade de quatros na especialidade, pela mão dos prelectores Óscar Fernandes e Belarmino Santos.

Nesse mesmo ano, apitou no primeiro Campeonato Nacional de cadetes femininos pós-independência, uma realização que teve como palco o pavilhão Gimnodesportivo do Lubango, província da Huíla. Na altura, tinha apenas 14 anos.

Como jogador, Baganha jogou nas categorias de juvenis, juniores e seniores do Vila Clotilde, tendo depois passado para o Interclube de Luanda, como treinador, sagrando-se campeão nacional de juvenis. No clube da Polícia Nacional, ocupou as funções de chefe de departamento de basquetebol durante oito anos, até 1991.

Árbitro de categoria internacional desde 1989, durante um curso no Congo Brazzaville, Baganha, que faz parte da geração de juízes que inclui Domingos Simão e Carlos Ferrão, Baganha apitou milhares de partidas no país e no estrangeiro, incluindo campeonatos africanos e do mundo, além de outras competições internacionais.

O árbitro angolano realça o potencial humano que o país possui em matéria de basquetebol nas várias componentes e apela a todas as pessoas interessadas, de simples carolas a atletas, técnicos e dirigentes, para que aproveitem tais condições para elevar ainda mais alto o nome da bola ao cesto angolana. Para Fernando Pacheco “Baganha”, o desenvolvimento do basquetebol e do desporto, em geral, “não pode estar concentrado em Luanda”.

MOMENTOS
Taça Diamante
em Hong Kong


Incentivado a aderir à arbitragem por amantes da modalidade, como Belmiro Santos, Amaral Gourgel e Oliveira Campos, preocupados com a falta de árbitros de basquetebol que se verificava na altura, Fernando Pacheco “Baganha” é hoje um dos expoentes máximos nessa especialidade no país.

Em mais de três décadas de carreira na arbitragem, inúmeros foram os momentos memoráveis, mas Baganha refere com particular ênfase o ajuizamento da final da Taça Diamante de 2001, em Hong-Kong, entre o Canadá e a então Jugoslávia.

Oficial da Polícia Nacional com a patente de Inspector de Polícia de Investigação Criminal, Fernando Pacheco “Baganha” tem no seu currículo como árbitro internacional dois campeonatos do Mundo, o primeiro dos quais em 1995, de juniores masculinos, e o segundo de seniores, em Indianapolis, Estados Unidos. Apitou ainda várias taças intercontinentais e campeonatos africanos.

Em Abril, Fernando Pacheco “Baganha” vai procurar, com outro árbitro angolano, Clésio Francisco a renovação das insígnias da Federação Internacional de Basquetebol Associado.

POR DENTRO
Nome completo
: Fernando Godinho Pacheco
Filiação: Manuel Godinho Pacheco e Maria Helena Paulo Júnior
Naturalidade e data de nascimento: Luanda, aos 17 de Agosto de 1965
Estado civil: Casado
Calçado: 42
Altura: 1,70m
Peso: 88 Kg
Hobby: Manutenção física
Prato: Um bom cozido
Bebida: Coca-Cola
Perfume: Dune /Lacoste
País de sonho: Moçambique 
Clube do coração: FC Vila Clotilde

PING PONG
Jornal dos Desportos – Em Angola já se pode viver apenas da arbitragem do basquetebol?

Baganha
– Ainda não. Penso que nunca será possível.
JD - Porquê?

B
– Ainda há pouco investimento no desporto e, apesar de se notar alguma evolução e grande preocupação do Executivo, temos muito caminho pela frente para chegarmos à satisfação dos nossos objectivos como profissionais da arbitragem.

JD – Quais os critérios exigidos para se ser um bom árbitro de basquetebol?
B- Em minha opinião, devem candidatar-se jovens a partir de 15 anos de idade e não dos 18 anos, como é a condição obrigatória da Federação Angolana de Basquetebol, e ter 1,70 m de altura, bem como ter sido antigo praticante.

JD – Além do basquetebol, o que mais faz?

B – Sou funcionário do Ministério do Interior.

JD – Já estão ultrapassadas as questões que na temporada passada impediram que os árbitros cumprissem as suas obrigações?

B – Até ao momento, ainda se vivem problemas que impedem a classe da arbitragem de basquetebol de exercer as suas funções normais.

JD – Em Angola existem muitos árbitros de basquetebol?

B – Não. Temos de fazer algo mais, sobretudo nas provinciais, pois o desenvolvimento do desporto não pode estar concentrado em Luanda.

JD
– Que mensagem deixa aos amantes do basquetebol?
B - Não deixem morrer o basquetebol.