Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Yano est feliz no progresso

16 de Julho, 2012

Yano partilha a segunda posio dos marcadores do presente Girabola

Fotografia: Jornal dos Desportos

Adriano Belmiro Duarte Nicolau é um nome que pouco diz aos leitores. Mas se acrescentarmos Yano, certamente que a história muda de figura. O jovem que representa o Progresso do Sambizanga, nascido na cidade de Saurimo, Lunda-Sul, partilha com Kêmbua (Petro de Luanda) a segunda posição da lista dos melhores marcadores do presente Girabola, com nove golos. A carreira futebolística  de Yano teve início em 2006 na equipa de formação da Companhia Mineira de Catoca, em Saurimo.

Em 2010, o internacional angolano agradou aos responsáveis do clube do Sambizanga, aquando da sua passagem por Luanda para disputar a Taça do Presidente, numa organização do Movimento Nacional Espontâneo (MNE). Uma aposta que valeu ouro, pois Yano é hoje um dos muitos artistas da bola que espalha talento nos estádios do país. Em entrevista ao Jornal dos Desportos, o avançado sambila assegurou que tem como objectivo ajudar o Progresso do Sambizanga a cumprir o objectivo traçado pela direcção do clube, ou seja, ficar entre os cinco primeiros lugares no presente Girabola e conquistar a Taça de Angola.

O Yano surgiu quase do nada no futebol nacional e hoje partilha o segundo lugar da lista dos melhores marcadores do presente Girabola, com nove golos. Como explica essa apetência pelos golos?
Penso que é fruto de trabalho que tenho desenvolvido, a julgar pelos bons momentos que tenho vivido na minha carreira como jogador de futebol. Momentos que não esquecerei, depois de ter saído de uma lesão. Agora só me resta dar continuidade ao trabalho para que as coisas corram da melhor maneira possível. Felizmente estou a fazê-lo e vou fazer mais, para que nos próximos jogos possa fazer mais golos, subir cada vez mais de forma, ajudar a equipa a atingir os lugares cimeiros no presente campeonato, e aumentar a minha conta pessoal para no final estar na lista dos melhores marcadores.

A sua formação futebolística começou no Sociedade Mineira de Catoca. Como aconteceu a ida para o Progresso?
É uma história longa. Estava vinculado a uma equipa de futebol das camadas de formação pertença da Companhia Diamantífera Catoca, na cidade de Saurimo, Lunda-Sul, que disputava a Taça do Presidente. A dada altura, a Associação Provincial de Futebol convocou os clubes locais para disponibilizarem alguns jogadores para fazerem parte do misto da Lunda-Sul que ia competir em Luanda, no referido torneio. O meu nome fez parte dos convocados.

Qual foi o adversário do misto da Lunda-Sul?
Foi o FC do Mucondo, que resultou numa derrota por 0-4. Apesar da goleada, não cruzámos os braços. Fomos trabalhando, fazendo tudo o que estava ao nosso alcance. Nesse jogo, estavam muito dirigentes de determinadas equipas, inclusive do Progresso, que mostrou interesse em mim, pois segundo eles, com mais trabalho, havia de me tornar um bom jogador de futebol, devido a alguns dotes que já mostrava. Foi nessa altura que me endereçaram um convite para fazer teste no Progresso. Assim aconteceu. Vim para o Progresso, fiz o teste, passei e cá estou a trabalhar, sem problemas. Sinto-me feliz.


EXPERIÊNCIA
“Bebi muito do Love Kabungula”

Que jogador mais admira no Campeonato Nacional e na selecção principal?
Tenho vários, não só da minha posição, mas também de outros sectores, tendo em conta o trabalho, dedicação e entrega deles. Mingo Bile, Kêmbwa, Manucho e Love Kabungula, este último, infelizmente, não foi convocado, mas é um jogador com o qual, ao longo do tempo, tenho bebido muito da experiência e qualidades.

É possível falar em grandes momentos vividos no futebol neste curto espaço de tempo como profissional? 
Sim. Foram as minhas convocatórias para as selecções nacionais (Sub-20 e honras), mormente a chamada para a selecção principal, pois foi algo que não esperava tão cedo, porquanto era apenas um sonho, tal como todos os jogadores sonham com um dia fazerem parte do conjunto nacional de forma a defender a bandeira do país, isto sem desprimor para os Sub-20.

Estreou-se na Selecção AA aos 19 anos de idade. Como foi a sua primeira experiência na Selecção?
Foi uma experiência ímpar, na medida em que foi a primeira vez que fui convidado para a Selecção principal, depois de ter representado os Sub-20. Sendo o mais jovem, com 19 anos, a cada dia que passava trabalhava de forma a merecer a confiança do seleccionador nacional. Procurei melhorar em muitos aspectos.

Romeu Filemon devia ou não continuar à frente da Selecção Nacional?
O professor Filemon é um grande técnico. É outro pai que o futebol angolano tem, pois além de nos incumbir tarefas ligadas ao futebol, tem sabido incutir na mente dos jogadores tudo de bom para futuro. Lembro-me de algumas vezes em que nos chamou para o seu dormitório para conversar

connosco, tanto os jovens como os adultos, para saber como a equipa estava em todos os sentidos. A par disso, está o seu lado profissional. É bastante competente e do que consegui saber é o técnico que devia continuar, pois começou com um projecto a que devia dar continuidade. E quanto à sua convocatória para os Sub-20, no ano passado? De facto fiz parte da convocatória do professor Miller Gomes na altura para a Taça Cosafa, que teve lugar no Botswana. É outra experiência que vivi. Todos sabemos que  Miller Gomes, além de um grande seleccionador, também no capítulo humano é um grande homem, pois impulsionou-nos.

ADAPTAÇÃO
Lugar na equipa
só com trabalho


Como foi a sua adaptação à equipa principal do Progresso, uma vez que estava a sair das camadas de formação de clube de menor dimensão?

Foi um pouco difícil porque tinha pouca experiência. Vinha de uma província onde disputava o campeonato de juniores. Tendo em conta a fraqueza da própria competição, foi difícil adaptar-me, mas com vontade e trabalho consegui entrosar-me, até hoje.

Qual a relação com a equipa técnica liderada por David Dias?
É uma relação excelente. Não esperava, pois nunca tinha trabalhado com o professor David Dias. Além de ser uma boa pessoa do ponto de vista humano, como treinador tem sabido transmitir os seus conhecimentos ao grupo, particularidade que admiro muito no técnico, pois tenho-o como um pai, tanto nos momentos bons, como maus. É um técnico que, além de nos transmitir os conhecimentos futebolísticos, também nos passa os conhecimentos da vida do dia-a-dia.

E com os seus colegas?
O mesmo. Tratamo-nos como se fossemos irmãos. Não tenho razões de queixas a respeito disso.

O seu futuro passa pelo Progresso ou pensa transferir-se para outro clube?
De momento não. Não se sabe o que vem pela frente, o que pode vir a acontecer comigo, pois só o tempo dita o nosso futuro.

Daqui para a frente tem lugar cativo da equipa?
Tenho dito que é difícil, às vezes, traçarmos o nosso destino, porquanto pensamos uma coisa hoje e amanhã o quadro inverte-se.

Falta-lhe mais confiança então?

Resumindo, de momento só penso em trabalhar no Progresso. Sem este esforço tudo cai.

COMPETÊNCIA
Yano enaltece David Dias


O técnico David Dias é destacado não só como treinador, mas também como um pai. É desta forma que o caracteriza?
Sim. Talvez pelo facto de ter vindo trabalhar com ele e gostar da postura que apresenta. É um homem de fácil comunicação. O professor David Dias é um pai para o grupo todo, não apenas para o Yano, por isso acredito que ele vai triunfar na vida como profissional e como ser humano.

O que representa para ti o Progresso do Sambizanga?
O Progresso é tudo para mim, pois foi a equipa que me lançou no futebol de alta competição. A sensação é como se conquistasse o campeonato pela primeira vez. A felicidade é enorme. Como disse, sinto-me feliz por representar o Progresso, pois fui muito bem recebido e estou a ser muito bem tratado.

Acredita na qualificação de Angola para o Mundial de 2014?

O importante para lá chegarmos é  trabalhar cada vez mais. Acredito que todos os meus colegas estão conscientes dessa responsabilidade. Depois dos jogos que fizemos, o grupo teve uma conversa e estamos conscientes das nossas responsabilidades.


Perfil
Nome: Adriano Belmiro Duarte Nicolau
Data de nascimento: 8 de Julho de 1992
Naturalidade: Saurimo
Nacionalidade: Angolana
Altura: 1,80 m
Peso: 72 kg
Estado Civil: Solteiro
Filhos: Não tem
Prato: Funji com frango
e kizaka
Bebidas: Água e sumos
Religião: Católica