Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Vou contribuir nas aces programadas pela Federao

Joo Francisco -On-line - 11 de Junho, 2013

Desde atleta das seleces nacionais, treinador e, agora nas vestes de principal gestor da modalidade em Luanda, Incio Olim

Fotografia: Jos Soares

Desde atleta das selecções nacionais, treinador e, agora nas vestes de principal gestor da modalidade em Luanda, Inácio Olim, à semelhança de qualquer angolano está extasiado com o momento de graça que vive e vai viver o Hóquei em Patins angolano, antes e depois do evento que considera ser um facto inédito para Angola e África.

“Enquanto angolano, cabe-me naturalmente, apoiar a iniciativa do Governo de Angola, pois não deixa de ser um facto inédito no desporto angolano. Além disso e, enquanto ex- praticante vou ajudar na promoção das acções desportivas programadas pela comissão organizadora e da Federação Angolana de Patinagem.

Por outro lado, na condição de Presidente da Associação de Patinagem de Luanda, vou ajudar a implementar o projecto de massificação da modalidade”, começou por sublinhar o dirigente quando bordado sobre o seu contributo no evento que se avizinha.

Seguindo Inácio Olim, o evento vai relançar a modalidade a nível nacional. E, a construção dos pavilhões, vai reflectir igualmente no incremento e na qualidade da prática das diversas modalidades desportivas.

“Também e, como não podia ser diferente, a imagem de Angola vai ser outra se considerar o número e a qualidade de países participantes ao evento”, acrescentou ainda sobre os outros ganhos que o País pode obter com a realização da prova”.

ANTEVISÃO
“Acredito que se chegarmos às meias-finais a participação será positiva” Para Inácio Olim, é muito difícil Angola vencer o 41º Campeonato Mundial de Hóquei em Patins,tendo em vista o valor das restantes equipas que habitualmente  lutam para os 4 primeiros lugares. “ Acredito que se chegarmos às meias-finais é já uma participação positiva”.

Noutro ângulo, o dirigente foi peremptório em afirmar que Angola tem de facto condições para organizar este Mundial de Hóquei, não esquecer a experiência já demonstrada na óptima organização dos campeonatos africanos de futebol, basquetebol e andebol.

“Alem disso tem recursos humanos capazes de implementar o projecto da comissão organizadora e da Federação internacional. A qualidade das instalações que estão a ser construídas valorizam ainda mais a organização”, sustentou ainda.

COMPARAÇÃO
Os jogadores eram mais tecnicistas do que agora. Num paralelismo, entre os hoquistas actualmente na selecção nacional e os do seu tempo, Inácio Olim é de opinião que os jogadores diferem muito na evolução táctica e, se antigamente os jogos dependiam mais da técnica individual, hoje dependem dos esquemas de equipa idealizados pelos treinadores.

“Os jogadores do outro tempo eram mais tecnicistas porque as equipas baseavam-se muito na qualidade técnica individual dos atletas para ganhar os jogos, porque os sistemas tácticos assim o permitiam”, justificou.

O antigo praticante recordou nomes do Hóquei em Patins angolano como, Sony, Bulica, Kaissara, Samuel, Rafael, Totas entre outros, que individualmente faziam a diferença quando estavam em campo.

“Hoje a rigidez dos sistemas obrigam que os atletas estejam mais sistematizados nos esquemas tácticos dos treinadores. O que não quer dizer que não hajam jogadores tecnicistas como é evidente.

“O outro lado positivo da questão, é que os atletas da selecção, actualmente fazem muito mais jogos de preparação e participação em torneios que lhes dão outra maturidade competitiva de melhor qualidade. Há os torneios de Espanha, Argentina, Suíça, Zé Du, enfim o nível e o número de competições favorece a qualidade dos atletas”, concluiu.

TRAJECTÓRIA
João Silva “Catanga” emprestou-lhe os Patins para os primeiros passos. Inácio Olim, recorda-se que começou a praticar desporto, a  jogar futebol na infância, no bairro Marçal, posteriormente na disciplina de educação física, nas escolas por onde passou.

“Antigamente nas Escolas aprendemos a praticar as outras modalidades, como Basquetebol, Andebol, Voleibol, etc. Mas foi um amigo, o João Silva “Catanga” que era meu colega de turma na Escola Che Guevara (onde se destacaram outros jovens na altura José Carlos Guimarães, Teófilo Moniz, Riquinho, Eduardo Paim, entre outros).

“Fui guarda-redes da selecção nacional de Hóquei durante muitos anos” De acordo com Inácio Olim, João Silva num belo dia levou os seus patins para a Escola, emprestou-lhe para saciar a curiosidade. “João Silva, depois de ver que eu tinha habilidades para a modalidade sugeriu que eu fosse treinar na Escola do São Domingos, no Nelito Soares com o Augusto Magalhães”, disse.

Como desportista de “alta competição”, Inácio Olim, representou a selecção nacional durante muitos anos como guarda-redes. “Alem de ser por diversas vezes campeão nacional pelo Petro de Luanda e 1º de Agosto, entretanto enquanto profissional representei os clubes portugueses do Turquel, Académica de Coimbra e Tigres de Almeirim, onde jogavam também os angolanos (Olim, Gil Santos e Sony)”, concluiu.

Selecção quer impor ascensão

Ofacto de nos últimos dois anos a selecção conseguir resultados desportivos positivos pesa na abordagem do duplo amigável que a equipa vai efectuar, hoje e amanhã, na localidade de Saint'Omer, França, diante da congénere local, assegurou o seleccionador nacional, Orlando Graça.

O treinador reconheceu a superioridade francesa que advém do histórico de jogos entre as duas equipas, mas está confiante no trabalho realizado durante o estágio encerrado no domingo em Barcelona.

“No balanço de jogos que fizemos na Catalunha, penso que estamos a altura de defrontar, em igualdade de circunstâncias, a equipa francesa. Não somos superiores à França, aliás, se olharmos as estatísticas, eles costumam ser superiores”, disse.

Orlando Graça esclareceu as razões que o levam a manifestar o optimismo. “Hoje, começamos a sedimentar a nossa posição em relação àquelas equipas que são do nosso nível, como é a França, e não queremos estar indiferentes a este factor. Queremos impor a nossa ascensão desportiva”, disse o técnico.

A selecção nacional estagiou em Barcelona desde 20 de Maio e efectuou cinco jogos amistosos, com saldo de duas derrotas, dois empates e uma vitória. Angola pode sair hoje com cinco de luxo constituído por Tiago Sousa, Kirro, Big, João Pinto e Johe.

Preparados para as encomendas do jogo, no banco de suplentes o treinador tem Pedalé, para a baliza, Márcio Fernandes, Ruía André, André Centeno e o surpreendente Paizinho, que depois de preterido dos 10 nos torneios de Vendimia e da Taça das Nações de Montreux, tem oportunidade de mostrar ao técnico o seu real valor.

OPTIMISMO
Johe identifica no grupo
matéria-prima para vencer


O capitão da selecção nacional, Johe, acredita que Angola tem tudo para vencer a selecção da França no duplo amistoso que hoje se começa a disputar, fruto das oportunidades de trabalho conjunto de preparação que a equipa está a beneficiar.

Ao abordar o jogo de logo, o capitão fala de um passado recente em que os franceses tinham mais competitividade e que as diferenças entre as duas equipas eram mais visíveis.

“Há uns anos, a diferença ainda se notava em relação à França, porque eles trabalhavam mais juntos, tinham outro tipo de competição, mas, agora, nós trabalhamos muito mais, temos oportunidade de estar mais vezes juntos e acho que temos valor, capacidade e matéria-prima para levar de vencida a selecção da França”, disse.

Angola entra para a quadra de jogos com a memória recente de uma vitória, por 4-1, sobre os franceses, na última Taça das Nações de Montreux, Suíça, mas consciente de que a vitória surgiu depois de  quatro derrotas consecutivas nas últimas provas oficiais do Comité Internacional de Rins Hockey ( Cirh).

Desde o mundial de Oliveira de Azeméis, 1-5, em 2003, a selecção nacional conheceu sempre resultados amargos diante dos franceses. Mas reduziu gradualmente o “score” até chegar à vitória, a 28 de Março do corrente.

Em 2005, em San José, EUA, a França bateu Angola por 5-2 e dois anos mais tarde, no Mundial de Montreux sentiu dificuldades para vencer, por 4-3. As dificuldades francesas foram maiores na vitória por 3-2, conseguida no mundial de 2009, em Vigo, Espanha. Apesar de jogar em casa, os gauleses podem assistir à confirmação da reviravolta nos resultados entre ambas equipas.

secretário-geral
PASCOAL CHITUMBA

“Mundial é um
ganho para o país”

O secretário-geral da Associação Provincial de Atletismo de Luanda (APAL), Pascoal Chitumba, garante que a realização do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, a realizar-se em Setembro, vai produzir grandes benefícios ao país.

O dirigente da APAL está confiante na obtenção de bons resultados no Campeonato do Mundo que o país vai acolher em Setembro.

“Angola está inserida num grupo que me dá garantia de se apurar para outra fase. Em função da preparação, que a Selecção Nacional está a levar a cabo, temos todas as condições para fazermos uma boa campanha no campeonato do mundo.

Outra vantagem é a realização do torneio internacional Zé Dú, na província da Palanca Negra, Malange. O mesmo vai ser realizado um mês antes do arranque do certame, o que vai facilitar bastante na moldagem da nossa selecção”, garantiu.

Pascoal Chitumba assegura que a divulgação da modalidade ganha outra dimensão. “Muito desconheciam a prática do hóquei em patins e a realização do certame no país vai contribuir na divulgação e massificação da própria modalidade”, disse.

O secretário-geral da Associação de Luanda assegura que “as arenas em construção são traduzidas em ganhos para o país, não apenas para os praticantes do hóquei em patins, mas vai ser um benefício do desporto”.

Outro sector social que está a beneficiar com o evento desportivo, segundo Pascoal Chitumba, é o da hotelaria e turismo, pois “as transformações nesse sector concorrem para a melhoria das cidades eleitas”.

Quanto aos apoios à selecção nacional, Pascoal Chitumba disse que o grupo angolano tem todo o apoio da sociedade. “O apoio à selecção já começou. Há sempre uma moldura humana que  aparece em massa nas actividades promocionais do Mundial de hóquei em patins.

A adesão é máxima dos táxis, com a divulgação das cidades que vão acolher a prova; a juventude e as crianças fazem dos patins uma actividade predilecta e tudo isso é reflexo do campeonato do mundo. Estou com a selecção e como o meu país”, concluiu.

DADOS PESSOAIS
Nome Completo:
Inácio Fernandes da Silva Vieira  de Olim

Filiação: Inácio Fernandes Vieira de Olim e de Miquelina da Silva Olim

Estado Civil:
Casado

Data de Nascimento: 21 Outubro de 1963

Filhos:
02

Peso: 78

Altura: 1,78m

Prato Preferido: Calulu de carne seca

Bebida:
Vinho

Tempos livres:
Leitura e desporto

Calçado: 42

Religião: Católico